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Património Cultural

Solar da Quinta do Jardim e área verde envolvente - detalhe

Designação

Designação

Solar da Quinta do Jardim e área verde envolvente

Outras Designações / Pesquisas

Casa da Quinta do Jardim (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Solar

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Oeiras / Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias

Endereço / Local

Estrada de Laveiras
Laveiras

Proteção

Situação Actual

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Edital N.º 113/2007 de 5-03-2007 da CM de Oeiras
Despacho de 7-03-2006 da vice-presidente do IPPAR a revogar o despacho de abertura de 15-09-1997
Proposta de 17-02-2006 da DR de Lisboa do IPPAR para a revogação do despacho de abertura de 15-09-1997
Em 11-10-2005 foi promovida a audiência prévia de outra das proprietárias
Em 7-06-2005 foi promovida a audiência prévia da CM de Oeiras
Em 27-01-2005 foi promovida a audiência prévia de uma das proprietárias
Despacho de concordância de 15-12-2004 do presidente do IPPAR
Proposta de encerramento de 3-12-2004 da DR de Lisboa do IPPAR, atendendo à descaracterização do solar e sua área envolvente
Edital N.º 183/2000 de 21-03-2000 da CM de Oerias
Despacho de abertura de 15-09-1997 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 9-09-1997 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Pedido de parecer de 11-01-1995 à CM de Oeiras sobre a proposta apresentada
Proposta de classificação de 22-11-1994 da APCA, de acordo com a proprietária

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Situada entre Laveiras e o Murganhal, a Quinta do Jardim surge na documentação conhecida, pelo menos, desde 1712, ano em que o Padre António Carvalho da Costa se refere a uma quinta de grandes dimensões denominada por Jardim, e à sua ermida, dedicada a São João Baptista (COSTA, 1712, p. 649). As referências à capela mantêm-se nas fontes posteriores, nomeadamente em 1763, no Mappa de Portugal, do Padre João Baptista de Castro (CASTRO, 1763).
A edificação é, no entanto, anterior. Se as informações relativas a esta propriedade são muito escassas, os azulejos que se encontram no interior da casa de habitação permitem estabelecer uma cronologia relativa, e colocar algumas hipóteses que apenas um estudo mais aprofundado poderá ou não confirmar.
Pertenceu, inicialmente, tal como a próxima Quinta de Nossa Senhora da Conceição, aos Sinel de Cordes, família descendente "do flamengo João Baptista de Cordes, que veio para Portugal no reinado de Filipe II, no início do século XVII, como controlador do fisco real" (STOOP, 1986, p. 119). O núcleo mais antigo que hoje conhecemos é, sem dúvida, a capela, cujo frontal de altar, em azulejo, remonta ao final de Seiscentos (SIMÕES, 1997, vol. II, p. 134). Pintado em dois tons de azul, exibe, no pano central, a representação de São João Baptista com o Menino, flanqueado por paisagens com pastores, nos panos restantes. O excelente estado de conservação deste frontal indica que não foi alvo de alterações ou mudanças de local, mantendo-se aqui desde o final do século XVII. O retábulo de talha policromada (vermelho e ouro) é posterior, e substituiu, muito possivelmente, um outro retábulo contemporâneo do frontal. Já os painéis ilustrativos da vida do orago, que revestem o corpo da capela, os do corredor de acesso à casa e sacristia são uma produção bem posterior, polícroma e rocaille, da segunda metade do século XVIII (c. 1770) (SIMÕES, 1979, p. 311).
Por aqui percebemos como este complexo arquitectónico foi alvo de intervenções sucessivas, entre o final de Seiscentos e toda a centúria seguinte. A casa apresenta um núcleo do lado esquerdo da capela e um outro, à direita, aberto por um arco em asa de cesto, por onde passa a estrada que liga Caxias ao Cacém. Esta é, com certeza, uma das últimas intervenções, quando a necessidade de expansão e alargamento do edifício obrigou a construir sobre a estrada. De facto, os azulejos destas salas exibem um padrão já pombalino (SIMÕES, 1979, p. 311).
No seu interior, os azulejos que revestem as diferentes salas revelam exactamente as várias campanhas de obras ocorridas. Como já se percebeu, os mais antigos encontram-se na ala poente, onde encontramos azulejos de padrão, vasos floridos, de meados do século, surgindo os exemplos de figura avulsa nos compartimentos menos significativos (IDEM).
No exterior, o conjunto pauta-se por uma grande simplicidade e depuração, destacando-se a fachada da capela, com portal encimado por janela de sacada de verga curva, e varanda assente sobre mísulas. O frontão triangular é ladeado por fogaréus e, ao centro, ergue-se a cruz. O alçado da casa é aberto por janelas em ambos os pisos (de sacada no andar nobre), cuja divisão é acentuada por um friso que percorre toda a fachada.
Na segunda metade de Setecentos, os Sinel de Cordes juntaram-se, por laços familiares, aos Ludovice (ao que tudo indica descendentes do arquitecto de Mafra), cujo ramo manteve a posse da Quinta.
(Rosário Carvalho)

Bibliografia

Título

Mappa de Portugal

Local

Lisboa

Data

1763

Autor(es)

CASTRO, João Baptista de

Título

Quintas e palácios nos arredores de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

STOOP, Anne de

Título

Corografia Portuguesa e descripçam topographica do famoso Reyno de Portugal

Local

Lisboa

Data

1712

Autor(es)

COSTA, Pe. António Carvalho da

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Caxias das origens à freguesia, palestra comemorativa do 1º aniversário da criação da freguesia de caxias

Local

Caxias

Data

2002

Autor(es)

GONÇALVES, Rogério de Oliveira

Título

Os frontais de altar quinhentistas e seiscentistas de azulejo, Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, pp. 11-96

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

MECO, José