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Igreja de São Cláudio - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Cláudio

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Cláudio (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Viana do Castelo / Nogueira, Meixedo e Vilar de Murteda

Endereço / Local

Rua de São Claúdio
Nogueira

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de São Cláudio de Nogueira é um dos templos que melhor reflecte o que foi a construção religiosa dos séculos XI a XIII, nos meios rurais do Norte de Portugal. Em pouco mais de cem anos, possuímos indicações relativas a quatro campanhas de obras, informação verdadeiramente notável se tivermos em conta a relativa modéstia e sobriedade do conjunto que chegou até nós.
O primeiro indicador cronológico (1082) remete para uma fundação da época condal, momento de afirmação do condado portucalense e que coincidiu com um amplo movimento de renovação da paisagem arquitectónica dos territórios entre o Mondego e o Minho, sob o impulso dos novos bispos de Braga e de Coimbra (REAL, 1982, p.13). Conhecemos pouco desta fase, à excepção de parte dos muros da capela-mor, reaproveitados na campanha plenamente românica.
Possivelmente, por o templo ter entrado em ruína, teve início, na década de 40 do século XII, a construção de uma nova capela-mor (REAL, 1982, p.53). Através de uma inscrição colocada no muro exterior nascente da ábside, temos uma datação exacta para esta campanha, circunstância que se alarga aos elementos decorativos do apertado arco triunfal. Esta é a parte mais importante de todo o conjunto edificado, pela sua original decoração e pelas vias de influência artística que aqui confluem.
Os capitéis do arco triunfal, de forma cúbica, revelam-nos uma decoração arcaica e relativamente tosca. O do lado Sul é vegetalista, de "palmetas e vides entrelaçadas". O do lado Norte é historiado e alusivo a um dos temas mais esculpidos de todo o Românico - o castigo -, simbolizado pela presença de dois quadrúpedes demoníacos, afrontados, que seguram um homem nu pelos pés (RODRIGUES, 1995, pp.227 e 306). O trabalho da arquivolta exterior reforça o estatuto grosseiro do programa decorativo desta campanha: a arquivolta, propriamente dita, é integralmente ocupada por motivos lanceolados, ou corações invertidos, dispostos radialmente numa banda contínua; sobrepõe-se-lhe um friso de "meandros", cujo ritmo e tratamento plástico revela a existência de muitas "hesitações", próprias de um artista inábil (ALMEIDA, 1986, p.60). Também a fresta nascente da capela-mor confirma a modéstia desta empreitada decorativa, revelando a existência de "beak-heads" (cabeças de animais que mordem o toro da arquivolta), um dos primeiros casos entre nós.
Obra de um Românico ainda incipiente (e com certeza parco em recursos), a campanha da década de 40 da igreja de São Cláudio integra-se nas primeiras experiências decorativas que vieram a dar origem ao "estilo figurativo de raiz beneditina" (REAL, 1982, p.53). A par das primeiras realizações escultóricas de Travanca, Tibães e Braga, Nogueira constitui um importante capítulo na génese do nosso Românico de toda a segunda metade do século XII.
Não conhecemos suficientemente bem a marcha das obras da igreja, mas tudo aponta para que a construção se tenha arrastado por várias décadas. De 1183 é uma inscrição, mas pouco ou nada sabemos acerca dela. Mais importante é uma outra lápide, datada de 1201 e alusiva à sagração da igreja, localizada no lado Sul do portal principal. Aqui vamos encontrar um outro Românico, igualmente modesto (como se comprova pela entrada sóbria, elaborada sem o recurso a colunas), mas claramente vinculado a uma ordem estilística emanada a partir do grande centro bracarense. O tímpano é a peça mais emblemática desta derradeira campanha: ao centro, uma cruz vazada é sustentada por duas figuras sem corporização efectiva, de contornos apenas gravados na pedra.
Concluída na viragem para o século XIII, a igreja apresenta um produto planimétrico comum à maioria do nosso Românico: capela-mor quadrangular e nave única de dimensões modestas. Templo de um pequeno mosteiro rural, os séculos seguintes determinaram a decadência da casa monacal e a consequente ruína da instituição. Extinta a comunidade em 1531, a igreja passou a paroquial em 1835 e foi drasticamente restaurada em 1949.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Portugal roman, vol. II

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima

Local

Porto

Data

1926

Autor(es)

BARREIROS, Manuel de Aguiar

Título

O Românico condal em São Pedro de Rates e as transformações beneditinas do séc. XII, Boletim Cultural da Póvoa do Varzim, vol. XXI, nº1, pp.5-75

Local

Póvoa do Varzim

Data

1982

Autor(es)

REAL, Manuel Luís

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção, Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80

Local

Caminha

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço