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Património Cultural

Castro da Fórnea - detalhe

Designação

Designação

Castro da Fórnea

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Castro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Torres Vedras / Santa Maria, São Pedro e Matacães

Endereço / Local

EN 9
Matacães

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O território correspondente ao actual município de Torres Vedras tem-se destacado pelo número expressivo de vestígios arqueológicos datáveis da mais alta antiguidade, numa demonstração da abundância dos recursos naturais que proporcionou desde cedo às comunidades humanas que aí procuravam a sua sobrevivência e fixação, não sendo, por conseguinte, surpreendente que avultem sítios tumulares, nomeadamente dos atribuídos ao Calcolítico, revelando-se alguns exemplares fundamentais "[...] para o estudo da cultura do vaso campaniforme [...]." (FERREIRA, O. da V., 1970, p. 180) no actual território português, o melhor conhecido dos quais é o do Zambujal (Cf. LUCAS, Maria Miguel, 2002).
Um dos exemplos desta última situação - a permanência no tempo - é revelado no "Castro da Fórnea", arqueossítio situado num pequeno morro de rocha calcária do Jurássico, com um bom domínio sobre o vale do rio Sizandro. Além disso, "Próximo existem fontes de matéria-prima (ocre, sílex, e algum mineral cuprífero) o que levaria a supor que os seus habitantes poderiam explorar estas riquezas naturais e, certamente, comerciá-las [...]."(GONÇALVES, J. L. M., 1992, p. 139).
Mas apesar desta região ter despertado o interesse dos pioneiros da Arqueologia em Portugal (SOUSA, A. C., 1998, p. 43), numa tradição retomada já nas primeiras décadas do século XX, o facto é que a estação foi escavada apenas no início dos anos trinta, numa altura em que o exercício arqueológico ganhava maior estatuto no seio dos círculos políticos portugueses, depois de a legislação reconhecer, em 1901, o valor arqueológico, e se aproximava a criação da Junta Nacional de Escavações e Antiguidades (Cf. MARTINS, A. C., 2005).
Com efeito, coube a Aurélio Ricardo Belo a coordenação desta primeira campanha de escavações no sítio, em 1931 (Cf. BELO, Aurélio Ricardo, 1955), o mesmo investigador que procederia a outras intervenções arqueológicas no termo de Torres Vedras, nomeadamente de parceria com Afonso do Paço (1895-1968), muito antes de outros autores estudarem a estação, já entre os anos setenta (Cf. GONÇALVES, J. L. M., 1972) e oitenta (Id., 1992, p. 123).
Erguido durante o Calcolítico, o povoado foi dotado de um sistema defensivo do qual remanescem alguns troços de dois muralhados constituídos por blocos de pedra calcária que seriam originalmente complementados por afloramentos rochosos aí existentes "[...] aparentando una orientação convergente, de modo a fecharem o acesso da estreita passagem para a plataforma Este, formando assim uma frente de defesa." (Id., 1992, p. 125), num exemplo de aproveitamento das características naturais de defesa do local.
Um sistema que envolvia todo um espaço no qual foi identificado, já nos anos trinta (vide supra), um fundo de cabana com paredes pétreas, a exemplo do que se verifica noutros povoados de altura da mesma cronologia.
Quanto aos artefactos recolhidos no terreno, destacam-se os instrumentos líticos (pontas de seta e fragmentos de lamelas e lâminas executadas em sílex, bem como um machado de pedra polida talhado em xisto anfibólico), peças trabalhadas em osso (alfinetes de cabelo) e pedra (possivelmente uma peça de adorno), a par de fragmentos de cerâmica lisa, dos quais sobressaem exemplares de taças carenadas recolhidas, numa demonstração da sobrevivência de formas normalmente associadas ao Neolítico final. Foram ainda recolhidos vasos hemisféricos altos e de bordo simples, mais comuns em povoados calcolíticos. Integradas no mesmo Calcolítico inicial e médio encontram-se as cerâmicas decoradas, nomeadamente com caneluras leves, com sulcos horizontais, oblíquos e demais motivos compósitos, juntamente a exemplares com decoração "penteada", com losangos, axadrezados, espinhados, para além de fragmentos com motivo de "folha de acácia" (Ibid.). Materiais estes que se encontram expostos no Museu Municipal de Torres Vedras.
[AMartins]

Bibliografia

Título

Complexificação das sociedades e sua inserção numa vasta rede de intercâmbios, Nova História de Portugal

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

JORGE, Vítor de Oliveira

Título

A Associação dos Arqueólogos Portugueses na senda da salvaguarda patrimonial. Cem anos de transformação (1863-1963). Texto policopiado. Tese de Doutoramento em Letras.

Local

Lisboa

Data

2005

Autor(es)

MARTINS, Ana Cristina

Título

O Calcolítico na região de Torres Vedras, Turres Veteras IV. Actas de Pré-história e História Antiga

Local

Torres Vedras

Data

2002

Autor(es)

LUCAS, Maria Miguel

Título

Subsídios para o estudo da época do bronze na região de Torres Vedras, Estremadura. Boletim da Junta de Província

Local

Lisboa

Data

1955

Autor(es)

BELO, Aurélio Ricardo

Título

La culture du vase campaniforme au Portugal, Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1966

Autor(es)

FERREIRA, Octávio da Veiga

Título

O castro da Fórnea - Uma fortificação calcolítica em Matacões (Torres Vedras), Arqueologia

Local

Porto

Data

1972

Autor(es)

GONÇALVES, João Ludgero Marques

Título

O povoado fortificado da Fórnea (Matacães - Torres Vedras), Origens, estruturas e relações das culturas calcolíticas da Península Ibérica. actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

GONÇALVES, João Ludgero Marques