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Castelo de Langóbria - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Langóbria

Outras Designações / Pesquisas

Castelo de Longroiva (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Mêda / Longroiva

Endereço / Local

- -
Longroiva

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O que resta do castelo medieval de Longroiva constitui uma das mais importantes realizações de arquitectura militar templária da Beira Interior e, simultaneamente, um dos melhores testemunhos de castelo românico nesta zona. A afirmação do reino de Portugal enquanto estrutura autónoma de poder havia determinado a defesa activa da capital, Coimbra. Para essa tarefa, D. Afonso Henriques havia escolhido os Templários, que se encarregaram de fortalecer os acessos a Sul e a Leste do Mondego. Em 1145, são-lhes doadas várias localidades, como Mogadouro e Penas Róias, já em Trás-os-Montes. Anos depois, o seu património fundiário estende-se à Beira Baixa, com a doação de Idanha-a-Velha e Monsanto.
A origem da fortaleza românica de Longroiva inscreve-se neste contexto. Precisamente nessa década de 40, um primitivo castelo (integralmente desconhecido na sua forma e estilo, referido, pela primeira vez em 960) estava nas mãos da família dos Braganções. Coube a D. Fernão Mendes de Bragança a sua doação aos Templários (GOMES, 1996, p.127), que então executaram uma fortificação modelar.
A sua torre de menagem, o único elemento original que ainda resta, está epigraficamente datada de 1174, ano relativamente precoce para o aparecimento deste tipo de soluções arquitectónicas no nosso país. Com efeito, como vem defendendo Mário Barroca, é aos Templários que se deve a introdução da torre de menagem nos nossos castelos, aparecendo, em primeiro lugar, no de Tomar, nos inícios da década de 60. Longroiva é, assim, o produto das numerosas fortalezas promovidas por D. Gualdim Pais enquanto Mestre da Ordem em Portugal, e é contemporânea de obras tão importantes como as de Almourol e Pombal, ambas igualmente da década de 70 do século XII.
O castelo foi bastante modificado ao longo dos séculos, o que determinou, por exemplo, o encurtamento da sua cerca. No entanto, por uma Visitação de 1505 (GOMES, 1996, pp.128-129), sabemos que a torre de menagem era uma estrutura isolada no pátio central, característica que define o seu carácter plenamente românico. Nessa altura, tinha três andares e já a janela manuelina mainelada, que ainda possui. Para além disso, é possível perceber que, originalmente, foi rodeada por um hurdício, uma galeria de madeira (de que ainda restam os apoios a toda a roda da torre) que protegia superiormente a estrutura e permitia o ataque vertical sobre os inimigos (BARROCA, 2000, p.221).
Nesse ano de 1505, o pátio central românico havia sido quase integralmente ocupado pelo paço do comendador da Ordem de Cristo. A Visitação refere que algumas partes são novas, o que remete para uma empreitada contemporânea da janela manuelina da torre de menagem. A sua reconstituição virtual foi tentada, em linhas muito esquemáticas, pelo Arquitecto José Daniel Santa Rita, de que se publicaram alguns desenhos no volume Castelos da Raia dedicado à Beira Interior.
Infelizmente, a importância de Longroiva decaiu consideravelmente na Idade Moderna. Dois séculos depois da descrição do paço "novo" do comendador, as suas casas "encontravam-se já destelhadas e em ruína", a cisterna, que abastecia o interior, entupida, e as portas do castelo, que no passado haviam defendido o acesso, não possuíam já qualquer grade ou portão de madeira (GOMES, 1996, p.127).
Mais recentemente, na viragem para o século XIX, o castelo foi transformado em pedreira local, desmantelando-se, sucessivamente, as suas muralhas. Esta ruína provocada coincidiu com a extinção do concelho de Longroiva, facto que prova a extrema decadência deste território e a pouca atenção de que era alvo. Posteriormente, o pátio central foi convertido em cemitério da povoação. No século XX, com a nova consciência patrimonial, as investigações aqui efectuadas revelaram algumas das estruturas originais, como a cisterna. No entanto, e apesar de algumas tentativas para reabilitar o monumento, ele chegou até nós como uma ruína.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Castelos da Raia Vol. I: Beira, 2ªed.

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

GOMES, Rita Costa

Título

A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

PERES, Damião

Título

Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Castelos Portugueses

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor

Título

Retrospectiva histórica de Marialva, Longroiva e concelho de Meda

Local

Marialva

Data

1976

Autor(es)

RODRIGUES, Adriano Vasco

Título

Aspectos da evolução da arquitectura militar da Beira Interior, Beira Interior - História e Património, pp.215-238

Local

Guarda

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge