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Igreja paroquial de Santa Maria - detalhe

Designação

Designação

Igreja paroquial de Santa Maria

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Santa Maria do Castelo, paroquial de Tavira / Igreja paroquial de Tavira (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Tavira / Tavira (Santa Maria e Santiago)

Endereço / Local

Alto de Santa Maria
Tavira

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de Santa Maria de Tavira é o principal templo da cidade, desde a conquista de D. Paio Peres Correia aos mouros, em 1242, até aos nossos dias. A sua localização na malha urbana é reveladora dessa importância: em plena colina genética, dentro das muralhas e paredes meias com o que resta da alcáçova. A importância deste espaço específico é, mesmo, anterior à passagem da urbe para a esfera cristã, sendo tradicionalmente apontado como o local onde existia a mesquita maior, facto indiciado pela ligeira desorientação canónica da igreja de Santa Maria, cuja construção teria aproveitado a estrutura básica desse templo islâmico (TORRES, 1992, p.412).
A Santa Maria de Tavira que hoje conhecemos é o resultado de múltiplas intervenções ao longo dos séculos. Mantém-se a concepção gótica do espaço, criada no século XIII, assim como outros elementos originais, mas foram numerosas as campanhas artísticas que se sucederam no edifício, com especial destaque para o Renascimento, o Barroco e o Neo-clássico.
A igreja gótica seguia o modelo tradicional designado por Gótico Paroquial, tipologia específica inaugurada em Santa Maria do Olival de Tomar a partir da influência mendicante de inícios do século XIII: corpo de três naves habitualmente de quatro tramos, com cobertura de madeira; cabeceira tripartida com capela-mor mais ampla e de perfil exterior poligonal; fachada principal tripartida, denunciando a organização interna do espaço. A sua construção recua às décadas que se seguiram à conquista da cidade, coincidindo com os reinados de D. Afonso III e de D. Dinis, explicando-se, deste modo, as semelhanças planimétricas para com os templos góticos da Estremadura, como Santo André de Mafra ou São Leonardo da Atouguia da Baleia. Um dado muito interessante desta primitiva construção gótica, colocado como hipótese por Carla Varela Fernandes a partir da análise de uma gravura seiscentista que ilustra a cidade, é o facto de ela poder ter tido duas poderosas torres na fachada principal, a ladear o corpo central (FERNANDES, 2000, pp.38-40). Este facto, levará a integrar a Santa Maria do Castelo de Tavira no grupo de igrejas góticas fortificadas, tipologia relacionada preferencialmente com a arquitectura das Ordens Militares, como é este o caso: Tavira foi território da Ordem de Santiago, existindo mesmo a lenda de ter sido nesta igreja o local escolhido por D. Paio Peres Correia para sua sepultura.
A construção gótica de Santa Maria de Tavira não é, de resto, unitária estilistica e cronologicamente. Nos finais do século XIV, ainda por razões desconhecidas, procedeu-se a uma reforma pontual do templo, datando, dessa altura, o portal principal, com os seus finos colunelos e a decoração vegetalista tendencialmente naturalista. No século XVI, dando continuidade à intenção de se construirem capelas funerárias familiares em igrejas, aqui se construiu a Capela do Senhor dos Passos, mandada edificar por Lançarote de Mello, homem da Ordem de Santiago, e da qual resta a abóbada manuelina.
Mais importantes foram, contudo, as campanhas artísticas barrocas e neo-clássicas. Do primeiro período data a Capela do Santíssimo, obra encomendada por D. Isabel de Almada Aragão em 1748, cujas paredes se encontram decoradas por grandes painéis de azulejos azuis e brancos realizados, muito provavelmente, na oficina lisboeta de Bartolomeu Antunes e de Nicolau de Freitas.
Nos primeiros anos da década de 90 do século XVIII, já em pleno neoclassicismo, o bispo D. Francisco Gomes do Avelar, coadjuvado pelo arquitecto Francisco X. Fabri, procedeu à derradeira campanha artística na igreja, conferindo-lhe então o aspecto geral que hoje ainda possui. O principal mérito desta intervenção terá sido o de harmonizar a obra nova com o que restava da velha igreja medieval. A fachada principal, com a sua organização tripartida, menteve o portal gótico inserido numa composição cenográfica mais vasta, de sabor classicista, e que revela bem a qualidade de Fabri.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro