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Casa mandada construir pelo pintor José Malhoa e conhecida por «O Casulo» - detalhe

Designação

Designação

Casa mandada construir pelo pintor José Malhoa e conhecida por «O Casulo»

Outras Designações / Pesquisas

O Casulo / Casa do pintor José Malhoa / Centro Cultural de Figueiró dos Vinh(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Casa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Leiria / Figueiró dos Vinhos / Figueiró dos Vinhos e Bairradas

Endereço / Local

Avenida José Malhoa
Figueiró dos Vinhos

Rua do Colégio
Figueiró dos Vinhos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Localizada a Este do centro da vila de Figueiró dos Vinhos, a casa de Malhoa era, segundo excerto de uma carta de Luis de Almeida Pinto, filho do grande amigo do Mestre, o pintor Manuel Henrique Pinto, uma pequeníssima casa, rectangular, apenas com uma divisão, onde fez uma minúscula cozinha, dividindo a outra sala com dois biombos, aproveitando a parte central para casa de jantar e de estar, e os outros espaços para quarto dele e de sua irmã. O atelier era uma barraca de colmo, onde o antigo dono guardava as ferramentas de lavoura. Assim, de tão pequenino que aquilo era, o baptizou com o nome de "Casulo" (Revista SNBA, 1955).
A construção inicial data de 1895 mas, dada a exiguidade do espaço a casa foi sendo ampliada tornando-se na habitação unifamiliar de cariz romântico que hoje conhecemos. Assim, logo em 1898 foi-lhe anexado um outro corpo transversal formando a planta em T que subsistiu até aos nosso dias. Este novo volume foi concebido pelo arquiteto e amigo de Malhoa, Luís Ernesto Reynaud, que se encontrava em Figueiró dos Vinhos a trabalhar no restauro da igreja matriz.
Os alçados da casa, de volumes diferenciados, são em tijolo de cor vermelha, contrastando vivamente com a marcação dos ângulos, em blocos rusticados, pintados de branco. Esta situação repete-se em alguns dos vãos, sendo ainda de assinalar os frisos de azulejos geométricos presentes nas vergas de algumas das janelas da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro.
O interior do edifício divide-se em cave, r/c, primeiro piso e sótão, merecendo especial referência a sala, com paredes de couro lavrado, lareira, teto de madeira e pinturas do próprio Malhoa. A casa usufrui ainda de uma abertura ao exterior através de uma varanda em madeira com vista para o jardim e lago.
Mais tarde este edifício irá ter uma grande influência na arquitetura de Figueiró dos Vinhos, nomeadamente pela utilização dos telhados de várias águas, das trapeiras, das carpintarias e das cores vivas dos revestimentos.

História
José Malhoa foi, sem dúvida, um dos maiores artistas portugueses de finais do século XIX, inícios do XX, cuja obra pictórica se destaca pela utilização de uma linguagem muito própria, tendo ficado célebres algumas obras como "O Fado" ou "Os Bêbados".
Malhoa nasceu nas Caldas da Rainha, em 1855, filho de uma família muito humilde. O primeiro contacto com Figueiró dos Vinhos data de 1883 e deve-se ao seu amigo e pintor Manuel Henrique Pinto, natural dessa vila (SALDANHA, p. 32). De facto, será neste local que Malhoa irá encontrar o ambiente propício para desenvolver a sua obra, acabando por aí fixar residência até à sua morte, em 1933. Com a morte de José Malhoa a casa torna-se propriedade da Sociedade Nacional de Belas Artes que opta por vender o imóvel em hasta pública. Em 1982 o edifício foi considerado Imóvel de Valor Concelhio, mais tarde denominado Imóvel de Interesse Municipal, associando-se, nesta valorização, não só a componente arquitetónica mas também o valor imaterial do Bem dada a sua relação com Malhoa que aqui produziu grande parte da sua obra.
Após anos de degradação, "O Casulo" foi adquirido pelo município em 2008, com o objetivo de se proceder a uma reabilitação dos espaços e sua envolvente, iniciativa esta que só ficou concluída em 2013.
Nos terrenos da antiga horta do "Casulo" foi construído, em 2013, o Museu e Centro de Artes de Figueiró dos Vinhos para onde transitou também o Posto de Turismo que, inicialmente, tinha sido colocado no piso térreo da casa, aguardando-se, para breve, uma intervenção final que, por fim, possa contextualizar a casa ligando-a à importante obra de José Malhoa.

Maria Ramalho/DGPC/2017.

Imagens

Bibliografia

Título

José Malhoa. Tradição e Modernidade

Local

Lisboa

Data

2010

Autor(es)

SALDANHA, Nuno

Título

Reabilitar o Casulo - um projecto uma realidade, O casulo: boletim informativo do Centro Cultural de Figueiró dos Vinhos, n.º 1, pp. 2-3

Local

Figueiró dos Vinhos

Data

1987

Autor(es)

LEITÃO, Adelaide (dir.)

Título

Seis séculos de azulejo em Figueiró, O casulo: boletim informativo do Centro Cultural de Figueiró dos Vinhos, n.º 8, p. 1

Local

Figueiró dos Vinhos

Data

1988

Autor(es)

LEITÃO, Adelaide (dir.)

Título

Influência do Casulo na nova arquitectura, O casulo: boletim informativo do Centro Cultural de Figueiró dos Vinhos, n.º 11, pp. 1-3

Local

Figueiró dos Vinhos

Data

1989

Autor(es)

LEITÃO, Adelaide (dir.)