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Paço de Siqueiros - detalhe

Designação

Designação

Paço de Siqueiros

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Solar

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Gondufe

Endereço / Local

-- -
Ponte de Lima

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Situada no antigo Couto de Gondufe, o Paço de Sequeiros é composto por um corpo de planta rectangular, do qual sobressai a torre central, coroada por merlões e ameias, e antecedido por um duplo lanço de escadas que permite o acesso directo ao andar nobre. A denominada "casa-torre" foi um dos modelos da arquitectura civil medieval mais empregue no Norte do país durante o período barroco, observando-se vários exemplos na região de Ponte de Lima. O que observamos no Paço de Sequeiros é dos mais raros, pois conserva uma tipologia que já não era muito empregue no século XV, mas que acabou por ser recuperada na centúria de Setecentos, ainda que sem grandes desenvolvimentos e aceitação (AZEVEDO, 1969, pp. 31 e 80).
Os alçados dos corpos residenciais conservam uma feição utilitária, denotando grande depuração nas molduras dos diversos vãos. Os elementos decorativos concentram-se na torre, com a escadaria de acesso a marcar a fachada, o maior dinamismo no desenho dos cunhais, o coroamento de merlões e o brasão de armas, flanqueado pelas duas janelas superiores.
Este último, ostenta as armas das quatro famílias que fizeram a história do Paço, desde a sua origem - Sequeiros, Ferrazes, Rebelos e Vasconcelos. Seguindo os estudos de Francisco de Vasconcelos (1984, p. 73), os Sequeiros foram os primeiros proprietários da casa, entre os séculos XIV e XV, mas acabaram por ser obrigados a fugir para a Galiza e a vender o imóvel. A segunda família, que se manteve na posse do solar até ao século XVII, uniu-se aos Sequeiros, por casamento, na centúria de Quinhentos, razão pela qual estes regressaram à posse da propriedade. Os Rebelos foram responsáveis, no século XVIII, pela unificação da Quinta, entretanto dispersa. Por fim, os Vasconcelos marcaram a sua presença com a reconstrução do móvel, a partir de 1789, remontando a esta campanha de obras a colocação na fachada da pedra de armas que temos vindo a referir.
Através de vários relatos subsistentes, é possível perceber qual a configuração da primitiva habitação. Assim, Manso Lima refere que a casa era uma torre cercada de ameias e de uma cava ou fosso que existiu muito tempo com o nome de casa forte dos Sequeiros e se acha hoje arruinada. Por sua vez, Jorge da Cunha menciona, na primeira metade do século XVII, que esta era uma torre muito antiga, cerrada com cava e ameias como fortaleza, agora muitas pedras e pouco aposento (citados por VASCONCELOS, 1982, p. 184). Sobressai desta leitura o carácter defensivo da torre original, e a sua imponência visual, elementos que deverão estar na origem da opção por este modelo, aquando das obras de reconstrução, da segunda metade do século XVIII.
O estado de degradação da torre era, como se depreende, bastante avançado. Contudo, as obras tiveram início apenas em 1789, prolongando-se até 1806. Estas só foram terminadas em 1915, com a edificação do canto NW, a delimitação do terreiro e a escada interna de acesso ao segundo andar da torre (VASCONCELOS, 1984, p. 71). Curiosamente, a sucessão de intervenções conduziu a que, nos corpos posteriores, algumas das paredes e portas que dividem o interior já tenham sido externas. O brasão da fachada foi colocado em 1789, e o que se encontra no cunhal é posterior, de 1861, exibindo apenas as armas dos Vasconcelos. Provem da demolida Casa de Sant'Ana, em Azurara, Vila do Conde (VASCONCELOS, 1984, p. 72).
(Rosário Carvalho)

Bibliografia

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

O Couto de Gondufe. Apontamentos para a sua História Arquivo de Ponte de Lima, vol. 3, pp. 157-196

Local

Braga

Data

1982

Autor(es)

VASCONCELOS, Francisco de

Título

Paço de Sequeiros: Uma casa que completa 600 anos Arquivo de Ponte de Lima, vol. 5, p. 71 - 95

Local

Ponte de Lima

Data

1984

Autor(es)

VASCONCELOS, Francisco de

Título

Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima)

Local

Porto

Data

1974

Autor(es)

-