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Casa Medieval da Torre de Cima - detalhe

Designação

Designação

Casa Medieval da Torre de Cima

Outras Designações / Pesquisas

Casa Medieval da Torre de Cima(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Casa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Loures / Bucelas

Endereço / Local

EN 116, ao km 27
Casal da Torre de Cima

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A casa medieval da Torre de Cima é, como o próprio nome indica, um paço senhorial baixo-medieval, construído muito provavelmente ainda no século XIV, na encosta setentrional da Serra dos Picotinhos e, por isso, em posição dominante sobre uma extensa várzea, a meio caminho entre as localidades de Freixial e de Bucelas. Apesar de constituir um dos raros exemplos de propriedade nobre do aro de Lisboa durante a Idade Média, tem sido votada ao quase completo esquecimento e só muito recentemente foi alvo de classificação por parte do IPPAR, aguardando-se, ainda, um coerente estudo monográfico sobre o local e consequente projecto de valorização.
Da antiga estrutura gótica é muito pouco o que resta, sendo certo que grande parte do edifício original foi já destruído. Na actualidade, apenas se podem observar três portais de arco quebrado, um deles na fachada Norte (a principal?) e outros dois em divisórias interiores do paço, destacando-se o do lado Ocidental, de menor abertura que o setentrional e que dá acesso a um vestíbulo, ou espaço de transição para o interior. Sobre o portal principal existem cinco mísulas, algumas já mutiladas, destinadas a suportar, muito provavelmente, um alpendre ou, em alternativa, um balcão do segundo piso, à maneira de varandim nobre.
Dado o aspecto actual do paço, é natural que tenha sofrido múltiplas intervenções ao longo dos séculos. Ele apresenta planta em "L" maioritariamente de dois pisos, integrando algumas janelas de feição quadrangular, características de uma época avançada na Idade Moderna. O interior organiza-se a partir de um espaço central comunicante com o vestíbulo ocidental. Para ambos os lados, sucedem-se outras dependências maioritariamente quadrangulares, localizando-se a cozinha no extremo Sudoeste do conjunto, de que resta ainda uma parcela abobadada do forno. A ligação ao piso superior efectua-se a partir do vestíbulo, onde existe uma escadaria, mas desconhece-se qual a disposição original deste andar nobre.
Se a organização espacial do conjunto e as respectivas alterações não são facilmente identificáveis, as escassas referências históricas não prestam grande auxílio. Sabemos que, em 1524, a propriedade pertencia a D. Violante Tavares, viúva de um tal Nuno Álvares, e seus herdeiros. Já então era chamada Quinta da Torre, o que pressupõe a integração de uma estrutura fortificada de que, todavia, não restam vestígios. Nessa data, foi adquirida por D. Joana de Ataíde, que o terá anexado ao Mosteiro da Rosa, em Lisboa. Segundo parece, coube às freiras a administração da propriedade até ao século XVIII, a que estava também associada um casal, denominado da Almiranta, mas desconhecem-se os moldes dessa gestão.
No século XIX, já depois da extinção das Ordens Religiosas, a Quinta entrou na posse de D. Maria José da Grã Magriço, viúva do visconde Francisco Lopes de Azevedo Pereira e Sá Coelho, falecido em 1876. Na centúria seguinte, passou para a tutela da empresa vinícola Camilo Alves, que aproveitou o terreno para plantio de vinhas, que muito afectou o registo arqueológico do sítio, ficando a casa desocupada e como espaço de apoio ao vinhedo.
A atribulada história da Quinta da Torre, em particular nos dois últimos séculos, atesta a constante reconfiguração da propriedade a diferentes funções, o que, naturalmente, determinou alterações de espaço no próprio edifício residencial. Por exemplo, um dos sectores da casa foi transformado em lagar, o que aponta para uma clara ruralização do antigo paço, em época ainda por determinar. Por tudo isto, o estudo da estrutura impõe-se como uma prioridade, antes que se efectue algum restauro que não tenha em conta a historicidade do monumento ou que a ruína leve o que ainda resta de uma das mais importantes herdades senhoriais medievais do actual concelho de Loures.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Património edificado do concelho de Loures, O Medieval e o Moderno em Loures - viagens pelo Património, catálogo de exposição

Local

Loures

Data

1999

Autor(es)

SILVA, Ana Raquel, OLIVEIRA, Ana Cristina Correia Farinha Bernardino de, ESTÊVÃO, Florbela

Título

Casa Medieval da Torre de Cima - Freixial, Boletim Cultural da Câmara Municipal de Loures, nº5, pp.17-20

Local

Loures

Data

1992

Autor(es)

MARQUES, Gustavo, ESTÊVÃO, Florbela