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Ponte romana na freguesia de Estorãos - detalhe

Designação

Designação

Ponte romana na freguesia de Estorãos

Outras Designações / Pesquisas

Ponte de Estorãos / Ponte Romana de Estorãos(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Ponte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Estorãos

Endereço / Local

-- -
Estorãos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

São ainda muito discutidas as origens e as fases construtivas desta ponte. As opiniões mais consensuais (as que se fundam na análise criteriosa dos vestígios materiais remanescentes) coincidem na sua catalogação romana (MELO, 1967; RIBEIRO, 1998, p.187), mas há vários indícios que apontam para que, primeiro na Idade Média e, depois, na época moderna, tenham existido campanhas construtivas com algum impacto; isto é, embora se desconheçam as suas características básicas e respectivas cronologias, não se terão limitado a consolidar a estrutura já existente, actuando sobre ela de alguma forma.
Na época romana, a ponte fazia parte de uma das mais importantes vias da região, ligando a Ponte de Lima mas, mais importante, implantando-se na estrada que colocava em comunicação Braga e o noroeste peninsular. A sua relevância, neste contexto, determinou certamente a construção da obra que, genericamente, chegou até aos nossos dias.
A sua estrutura é comum, embora conferindo maior relevo que o habitual aos suportes intermédios. Compõe-se de três arcos de volta perfeita - sendo o central de maior vão que os laterais -, de aduelas e aparelho muito regular e de bom tamanho. Entre eles, existem poderosos talhamares triangulares, bem salientes, que conferem ao monumento uma exagerada imagem de robustez que não é comum encontrar-se na actividade pontística romana. Este facto, a par das diferenças de aparelho nos talhamares e do simples encosto destes elementos aos pegões (NOÉ, 1992, DGEMN on-line), parece vir confirmar a existência de uma campanha reformadora na Idade Moderna, provavelmente nos séculos XVI ou XVII, como sugeriu Ferreira de Almeida (ALMEIDA, 1987, p.118).
O aparelho de enchimento encontra-se muito obstruído pela densa vegetação, mas é possível encontrar algumas fiadas menos cuidadas que as que compõem o intradorso dos arcos, sintoma de uma provável reconstrução medieval. Esta hipótese é alargada ainda pela análise das guardas - claramente dissonantes em relação aos silhares de origem romana - e do perfil do tabuleiro - em duplo cavalete rampante, acompanhando a diferença de abertura do arco médio em relação aos laterais, tão ao gosto da Baixa Idade Média.
Desta forma, e ainda sem um estudo rigoroso da ponte, podemos considerar três grandes fases construtivas, em outras tantas épocas: à primitiva edificação romana, ter-se-á seguido uma reconstrução medieval (que actuou preferencialmente sobre o aparelho de enchimento e o tabuleiro) e, posteriormente, uma moderna (a que se deverá um maior cuidado com a estrutura, reforçando-a com poderosos talhamares).
Da época moderna datam outros dois dispositivos públicos relacionados com a ponte: um cruzeiro e uma alminha. Tratam-se de exemplos característicos da sacralidade que, ao longo dos tempos, rodeou estas passagens ribeirinhas e, de uma forma geral, os próprios caminhos. Paulo Pinto relacionou-os com a cristianização de antigas estruturas romanas (PINTO, 1998, p.93), mas a verdade é que desempenharam uma vocação muito mais devocional aplicada ao gesto de viajar, que se pretendia em segurança física e espiritual.
O cruzeiro implanta-se ao meio do pavimento, nas guardas voltadas a montante, e é uma peça restaurada nos anos 60 do século XX, composta por coluna delgada encimada por capitel jónico e sobrepujada por cruz. A alminha é mais complexa e localiza-se num dos extremos da estrutura. Compõe-se de espaldar recto encimado por frontão contracurvado, onde assenta uma cruz, e possui, ao centro, um painel cerâmico de carácter popular, alusivo às Almas do Purgatório.
Praticamente em ruínas na década de 40 do século XX, a ponte foi parcialmente restaurada em 1949, por iniciativa da Câmara Municipal de Ponte de Lima que, entre outros trabalhos, substituiu integralmente o pavimento, renovou parte das guardas e consolidou as juntas com cimento.
PAF

Bibliografia

Título

Pontes Antigas Classificadas

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

RIBEIRO, Aníbal Soares

Título

Pontes romanas de Portugal

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

PINTO, Paulo Mendes

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Itinerários de Ponte de Lima

Local

Ponte de Lima

Data

1973

Autor(es)

REIS, António Matos

Título

Caminhos velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima

Local

Viana do Castelo

Data

1962

Autor(es)

ARAÚJO, José Rosa de

Título

Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima)

Local

Porto

Data

1974

Autor(es)

-