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Castelo de Portel - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Portel

Outras Designações / Pesquisas

Castelo de Portel (ruínas) - designação do diploma de classificação / Castelo e cerca urbana de Portel (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Portel / Portel

Endereço / Local

Praça D. Nuno Álvares Pereira
Portel

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 28-12-1953, publicada no DG, II Série, n.º 63, de 16-03-1954 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 28-12-1953, publicada no DG, II Série, n.º 63, de 16-03-1954

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As origens do castelo gótico de Portel estão ligadas à figura de D. João Peres de Aboim, nobre letrado muito próximo de D. Afonso III, que chegou a desempenhar as funções de mordomo-mor do reino. Homem de confiança do monarca, na época imediatamente após à guerra civil que opôs Afonso III a seu irmão, Sancho II, foi agraciado com uma honra entre os termos de Évora e Beja, coincidente com a Serra de Portel. Esta doação não se fez sem ferir susceptibilidades concelhias, pelo que, em 1257, o monarca dirigiu cartas aos homens bons de Évora para que aceitassem João Peres de Aboim como seu vizinho. Os anos seguintes foram passados em aparente disputa pela delimitação da honra, até que em 1261, depois de demarcada a área de jurisdição do nobre, D. Afonso III permitiu que este edificasse uma fortaleza onde melhor servisse os seus interesses. Um ano depois, a 1 de Dezembro de 1262, acompanhado pela mulher e pelo filho, D. João Peres de Aboim passou carta de foro aos povoadores do castelo de Portel.
As obras de construção da fortaleza ter-se-ão iniciado imediatamente, mas arrastaram-se pelo reinado de D. Dinis, já depois de falecido o promotor, resolvida a contenda entre seus filhos pela posse da honra e revertido o castelo para a posse da coroa, por escambo estabelecido entre D. Dinis e D. Maria Eanes, celebrado em 1301.
Tipologicamente, Portel é um castelo plenamente gótico, de planta heptagonal seccionada por torres circulares nos ângulos e porta protegida por imponente torre de menagem quadrangular, elevada a cerca de 25 metros de altura e com disposição interna de dois pisos acima da linha de adarve, ambos cobertos por abóbada de cruzaria de ogiva. O portal de acesso ao recinto interior é de arco apontado e, a Sul da estrutura, uma segunda porta (denominada de Beja) fazia com que existisse um eixo viário interno em linha recta.
A vila medieval foi, também, amuralhada, mas da cerca nada hoje resta. Na Baixa Idade Média, a defesa do castelo foi complementada com a construção de uma barbacã, de que se conservam ainda importantes troços a Sul, Norte e poente, compostos por cortina defendida por cubelos quadrangulares. É a essa barbacã que corresponde a porta gótica encimada por brasões reais sobrepostos, identificadores do patrocínio da empresa e da sua relevância para a defesa do castelo.
Durante o período manuelino, outras obras tiveram lugar. Nessa altura, Portel pertencia à casa de Bragança e D. Manuel encomendou trabalhos de beneficiação da fortaleza ao arquitecto Francisco de Arruda. Foi sob o seu comando que se edificou nova barbacã, de que resta um cubelo semicircular e uma porta, bem como os paços ducais, actualmente em ruínas no interior do recinto. Destes, é ainda possível identificar a disposição geral dos muros, virando-se a fachada principal para nascente, e alguns arranques de arcos apontados e abóbadas, bem como os vestígios do sistema de canalização. Teve dois andares, reconhecendo-se ainda os degraus de uma escadaria em caracol que conduzia ao andar nobre. Em associação com o paço, edificou-se a capela de São Vicente, estrutura religiosa provida de narthex e da qual se conserva apenas o arranque dos muros e parte da cabeceira, encimada por botaréus facetados e com abóbada original assente em mísulas características do período manuelino.
Os séculos da Modernidade foram nefastos para a história do castelo. Afastado das principais linhas de fronteira e de penetração de tropas no território, foi sendo abandonado, até constituir uma ruína no século XIX. A par do restauro pontual promovido pela DGEMN, em 1938, as décadas seguintes acentuaram a degradação do conjunto, verificando-se a queda de um torreão cilíndrico do paço e, mais recentemente, em 1998, o desmoronamento de parte do pano de muralha anexo à torre de menagem, elemento que já havia sido intervencionado na década de 80. Reconstruído este último pano em 1999, o castelo de Portel aguarda ainda por um plano de investigação e de musealização.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Relaçam Histórica da Nobre Villa de Portel (...) oferecida ao Sereníssimo Príncipe Nosso Senhor e Duque de Bragança

Local

Lisboa

Data

1730

Autor(es)

PATALIM, Francisco de Macedo de Pinna

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, volume I)

Local

Lisboa

Data

1978

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

GIL, Júlio, CABRITA, Augusto

Título

Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

VITERBO, Francisco M. de Sousa

Título

Os castelos portugueses dos finais da Idade Média: presença, perfil, conservação, vigilância e comando

Local

Coimbra

Data

1999

Autor(es)

MONTEIRO, João Gouveia

Título

A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

PERES, Damião

Título

Recuperação dos panos de muralha aluídos no castelo de Portel, Monumentos, nº15, pp.139-143

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

RAMALHO, José Filipe P. P. Cardoso

Título

Os cinco castelos da fundação da Casa de Bragança

Local

Porto

Data

1964

Autor(es)

FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e

Título

D. João Peres de Aboim e a fundação da vila e concelho de Portel, Asumar - Boletim da Câmara Municipal de Portel, nº2, pp.23-25

Local

Portel

Data

1996

Autor(es)

BRAVO, António Maria Janeiro

Título

As demarcações do termo de Portel de 1258 a 1265. Notas e cartografia preliminares, Asumar - Boletim da Câmara Municipal de Portel, nº3

Local

Portel

Data

1996

Autor(es)

BRAVO, António Maria Janeiro

Título

D. João de Portel - uma memória fundiária do século XIII, Dissertação de Mestrado em História Medieval apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

LOURO, Maria Antónia Teixeira

Título

O castelo e a vila velha de Portel, Agenda Cultural de Portel

Local

Portel

Data

2001

Autor(es)

PAGARÁ, Ana