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Castelo de Alfaiates - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Alfaiates

Outras Designações / Pesquisas

Castelo de Alfaiates (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Sabugal / Alfaiates

Endereço / Local

Rua de Alfaiates
Alfaiates

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Alfaiates é um dos locais obrigatórios nos percursos da Terra de Riba-Côa, região constantemente disputada pelos primeiros monarcas portugueses aos seus congéneres leoneses.
A primeira fortaleza da vila é, mesmo, de origem leonesa e dataria do século XII, ou já XIII, assumindo, então, a designação de "Castillo de la Luna". Dela, infelizmente, nenhum vestígio material chegou aos nossos dias; sabemos apenas que se situava no meio da vila, junto à actual Igreja da Misericórdia (como nos indicou Brás Garcia de Mascarenhas, séculos mais tarde), zona elevada e mais propícia à construção de um castelo medieval. Seria, com certeza, uma fortaleza pouco mais que rudimentar, eventualmente composta por uma torre dominante e um amuralhamento incipiente, de carácter proto-românico, mais ajustado a uma função de vigia e de refúgio da população circundante.
A passagem das terras de Riba-Côa para a posse portuguesa, formalmente consumada no Tratado de Alcanices de 1297, terá determinado uma reforma do castelo. A tradição local ainda atribui a D. Dinis a sua fundação, mas a verdade é que, também dessa eventual estrutura, nada sabemos. Com grande probabilidade, as obras então patrocinadas tiveram como objectivo a reforma do velho castelo leonês, dotando-o de um eficaz sistema de muralhas e, quem sabe, de outra configuração da provável torre de menagem. Em todo o caso, terá sido uma campanha pontual, não muito onerosa e relativamente modesta, uma vez que, dois séculos depois, a fortaleza foi objecto de uma radical reformulação.
Com efeito, no reinado de D. Manuel, o sistema militar de Alfaiates foi completamente alterado. Este monarca tentou revitalizar a povoação, conferindo-lhe sucessivos privilégios e aí instituindo um couto de homiziados. Paralelamente, mandou edificar um castelo de raiz, como se depreende de um diploma de 1510: "mandemos fazer forteleza na dicta vila de Alfaiates" (GOMES, 1996, p.111).
O projecto então levado a cabo foi um dos mais importantes da Beira Interior no período manuelino. As obras decorreram com relativa lentidão, uma vez que, ainda em 1525, Diogo de Arruda visitava o castelo para vistoriar o andamento dos trabalhos. O local escolhido rompeu com a tradição de arquitectura militar local, na medida em que, em vez de reocupar e actualizar o velho castelo do centro da vila, preferiu um local ermo, a algumas dezenas de metros da localidade. Nestas condições, construiu-se um castelo moderno, inteiramente virado para a guerra de artilharia. A sua planta é característica dos inícios do século XVI, "com forma geométrica de um quadrilátero com torre quadrangular no vértice fronteiro à vila". Por outro lado, a fortaleza foi "rodeada de um muro de aparelho irregular" que integrava "torreões circulares em três ângulos" (GOMES, 1996, p.111).
Produto do racionalismo dos alvores da modernidade, o castelo de dupla muralha de Alfaiates não pode deixar de ser associado à propaganda régia manuelina, que dotou alguns dos mais importantes locais do reino com as suas marcas estéticas e simbólicas. A entrada principal, em corpo saliente da linha de muralhas, integra esses emblemas manuelinos, numa composição escultórica que encima a entrada e que se compõe de uma coroa régia ao centro, ladeada por duas esferas armilares e duas cruzes da Ordem de Cristo.
A última campanha edificadora do conjunto militar teve lugar no século XVII. Nessa altura, o castelo manuelino era dos mais eficazes de toda a Beira Interior, e decidiu-se, então, complementar este dispositivo com umas novas muralhas, integrando baluartes e cortinas verticais, que assegurassem a defesa da vila. No entanto, este grande projecto nunca chegou a ser concluído, fruto do crescente abandono da localidade ou, mais propriamente, da mudança dinástica, que conferiu à Península um governo único. Nas guerras napoleónicas, Alfaiates desempenhou ainda um papel importante, mas a extinção do concelho e o crescente despovoamento determinaram o abandono do castelo.
PAF

Bibliografia

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

Castelos da Raia Vol. I: Beira, 2ªed.

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

GOMES, Rita Costa

Título

Aspectos da evolução da arquitectura militar da Beira Interior, Beira Interior - História e Património, pp.215-238

Local

Guarda

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge

Título

O concelho de Alfaiates em 1785: memórias paroquiais

Local

Forcalhos

Data

1989

Autor(es)

JORGE, Carlos Henrique Gonçalves

Título

Alfaiates na órbita da Sacaparte: esboço monográfico

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

VAZ, Francisco, AMBRÓSIO, António

Título

Castelos em Portugal. Retrato do seu Perfil Arquitectónico

Local

Coimbra

Data

2010

Autor(es)

CORREIA, Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos