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Edifício da Misericórdia, incluindo hospital, capela e antiga hospedaria - detalhe

Designação

Designação

Edifício da Misericórdia, incluindo hospital, capela e antiga hospedaria

Outras Designações

Edifício da Misericórdia de Albufeira

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Edifício

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Albufeira / Albufeira e Olhos de Água

Endereço / Local

Rua Henrique Calado
Albufeira

Largo da República
Albufeira

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As instalações da Misericórdia de Albufeira constituem uma das mais antigas parcelas do centro histórico da cidade e localizam-se dentro do velho perímetro fortificado, implantando-se junto da mais importante porta (a da Praça, ou do Ocidente) e ocupando parte da alcáçova islâmica. Estes vestígios do sistema defensivo muçulmano desapareceram nos anos 60 do século XX, quando se construiu o Hotel Sol e Mar (GOMES, 2002, pp.339-340), mas tal campanha não destruiu o complexo da Misericórdia, que ainda hoje se mantém.
A instituição, fundada em 1499, desde cedo contou com importantes instalações, o que revela o grau de implantação e de aceitação na própria cidade. Ainda hoje é possível perceber que, delimitada pela muralha que se desenvolve desde a antiga Porta da Praça até à Porta do Mar (virada a Norte, hoje na confluência da Rua do Cemitério Velho), existe um quarteirão que foi praticamente todo ocupado pela Misericórdia local e que corresponde à face NO. da Rua Henrique Calado. Nesse quarteirão, funcionou a Capela, o Hospital e uma Hospedaria, assim como o edifício-sede e numerosas outras dependências de apoio às diversas actividades da instituição.
A capela é parte mais importante do conjunto e, simultaneamente, a mais antiga. Crê-se que seria mesquita de uso exclusivo da alcáçova e do paço dos governadores, posteriormente convertida em igreja cristã e, finalmente, em capela da Misericórdia. Este percurso funcional não está arqueologicamente provado, mas dada a localização do templo é natural que assim tivesse acontecido, embora nos faltem dados de caracterização sobre os séculos XIII e XIV. A fachada principal é de pano único e passaria despercebida entre o casario não fosse o seu portal manuelino e a empena triangular da frontaria. Aquele é de arco apontado, mas possui moldura inferior decorada com ligeiro encordoado que, descarregando sobre capitéis de decoração vegetalista, finos colunelos adossados à caixa murária e bases embebidas de secção multifacetada, prova o seu carácter manuelino, ainda que relativamente modesto.
O interior é de nave única, e apenas a capela-mor evidencia a fase manuelina, sendo coberta por abóbada de cruzaria de ogivas, com bocete ornamentado pela cruz da Ordem de Avis, sintoma provável de algum dinheiro real empregue na obra. O arco triunfal é abatido, mas possui ainda duas colunas torsas que descarregam sobre bases oitavadas, elementos artísticos que provam a sua feitura durante o ciclo manuelino. No corpo do templo, coberto por tecto de madeira, pode ainda observar-se um coro-alto barroco que se adossa à fachada principal.
Da capela-mor pode aceder-se à Sacristia e à antiga Casa do Despacho, esta última um espaço rectangular que, na origem, deveria ter um segundo acesso sem ser pelo interior da capela. A Hospedaria é um edifício de planta rectangular, disposto ao longo da via pública e tem como principal atractivo o seu portal, de arco apontado, muito simples e que, se não for contemporâneo do portal principal da capela, deverá ser o reaproveitamento de uma mais antiga habitação.
Compreensivelmente, o hospital ocupa a maior parte das antigas instalações. A primeira referência documental que se conhece data de 1571, mas parece relacionar-se com uma pequena casa de acolhimento, uma vez que, séculos mais tarde, em 1758, refere-se expressamente que o hospital é composto por uma só casa, "em que se acolhem os pobres passageiros, mas não a curar-se" (PINTO e PINTO, 1968). O edifício que chegou até hoje data genericamente do final do século XIX. Em 1880, a Santa Casa dirigiu uma petição à Câmara dos Deputados para alargamento das instalações, o que foi favoravelmente respondido três anos depois, tendo-se iniciado as obras em 1885, sob o comando do empreiteiro José Francisco do Nascimento. Inaugurado em 1904, dele fazem parte duas enfermarias, em dois andares, e integra a Torre do Relógio, estrutura que aproveitou uma das antigas torres defensivas da islâmica Porta da Praça.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

"As Misericórdias do Algarve"

Local

Lisboa

Data

1968

Autor(es)

PINTO, Maria Helena Mendes, PINTO, Victor Roberto Mendes

Título

"Albufeira medieval, Bracara Augusta, vol. 14/15, separata"

Local

Braga

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, José Manuel Semedo de

Título

"Breve história de Albufeira"

Local

Albufeira

Data

1989

Autor(es)

NOBRE, Idalina Nunes

Título

"Cronologia do concelho de Albufeira"

Local

Albufeira

Data

1995

Autor(es)

AMADO, Adelaide

Título

"Albufeira: percursos de uma história singular"

Local

Albufeira

Data

1995

Autor(es)

NOBRE, Idalina Nunes

Título

"Roteiros histórico-monumentais da cidade de Albufeira"

Local

Albufeira

Data

1993

Autor(es)

AMADO, Adelaide

Título

"Bibliografia do concelho de Albufeira"

Local

Albufeira

Data

1993

Autor(es)

AMADO, Adelaide