Saltar para o conteúdo principal da página

Palácio de Mateus - detalhe

Designação

Designação

Palácio de Mateus

Outras Designações / Pesquisas

Solar de Mateus / Casa de Mateus / Museu da Fundação da Casa de Mateus (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Jardins do Solar de Mateus (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Solar

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Vila Real / Vila Real / Mateus

Endereço / Local

Largo Morgados de Mateus
Vila Real

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Todos os estudos referentes ao Solar de Mateus são unânimes em considerá-lo uma das obras mais significativas no quadro da arquitectura civil portuguesa, do período barroco. Na realidade, e apesar das muitas questões de autoria que permanecem por esclarecer, certo é que, neste sumptuoso solar, podemos observar um dos modelos arquitectónicos de maior erudição, que tira partido de uma planta em U, dinamizada pelos pátios e escadarias, e não apenas pelos elementos decorativos da fachada, como acontece em grande parte dos imóveis desta época. Aqui estão presentes todos os elementos que caracterizam a arquitectura barroca, nomeadamente, a simetria, a axialidade, os frontões interrompidos, as balaustradas, as escadarias e os elevados pináculos.
Não se sabe ao certo em que data começou a ser construído, mas em 1743 o então arcebispo D. José de Bragança foi informado de que António José Botelho Mourão havia demolido um palácio para, no seu lugar, construir um outro muito melhor (MATOS, 1930). Razão pela qual se pensa que, nesta data, a edificação do Solar estaria em fase adiantada.
Por outro lado, esta cronologia coincide com a época em que o arquitecto italiano Nicolau Nasoni trabalhou na igreja de Santa Eulália da Cumeeira (1739), pertencente ao morgadio de Mateus, e o intervalo de cerca de dois anos em que não se sabe onde esteve, antes de regressar ao Porto, em data próxima de 1743 (SMITH, 1966, p. 97). Estes dados consolidam a atribuição do Solar de Mateus a Nasoni, uma vez que a aproximação entre este imóvel, ou partes dele, e os restantes trabalhos do arquitecto é bastante evidente. Contudo, Robert Smith defendeu que, tendo em consideração o curto período em que Nasoni esteve em Mateus, apenas lhe pode ser atribuída a concepção da escadaria e pátio de entrada ("fechado" pela balaustrada em granito), com passagem directa de carruagens para o jardim posterior, num modelo devedor dos palácios italianos que Nasoni com certeza conhecia.
Também a dupla escadaria, os vãos dos patamates e a cornija da fachada se aproximam de muitas outras edificações dos arredores do Porto, da autoria de Nasoni, como o Palácio do Freixo, a casa de Ramalde, a igreja de São João Novo, entre outras (SMITH, 1966, pp. 97-98).
Todavia, o excesso de decoração que se adivinha na fachada de Mateus, bem como a inserção de elementos estranhos a Nasoni (de que a flor de lis das janelas do patamar é um exemplo) levam a considerar que, mesmo as composições do arquitecto podem ter sido executadas posteriormente, com algumas divergências e afastamento relativamente aos desenhos de Nasoni (SMITH, 1966, p. 100).
Mais recentemente, tem vindo a ser ligado a Mateus o nome de António Pereira, um outro arquitecto portuense que terá trabalhado com Nasoni no Porto e que foi o responsável pelo traçado do palácio de São João Novo (ALVES, 1990, pp. 241-249).
A capela, no prolongamento de um dos corpos da fachada, apresenta inúmeras semelhanças, ao nível da composição da frontaria, com a igreja Nova de Vila Real, onde trabalhou José de Figueiredo Seixas, natural de Viseu, e que é considerado um dos artistas que "prolongou de certo modo a lição do artista toscano" (PEREIRA, 1995, p. 72).
Actualmente, a Casa de Mateus é administrada pela Fundação com o mesmo nome, fundada em 1971, e dirigida pela família, organizando diversas actividades de âmbito cultural (cursos de música e concertos, exposições, o prémio literário D. Dinis, congressos e seminários), para além de conservar a biblioteca e o museu.
Rosário Carvalho

Imagens

Bibliografia

Título

O Barroco

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

O barroco do século XVIII, História da Arte Portuguesa, vol.3

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Late Baroque and Rococo in North Portugal, Sep. de Armas e Troféus, 2ª série, tomo IV, nº 1, 1963

Local

-

Data

1963

Autor(es)

BURY, John

Título

A heráldica do Solar de Mateus, Sep. Armas e Troféus, nº 6

Local

-

Data

1977

Autor(es)

GUERRA, Luís de Bivar

Título

Nicolau Nasoni, arquitecto do Porto

Local

-

Data

1966

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

A casa de Mateus

Local

Gaia

Data

1930

Autor(es)

MATOS, Armando de

Título

António Pereira: arquitecto do Palácio de São João Novo, in Boletim Cultural, 2ª série, vol. 7/8, pp. 241-249

Local

Porto

Data

1990

Autor(es)

ALVES, Joaquim J. Ferreira

Título

Cozinhas. Espaço e Arquitectura

Local

Lisboa

Data

2006

Autor(es)

PEREIRA, Ana Marques