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Igreja da Trofa, compreendendo os túmulos dos Lemos - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Trofa, compreendendo os túmulos dos Lemos

Outras Designações / Pesquisas

Panteão dos Lemos / Igreja Paroquial de Trofa / Igreja de São Salvador e Panteão dos Lemos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Águeda / Trofa, Segadães e Lamas do Vouga

Endereço / Local

Largo da Igreja
Trofa do Vouga

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

No século XV a Trofa pertencia à paróquia de Salvador de Covelas, tendo sido D. Afonso V quem devolveu à povoação a categoria de vila. A transferência da matriz de Covelas para a Trofa só foi realizada em meados do século XVI, ficando a manutenção do padroado a cargo de D. Duarte de Lemos, senhor da Trofa. A actual igreja matriz foi construída junto ao palácio dos senhores de Trofa, talvez aproveitando a capela particular dos Lemos como capela-mor da matriz. Esta capela deveria albergar os túmulos originais dos primeiros senhores da Trofa, que foram depois trasladados para as novas sepulturas que formam o panteão dos Lemos.
A matriz da Trofa apresenta-se como um templo de tipologia chã, construído já no início do século XVII, de formas austeras e depuradas, com elementos decorativos de carácter flamengo. A fachada, dividida em dois registos, apresenta um portal rectangular simples rematado por entablamento, encimado por nicho com imagem quinhentista do Salvador. Ladeando o nicho, duas janelas rectangulares rematadas por entablamento, que iluminam o coro-alto do templo. A fachada é delimitada lateralmente por cunhais encimados por pináculos, e termina em empena com cruz. A estrutura original da igreja foi alterada, sendo visível o facto de o corpo do templo ter sido truncado do lado do Evangelho para que se adossasse a torre sineira, edificada já no século XVIII. Este factor alterou profundamente a harmonia da fachada.
Interiormente, o templo possui planta de nave única, coberta por abóbada de caixotões, coro-alto de madeira assente em colunas toscanas, púlpito de madeira do lado do Evangelho, e dois retábulos colaterais de talha. A capela-mor é coberta por abóbada de nervuras, com chaves decoradas com florões, excepto a central, que ostenta o escudo dos Lemos. Possuindo ao centro retábulo de talha com telas figurativas de temática franciscana, proveniente do extinto convento de Serém, a capela-mor foi o espaço escolhido para albergar o panteão da família Lemos.
Encomendado por D. Duarte de Lemos em 1534 este panteão mostra evidentes afinidades com o túmulo de D. Luís da Silveira, em Góis, sendo atribuída a sua autoria a João de Ruão. Aqui estão sepultados os antepassados do terceiro senhor da Trofa, em dois grupos tumulares, formados por dois arcos separados por pilastras e rematados por entablamento. Do lado do Evangelho estão os túmulos dos primeiros senhores da Trofa, Gomes Martins de Lemos e seu filho, João Gomes de Lemos, e as respectivas esposas, D. Maria de Azevedo e D. Violante de Sequeira, ficando os homens no arco mais próximo do altar. Do lado oposto, foi sepultada D. Joana de Melo, mulher do instituidor, e no arco junto do altar, foi edificada a arca tumular de D. Duarte de Lemos, com estátua orante. A escultura funerária mostra-nos o senhor da Trofa ajoelhado em oração, envergando a sua armadura de cavaleiro, com o elmo aos pés, e um livro aberto sobre uma banqueta decorada com frisos de folhagens. Os frisos e faixas horizontais dos túmulos foram decorados com folhagens e seres híbridos, enquanto as pilastras estão repletas de bucrâneos, elmos, dragões e grifos. Os diversos medalhões esculpidos nos arcosólios são os elementos mais renascentistas do conjunto, denotando-se porém a ausência de temática religiosa. Em relação ao túmulo elaborado por João de Ruão para D. Luís da Silveira em Góis, o conjunto tumular da Trofa traduz "uma visão mais clássica e também mais arquitectónica que evidencia uma clara evolução da arte ruanesca" (BORGES, Nelson Correia, 2003, p. 40).
Estes túmulos elaborados por João de Ruão na década de 30 do século XVI poderão filiar-se numa tipologia de monumentos funerários que se inspirou no túmulo de Leonardo Bruni, executado por Bernardo Rosselino em Florença entre 1444 e 1447 (Idem, ibidem, p. 40).
Catarina Oliveira

Imagens

Bibliografia

Título

João de Ruão, escultor da renascença coimbrã

Local

Coimbra

Data

1980

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia

Título

Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro

Local

Lisboa

Data

1959

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira

Título

Revisitar João de Ruão: a tumulária de Góis e Trofa do Vouga, Revista Munda, 45/46

Local

Coimbra

Data

2003

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro