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Torre de Lapela - detalhe

Designação

Designação

Torre de Lapela

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Torre

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Monção / Troporiz e Lapela

Endereço / Local

- -
Lugar da Rua

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Tal como um significativo número de fortalezas nacionais, também as origens da de Lapela são desconhecidas. Constantemente se repete que um primitivo castelo foi mandado construir por D. Afonso Henriques, para "defender as margens do rio" (ALVES, 1987, p.65), tarefa que entregou a D. Lourenço Abreu, capitão do seu exército e nobre da família dos Abreus, senhores de Valadares, Melgaço e Castro Laboreiro. Os vestígios materiais que se conservam, contudo, datam de um período bem posterior e as tradições de fundação afonsina (ou outras perspectivas que recuam ainda mais a primitiva edificação) não podem ser, por enquanto, confirmadas.
O que é certo é que no século XIV, no reinado de D. Pedro ou já no de seu sucessor, D. Fernando, teve lugar a construção da torre actual, muito provavelmente no contexto das guerras peninsulares da segunda metade do século. É uma poderosa construção, visível a grande distância e elevando-se a cerca de 35 metros sobre o leito do rio Minho. O seu aparelho revela a solidez e a qualidade da obra, com grandes silhares de rigorosa geometria. A planta é quadrangular, como grande parte das torres góticas nacionais, e desenha uma forma geométrica de quase 10 metros de lado, tendo as paredes três metros de espessura.
Uma única entrada permite o acesso ao interior. Ela encontra-se na fachada Norte, em posição elevada (cerca de 6 metros acima do solo) e compõe-se de um arco simples, quebrado, de largas aduelas, em cujo vértice foi adossado o brasão com as armas de Portugal, assinalando, desta forma, o patrocínio e o proprietário da fortaleza. Diante do portal, um pequeno parapeito rectangular, assente sobre cachorrada de três modilhões bem salientes, estabelece a ligação entre a entrada e a escadaria de ferro (originalmente de madeira) que levava ao solo. As restantes fachadas possuem três frestas sobrepostas, rasgadas axialmente nos alçados, que denunciam a organização interior em três pisos. Superiormente, a torre é coroada por uma linha de ameias, com parapeito para vigia.
Obra de um gótico evoluído, a sua cronologia pela segunda metade do século XIV não oferece dúvidas. O mesmo não se pode dizer do castelo que a envolvia. Duarte d'Armas, nos inícios do século XVI, desenhou a fortaleza da Lapela com uma torre de menagem (a actual) no centro de um pátio rodeado por muralhas e a que se associava um paço senhorial, com certeza a residência do alcaide. Quer isto dizer que a sua localização contrariava o modelo de castelo gótico - em que a torre de menagem se associava, preferencialmente, a uma das portas - e aproxima-se extraordinariamente dos esquemas militares românicos. Neste sentido, teremos aqui o mais importante testemunho do castelo afonsino do século XII, embora apenas um rigoroso estudo dos vestígios remanescentes possa confirmar esta perspectiva.
A última campanha de obras conhecida data do reinado de D. Manuel, monarca que reforçou a estrutura e a entregou a Lopes Gomes de Abreu, senhor das fortificações do Alto Minho interior. A partir daqui, a história deste castelo é a de uma progressiva destruição. Após a restauração da Independência portuguesa, em 1640, e até aos inícios do século XVIII, a reformulação da praça de Monção obrigou à integração de muita pedra. Junto ao rio, comunicando facilmente com a actual sede de concelho, nada mais fácil que desmantelar-se o velho castelo medieval de Lapela, em benefício de uma vizinha fortaleza moderna e apta a responder às exigências da guerra.
O restauro parcial da estrutura aconteceu em 1940, por intermédio da DGEMN. No contexto das comemorações nacionalistas do Estado Novo, a torre da Lapela foi objecto de um restauro selectivo, de impacto cenográfico - como se comprova pela feitura de novas ameias - mas que descurou o estudo do local e da área envolvente. Na actualidade, a "Torre de Belém do Minho", como carinhosamente é designada no meio regional, aguarda, ainda, por uma investigação arqueológica e por um projecto de valorização.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

O Minho Pittoresco

Local

Lisboa

Data

1887

Autor(es)

VIEIRA, José Augusto

Título

Monção e seu alfoz na heráldica nacional: heráldica, genealogia e história

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

GOMES, José Garção

Título

A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

PERES, Damião

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Castelos do Distrito de Viana

Local

Coimbra

Data

1926

Autor(es)

GUERRA, Luís Figueiredo da

Título

O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção, Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80

Local

Caminha

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Monção

Local

Porto

Data

1988

Autor(es)

ROCHA, J. Marques