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Açude da Fábrica de Fiação de Tomar - detalhe

Designação

Designação

Açude da Fábrica de Fiação de Tomar

Outras Designações / Pesquisas

Açude da Fábrica de Fiação de Tomar (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Açude

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Santarém / Tomar / Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais

Endereço / Local

-- -
Tomar

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 285/2013, DR, 2.ª série, n.º 91, de 13-05-2013 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 21-02-2013 da diretora-geral da DGPC
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13795/2012, DR, 2.ª série, n.º 248, de 24-12-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 17-12-2012 da SPAA do Conselho Nacional da Cultura
Proposta de 11-12-2012 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a confirmação do despacho para a classificação, mas como MIP
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Processo retomado em 2005
Despacho de homologação de 25-09-1981
Parecer de 15-09-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC a propor a classificação como IIP

ZEP

Portaria n.º 285/2013, DR, 2.ª série, n.º 91, de 13-05-2013 (sem restrições) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 21-02-2013 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 13795/2012, DR, 2.ª série, n.º 248, de 24-12-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 17-12-2012 da SPAA do Conselho Nacional da Cultura
Proposta de 11-12-2012 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Erguida nas margens do rio Nabão, Tomar desempenhou papel central no desenrolar dos principais acontecimentos políticos registados no actual território português, especialmente com a sua conquista aos mouros, em 1147, por D. Afonso Henriques (1109-1185), que a doaria à Ordem dos Templários, em 1159, conferindo-lhe foral D. Gualdim Pais, em 1162, até que, em 1312, e por decisão do Papa João XXII (1249?-1334), a Ordem seria extinta, fundando-se, então, a Ordem Militar de Cristo, a mesma que se fixaria no castelo da localidade de Tomar, elevada a cidade apenas em 1844.
De entre as inúmeras edificações antigas existentes em Tomar, sobressai o "Açude da fábrica de fiação", pela relevância que assumiu no desenvolvimento económico da cidade no limiar da contemporaneidade, não apenas da região, como do território português, fixando gentes no seu termo, em busca da segurança económica que proporcionava às famílias que nela trabalhavam.
Com efeito, o surto industrial pombalino impulsionou, no campo dos têxteis, o papel de reexportador de algodão do país enquanto entreposto colonial, ao mesmo tempo que a política fabril implementada a partir de 1777 possibilitou a criação de manufactureiras capazes de substituir as importações neste domínio, introduzindo-se, desde logo, no país os principais inventos da indústria algodoeira, como nos casos da sping jenny, da mule-jenny e do water-frame, este último adoptado, justamente, na "Real Fábrica de Fiação de Tomar" (. GUIMARÃES, M. da S., 1976).
E não deixa de ser sintomático da excelente qualidade do produto final saído desta fábrica o facto de não ter encerrado as suas portas no início do século XIX, contrariamente ao que sucedeu com parte expressiva das fiações de algodão localizadas no sul do país.
Uma ocorrência à qual não terá sido estranha a sua criação, em 1789, por parte dos industriais franceses Jácome Ratton (1736-c.1822) e Timotheo Lecussan Verdier, a partir de uma unidade fabril preexistente de teares de meia e de malha, que cedo souberam adaptá-la às inovações produzidas pela tecnologia britânica (especialmente no que se referia ao "motor" principal da Revolução industrial - a máquina a vapor) (CUSTÓDIO, J., SANTOS, L., 1990, pp. 538-657).
Conseguiram, por conseguinte, transformá-la, na verdade, numa grande fábrica moderna, acrescentando a tecelagem à anterior modalidade de fiação, a partir de 1875, enquanto renovava o seu equipamento e próprio edifício [construído por Henrique Taveira, segundo risco de Charles Hargreaves], especialmente após o incêndio que a assolou em 1883, parte do qual fornecido pela conhecida firma J. Hetherington & Sons, de Manchester, empresa que reestruturou de igual modo a Companhia do Rio Ave (. ALVES, J. F., 1999).
Enquanto isto, revelava-se o primeiro espaço fabril português a introduzir a iluminação eléctrica (a preceder o uso da electricidade como força motriz) nas suas instalações, obtida através de uma central que aproveitava - através de um canal com quase mil, cento e cinquenta metros de comprimento, por seis metros e vinte - a queda da água a partir de um açude no rio Nabão, erguido no local onde existia a ponte da Granja, e formado por uma muralha angular disposta entre as duas margens, assente em fundo rochoso do leito fluvial e formada por dois lanços desiguais.
Um esforço permanente de renovação que se evidenciava ainda nos finais dos anos trinta do século XX, quando, a par de outras unidades, a Fábrica integrava o grupo das que ainda se encontravam em plena actividade produtiva.
Uma singularidade do processo industrial português que não deixaria de sensibilizar as autoridades responsáveis, que rapidamente compreenderam a importância da manutenção do açude [de Pedra], a integrar, na verdade, o projecto de requalificação da zona ribeirinha do rio Nabão, ao mesmo tempo que se projecta a conversão parcial do espaço em equipamento cultural camarário.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

Anais do Município de Tomar

Local

Tomar

Data

1967

Autor(es)

ROSA, Amorim

Título

Tomar: História e Geografia Humanas no tempo e no espaço, Arqueologia na Região de Tomar, pp.13-25

Local

Tomar

Data

1985

Autor(es)

PONTE, Salete da

Título

A cidade: memórias e sobrevivências históricas, Boletim Cultural da Câmara Municipal de Tomar

Local

Tomar

Data

1993

Autor(es)

PONTE, Salete da

Título

História de Tomar

Local

Tomar

Data

1982

Autor(es)

ROSA, Amorim

Título

A Real Fábrica de Fiação de Tomar e a 1.ª geração europeia e americana de fábricas hidráulicas, I Encontro Nacional sobre o Património Industrial - Actas e comunicações

Local

Coimbra

Data

1990

Autor(es)

CUSTÓDIO, Jorge, SANTOS, Luísa

Título

História de uma fábrica - a Real Fábrica de Fiação de Tomar

Local

Santarém

Data

1976

Autor(es)

GUIMARÃES, Manuel da Silva

Título

Fiar e Tecer - uma perspectiva histórica da indústria têxtil a partir do vale do Ave

Local

Vila Nova de Famalicão

Data

1999

Autor(es)

ALVES, Jorge Fernandes