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Pelourinho de Rua - detalhe

Designação

Designação

Pelourinho de Rua

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Pelourinho

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Moimenta da Beira / Vila da Rua

Endereço / Local

Largo do Pelourinho
Rua

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 2 167, DG, I Série, n.º 265, de 31-12-1915 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A vetusta povoação de Rua foi uma honra de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques, na primeira metade do século XII. Designada como Vila de Rua, chegou a ser cabeça do concelho de Caria (ou Caria e Rua), formado em 1512, por foral de D. Manuel. Em 1527, o Cadastro da População do Reino refere que a sede concelhia está em Caria, mas na segunda metade da centúria regressa a Rua. O concelho foi extinto em 1855, e em 1896 Rua foi integrada, como freguesias, em Moimenta da Beira. A localidade conserva ainda um exuberante pelourinho manuelino, testemunho da sua situação privilegiada à data do foral.
O pelourinho ergue-se num pequeno largo, diante da antiga Casa da Câmara. Assenta em plataforma de seis degraus oitavados, de rebordo boleado, o superior servindo de plinto à coluna. Esta possui fuste quadrado na base, ligeiramente saliente, e no primeiro troço, com cerca de um quarto da altura total. Daí para cima, a coluna segue com secção octogonal, conseguida através do chanframento das arestas. É ligeiramente galbada junto do topo. O capitel é cúbico, decorado com quatro cabeças de reis (coroadas) nos cantos, intrevalados por rosetas. A encimá-lo existe uma moldura quadrada, saliente, e finalmente o ábaco, idêntico mas de maior dimensão.
A peça de remate é verdadeiramente impressionante, tanto pela monumentalidade como pela decoração. Consta de um bloco semelhante ao capitel mas de maiores dimensões, que parece prolongá-lo, coroado por quatro pináculos cantonais e um central. O bloco inferior tem quatro vieiras nos cantos, mediadas por grandes florões. É encimado por ábaco ou tabuleiro formado por três molduras crescentes, com a zona central côncava, acompanhando o perfil dos elementos decorativos da base. Sobre cada canto do tabuleiro ergue-se um grande pináculo piramidal, ornada de molduras quadrangulares em três patamares, com pequenas mísulas cantonais. A peça central é semelhante, mas de dimensões superlativas; cada uma das suas faces é decorada com uma série de quatro cabeças aladas.
Como afirma Mário Guedes Real, as cabeças de reis encimadas pelas figuras angélicas poderão simbolizar a hierarquização do poder régio e do poder espiritual, bem como a harmonização das duas justiças, temporal e divina (Mário G. REAL, 1962, p. 83), e ainda a legitimação celeste da administração terrena. Os reis poderão representar monarcas bíblicos, símbolos de virtudes e do bom governo. Por fim, a presença das vieiras parece sugerir uma alusão ao Caminho de Santiago de Compostela. A Rota "francesa" de Santiago, cruzando o norte da Espanha, passava a fronteira em Escarigo, seguindo para Trancoso, e depois para Norte, passando justamente por Moimenta da Beira, a caminho de Lamego. Uma tradição local pretende mesmo que a futura fundação do Convento de São Francisco de Rua tenha sido profetizada pelo santo, que aí passara em peregrinação a caminho de Compostela.
O pelourinho é muito semelhante a outros do distrito de Viseu, nomeadamente os de Castelo, Fonte Arcada e Sendim, sendo no entanto o mais rico e grandioso de todos. Na verdade, apenas dois exemplares do género, estes na Guarda, se lhe aproximam em aparato: os de Ranhados (Meda) e Vila Nova de Foz Côa.
Sílvia Leite

Imagens

Bibliografia

Título

Pelourinhos Portugueses, Tentâmen de Inventário Geral

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

MALAFAIA, E. B. de Ataíde

Título

Pelourinhos da Beira Alta, in Revista Beira Alta, vol. XXI

Local

-

Data

1962

Autor(es)

REAL, Mário Guedes