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Igreja das Carmelitas - detalhe

Designação

Designação

Igreja das Carmelitas

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São João Evangelista (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Aveiro / Glória e Vera Cruz

Endereço / Local

Praça Marquês de Pombal
Aveiro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 28-11-1960, publicada no DG, II Série, n.º 11, de 13-01-1961 (sem restrições)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O mosteiro de São João Evangelista pertenceu às carmelitas descalças, razão pela qual o seu templo é, ainda hoje, conhecido como Igreja das Carmelitas. A sua edificação remonta ao início do século XVII, quando D. Brites de Lara, viúva de Pedro de Médicis (filho de Cosme I de Médicis), mandou construir um Paço, concebido para ser a sua residência e, posteriormente, um convento. D. Brites pediu as autorizações necessárias à fundação do convento a D. João IV, mas estas nunca lhe foram concedidas em vida, pois vários membros da sua família estiveram implicados numa conspiração contra o monarca (BELINQUETE, 1996, p. 6). Assim, foi em 1657 que D. Luísa de Gusmão, enquanto regente, permitiu a concretização das disposições testamentárias de D. Brites, entretanto falecida. O seu herdeiro, D. Raimundo de Lencastre, 4º Duque de Aveiro, deu início à adaptação do Paço a convento, e em 1658 as primeiras freiras carmelitas chegam a Aveiro, oriundas de dois conventos de Lisboa (BELINQUETE, 1996, pp. 17-18).
As obras no convento prolongaram-se durante bastantes anos. A igreja foi iniciada apenas em 1704, uma vez que a capela do paço funcionava, até então, como templo do convento (NEVES, 1957, p. 244). As diversas campanhas decorativas de talha, azulejaria, pintura e escultura, responsáveis pela ornamentação integral da igreja, que se prolongaram por todo o século XVIII, vêm confirmar esta datação.
Na sua organização original, a igreja situava-se do lado oposto do convento, encontrando-se, no meio, o claustro. Contudo, e para que pudesse ser aberta a praça de Marquês de Pombal, a Câmara de Aveiro ditou, em 1904, a destruição de parte das dependências conventuais das carmelitas. Esta questão gerou grande polémica na cidade, chegando mesmo a ser enviada ao Rei uma petição assinada pelos habitantes. Isto, para além dos muitos artigos que a imprensa da época deu à estampa, onde as duas partes esgrimiram argumentos contra e a favor desta destruição do património nacional (NEVES, 1957, pp. 245 e ss.).
A igreja, de planta rectangular, com sacristia no eixo da capela-mor, apresenta uma fachada onde a decoração, quase ausente, se concentra no eixo do portal, de linhas rectas e frontão interrompido por uma cruz, a que se sobrepõe um janelão rectangular e um emblema, este já no frontão triangular que remata a frontaria. No interior, sobressai a talha dourada que reveste paredes e tecto, características das três fases da talha nacional - protobarroca, barroca ou joanina, e rococó.
Assim, e da primeira fase, coincidente com o reinado de D. Pedro II, data a capela-mor, com um retábulo de talha dourada, de grandes dimensões, com nichos definidos por colunas torsas, onde figuram imagens da época imediatamente posterior, ou seja, joanina. As paredes da capela-mor enquadram pinturas com representações de cenas da Vida da Virgem. O tecto, em caixotões de talha, apresenta quinze pinturas com cenas da vida de Cristo.
Na nave da igreja, o tecto é muito semelhante ao da capela-mor, com quarenta pinturas ilustrativas da vida de Santa Teresa, emolduradas por talha desta primeira fase. Contudo, a restante obra dourada, nomeadamente as molduras das paredes, que enquadram representações de santos e da vida de Santa Teresa, é já do período barroco. Tal como o revestimento do arco triunfal, do coro de cima e das sanefas. O brilho da talha é complementado pela luz do silhar de azulejo azul e branco que reveste parcialmente as paredes. Atribuídos à órbita oficinal de António Vital Rifarto, artista de Coimbra activo no segundo quartel do século XVIII, estes painéis de dimensões condicionadas à arquitectura da igreja, exibem enquadramentos arquitectónicos e, maioritariamente, paisagens. A excepção é o brasão das carmelitas, envolto por uma espécie de cartela e anjos, rematada pela coroa real.
À terceira e última fase pertencem os concheados que complementam o retábulo-mor, e a maioria das sanefas da igreja.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Corografia Portuguesa e descripçam topographica do famoso Reyno de Portugal

Local

Lisboa

Data

1712

Autor(es)

COSTA, Pe. António Carvalho da

Título

Inventário Artístico de Portugal - Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Porto e Santarém

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

A fundação e extinção do convento das carmelitas descalças de Aveiro, Arquivo do Distrito de Aveiro

Local

Aveiro

Data

1957

Autor(es)

NEVES, Francisco Ferreira

Título

Aveiro na História

Local

Aveiro

Data

1997

Autor(es)

GASPAR, Mons. João Gonçalves

Título

As carmelitas em Aveiro ontem e hoje

Local

Aveiro

Data

1996

Autor(es)

BELINQUETE, José Martins

Título

Aveiro -Apontamentos históricos

Local

-

Data

1906

Autor(es)

QUADROS, Rangel de

Título

Brado em favor de um monumento - o edifício do convento das Carmelitas, necessidade de o conservar como recordação histórica da cidade de Aveiro

Local

-

Data

1905

Autor(es)

GOMES, Marques