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Ermida de São Pedro - detalhe

Designação

Designação

Ermida de São Pedro

Outras Designações / Pesquisas

Ermida de São Pedro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Ermida

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Silves / Silves

Endereço / Local

- EN 124, ao km 1, à direita, na direcção Silves-Lagoa
Ladeira de São Pedro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
A escasso um quilómetro de Silves, num morro fronteiro à cidade, o que resta do pequeno templo de São Pedro é um precioso indicador acerca do Gótico do Barlavento algarvio e respectivo raio de acção. Com efeito, à excepção das partes mais antigas da Catedral silvense e da capela de Nossa Senhora dos Mártires, também em Silves (DOMINGUES, 2ªed., 2002, p.87), pouco é o que conhecemos a respeito da primeira arte cristã do território, edificada a seguir à conquista definitiva da província por D. Afonso III.
A capela, apesar de bastante adulterada e arruinada, conserva importantes parcelas da construção original, em particular a sua planta. Esta, é formada pela justaposição de dois corpos: o da nave (única e rectangular com dois tramos) e o da capela-mor (de tramo único e remate semi-circular, solução relativamente estranha ao restante panorama da arquitectura gótica nacional, onde se recorreu preferencialmente a ábsides poligonais ou, em alternativa, quadrangulares). No interior, conservam-se ainda dois arcos, formados por blocos de grês típicos da região de Silves, o primeiro a dividir a nave em dois tramos (de perfil apontado e elevando-se a c. 3,5m de altura) e o segundo, de arco de volta perfeita, correspondente ao arco triunfal. A fachada principal, apesar de substancialmente transformada, apresenta uma modulação gótica, visível no perfil triangular da sua empena, coroada axialmente por pequeno óculo circular.
Não obstante serem escassos, estes elementos apontam para um período recuado de construção, eventualmente os finais do século XIII e viragem para o seguinte, época em que todo o país foi objecto de uma dinâmica construtiva muito forte, datando dessa altura o essencial do foco artístico conhecido como Gótico paroquial dionisino. Esta proposta cronológica é, no entanto, uma mera hipótese, faltando um estudo rigoroso, monográfico e, se possível, arqueológico, que permita obter dados de cronologia absoluta ou, quanto muito, recensear eventuais semelhanças estilísticas com outras obras góticas da província e do restante reino.
Na época moderna, o monumento foi objecto de algumas reformas. O portal principal, de perfil abatido, é a mais importante marca desses trabalhos, mas, até ao momento, pouco mais se pode dizer. Ainda na frontaria, devem datar desse período os apoios para um alpendre, de que ainda restam três mísulas, posteriormente suprimido em altura desconhecida. Infelizmente, a história da pequena ermida de São Pedro é ainda muito obscura, e o que sabemos constitui pouco mais que meras indicações descontextualizadas.

História
Entre 1704 e 1715, período em que o bispado foi governado por D. António Pereira da Silva, que nos deixou um Livro para me guiar no governo do Bispado, a ermida ainda estava aberta ao culto. Por volta de 1758, foi objecto de várias reparações, em consequência de estragos provocados pelo terremoto de 1755. Desconhecemos, todavia, quais os trabalhos realizados e respectiva amplitude de danos provocados pelo sismo. Em altura indeterminada, entre esta data e o século XX, a igreja foi transformada em habitação particular, processo que implicou uma radical adulteração na funcionalidade do edifício. Anexaram-se-lhe, então, várias dependências, em particular a Norte e a Ocidente, que romperam com a simetria planimétrica e volumétrica do conjunto. Os focos de iluminação do templo foram, também, praticamente todos adulterados, sendo as presumíveis frestas góticas substituídas por janelas rectangulares, o que aconteceu também com a porta lateral Sul, de verga recta.
Classificado como Imóvel de Interesse Municipal em 1993, o templo assume-se como uma das mais antigas realizações da reconquista no Algarve, e a sua importância científica renova-se a cada ano, à medida que a Baixa Idade Média regional vai sendo objecto de sucessivos estudos.

Paulo Fernandes/IPPAR. Atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2016

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