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Capela de São Brás, compreendendo o túmulo de Teixeira de Macedo - detalhe

Designação

Designação

Capela de São Brás, compreendendo o túmulo de Teixeira de Macedo

Outras Designações / Pesquisas

Capela de São Brás (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Vila Real / Vila Real / Vila Real

Endereço / Local

Cemitério de São Dinis
Vila Real

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Em plena Vila Velha da cidade de Vila Real, a pequena capela de São Brás é o templo mais antigo e o que melhor ilustra os primeiros tempos de História do burgo. A sua construção remonta às décadas que se seguiram à fundação da cidade, ocorrida a 4 de Janeiro de 1289, por ordem de D. Dinis. Desta forma, o pequeno templo, hoje visualmente bastante obstruído por construções anexas de maior porte, terá sido a primeira sede paroquial da nova localidade, significando a nova ordem política e religiosa do amplo território que Vila Real pretendia controlar.
De um ponto de vista artístico, a capela atesta a modéstia de recursos ao dispor da comunidade, nestes primeiros anos. De planta quadrangular, massas compactas, escassa iluminação e cornijamento composto por modilhões, assume-se, ainda, como uma obra românica, característica das regiões de periferia, que tanto sucesso teve no Norte e Centro do país durante os séculos da Baixa Idade Média. Os escassos elementos decorativos aqui empregues, que se resumem à decoração dos modilhões, assim como o arco ogival que permite o acesso ao interior da capela, partilham desta mesma modéstia de meios e de valores estéticos.
Pelo facto de a actual entrada se situar do lado Norte, e de não se vislumbrarem vestígios de um acesso a ponte, faz pensar numa substancial transformação do templo, em altura desconhecida, mas possivelmente contemporânea da construção da Igreja de São Dinis, que lhe está adossada, em pleno século XIV. Ou, então, esta capela foi construída, de raiz, para deter uma função apenas funerária, ligando-se a um hipotético templo paroquial duocentista, que teria antecedido a construção gótica da Igreja de São Dinis. Estas são, todavia, perspectivas antagónicas, impossíveis de comprovar sem um rigoroso estudo monográfico deste espaço urbano.
O interior, quadrangular, está transformado numa capela funerária, recheada de arcossólios, onde alguns dos mais importantes homens da cidade baixo-medieval se fizeram sepultar. Um dos mais simples túmulos que aqui se encontram tem vindo a ser lendariamente atribuído a Lourenço Viegas, filho de D. Egas Moniz e companheiro de armas do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, atribuição evidentemente destituída de prova.
Mas o mais importante túmulo que aqui se conserva é o de João Teixeira de Macedo, homem da corte, do Conselho real, que se destacou ao serviço de D. Afonso V, no Norte de África, e de quem obteve o vínculo da capela com o objectivo de a converter em panteão familiar. O túmulo data da viragem para o século XVI, tendo João Macedo falecido em 1506, e adopta uma linguagem artística claramente tardo-gótica, comum nas principais obras do reino da altura. O arcossólio é delimitado lateralmente por pilastras triangulares, rematadas superiormente por florões, que se desenvolvem até um friso de encordoado que define a altura do conjunto. Em baixo, o arcossólio, de arco contracurvado e de carena irregular, abriga o moimento, enquanto que, no espaço livre superior, duas pedras quadrangulares trabalhadas representam um elmo envolvido em motivos vegetalistas e o brasão do tumulado: um escudo esquartelado.
No pavimento, numerosas lápides atestam a vontade de João Teixeira de Macedo em fazer da capela o seu panteão, uma vez que algumas são de seus descendentes, caso de Ascânio Teixeira de Azevedo. No interior, há ainda a registar a presença de algumas pinturas murais, quinhentistas, representando o orago da capela, e que comprovam o sucesso desta modalidade artística durante a primeira metade do século XVI, por terras transmontanas.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Tesouros Artísticos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de

Título

Memórias de Vila Real

Local

Vila Real

Data

1987

Autor(es)

SOUSA, Fernando de, GONÇALVES, Silva

Título

O Gótico vila-realense do século XV

Local

Coimbra

Data

1941

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira

Título

Roteiro arqueológico e artístico do Concelho de Vila Real, Juventude com História

Local

Vila Real

Data

1999

Autor(es)

PARENTE, João Ribeiro