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Convento de Santo António ou de São Francisco do Praxel - detalhe

Designação

Designação

Convento de Santo António ou de São Francisco do Praxel

Outras Designações / Pesquisas

Convento do Praxel / Convento de São Francisco / Convento de Santo António / Convento do Praxel / Convento do Parchal (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Lagoa / Estombar e Parchal

Endereço / Local

- dominando topograficamente o morro adjacente sul da vila de Estombar, e vira-se sobre o estuário do rio Arade em situação de promontório
-

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (Homologado como IM -...

Cronologia

Despacho de homologação de 16-12-1988 da Secretária de Estado da Cultura
Parecer de 30-11-1988 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como VC
Proposta de classificação de 17-06-1988 da CM de Lagoa

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O arruinado conjunto de São Francisco de Praxel (ou do Praxal, como também é conhecido) é o que resta de um antigo cenóbio de franciscanos, fundado nos inícios do século XVII, em pleno domínio espanhol de Portugal, por Diogo Vieira Boyo, que se fez sepultar diante do altar-mor com sua mulher, D. Margarida. O local estava assinalado por uma lápide que Francisco de Ataíde Oliveira ainda viu em 1911, e que continha a seguinte inscrição. "Esta Sepultura, Capella e Igreja, foi de Diogo Vieira Boyo, capitão e cavalleiro fidalgo da Casa d'El Rei Nosso Senhor e de sua mulher Dona Margarida e seus herdeiros".
Com capacidade para apenas seis frades, nem por isso a instituição deixou de ter grande importância, atraindo relevantes figuras da região (em particular, militares) que, através de doações ou de outras formas de engrandecimento do convento, escolheram a sua igreja para última morada. Assim aconteceu com o sargento-mor José Lopes Pimenta, viúvo de D. Feliciana Maria Lamim, que aqui se sepultou em Agosto de 1755, ou, mais tarde, com o Capitão José Alistão de Almeida Coutinho, residente na Mexilhoeirinha e casado com D. Angélica Rosa, também ele aqui sepultado, em capela própria, em Dezembro de 1758.
Pelas datas atrás indicadas, facilmente se comprova ter sido a primeira metade do século XVIII o período de maior apogeu deste convento. As ruínas que chegaram até aos nossos dias, praticamente resumidas à igreja, denotam uma arquitectura ligeiramente anterior, ainda seiscentista, fruto natural da iniciativa que presidiu à sua constituição.
O templo é de planta longitudinal composto por nave única e capela-mor quadrangular, aquela coberta por abóbada de canhão e esta por cúpula que ainda se conserva. A fachada principal, de pano único, é marcada axialmente por portal moldurado de arco abatido, com cornija superior ligeiramente saliente, a que se sobrepõe um janelão, terminando em empena de tendência triangular animada por volutas. No interior, a nave era complementada por capelas laterais, que complexificavam a estrutura volumétrica do templo e que, certamente, datam de épocas posteriores à edificação original. Numa delas, ainda restam alguns vestígios de azulejos e de pintura, mas todo o recheio se perdeu. Igual sorte tiveram as dependências conventuais, como o claustro, o refeitório, o dormitório e demais espaços comuns, cujos vestígios se resumem a uma multiplicidade de pedras amontoadas e sem qualquer coerência construtiva.
A história da ruína deste convento iniciou-se com o terramoto de 1755, ironicamente no momento em que a instituição havia atingido o seu ponto máximo de desenvolvimento e de importância simbólica na região. Consta que o abalo terá causado importantes destruições na igreja e nas restantes dependências do convento, o que obrigou Fr. João de São Braz, à altura à frente dos destinos da instituição, a mandar telhar o claustro para celebração dos ofícios religiosos. Este facto, a par de outras iniciativas tomadas pela comunidade de então, são esclarecedoras quanto ao grau de ruína da igreja, cujo Santíssimo Sacramento não podia sequer ser mantido no seu interior.
Desconhecemos os trabalhos então desenvolvidos, mas a referência seguinte, datada de c. 1830, esclarece novamente sobre a situação precária dos frades. Nesta data, a degradação do conjunto arquitectónico era tal que a comunidade teve mesmo de abandonar o convento. Escassos quatro anos haveria de estar o conjunto monumental sem ocupação, pois em 1834, após a extinção das ordens religiosas e a nacionalização dos seus bens, o monumento e respectiva cerca foram vendidos à família Gaivão, de Estômbar, permanecendo na posse de privados até hoje.
PAF

Imagens