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Igreja de Nossa Senhora da Luz, matriz da Luz de Tavira, e rossio fronteiro - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Nossa Senhora da Luz, matriz da Luz de Tavira, e rossio fronteiro

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial da Luz de Tavira / Igreja de Nossa Senhora da Luz(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Mista / Conjunto

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Tavira / Luz de Tavira e Santo Estêvão

Endereço / Local

Largo da República
Luz de Tavira

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 280/2013, DR, 2.ª série, n.º 91, de 13-05-2013 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13643/2012, DR, 2.ª série, n.º 211, de 31-10-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de homologação de 29-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 20-08-2001 da DR de Faro
Despacho de abertura de 15-07-1996 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de Julho de 1996 da DR de Faro para a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 6-08-1995 de particulares

ZEP

Despacho concordante de 10-12-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer de 5-12-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor o envio à DRC do Algarve para revisão da proposta
Nova proposta de 24-11-2011 da DRC do Algarve
Proposta de 16-11-1999 da DR de Faro

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Anteriormente atribuída ao arquitecto Miguel de Arruda, um dos nomes mais marcantes da arquitectura portuguesa da primeira metade do século XVI, são hoje cada vez mais importantes os indícios que apontam para a acção de André de Pilarte como construtor da igreja de Nossa Senhora da Luz de Tavira. Pilarte, formado no grande estaleiro manuelino dos Jerónimos, é o principal responsável pela existência de um foco renascentista no Sotavento algarvio, sedeado em Tavira (onde subsiste o magnífico portal da Igreja da Misericórdia e outras obras tanto de carácter religioso como civil), mas com um raio de acção bastante largo, chegando às igrejas de Moncarapacho, de Alcoutim e de Ayamonte. A própria evolução da sua oficina estará ainda na origem das primeiras obras maneiristas desta parcela oriental da província, facto que permite intuir de uma acção mais prolongada no tempo e mais complexa estilisticamente.
A estrutura do templo da Luz de Tavira constitui, ela própria, uma inteira novidade no panorama arquitectónico quinhentista do Algarve. Como a definiu José E. Horta Correia, trata-se da única igreja-salão (hallenckirche) da região, cronologicamente situável entre as igrejas-salão manuelinas e as dos anos 50 do século XVI (CORREIA, 1987, p.48). O interior compõe-se de três naves de quatro tramos, todas à mesma altura, com cobertura em abóbada de ogivas nervuradas e assentes em finas colunas que integram capitéis renascentistas. Não existe qualquer transepto e a cabeceira, de capela única com abóbada manuelina, é visível de todos os espaços do corpo da igreja.
A fachada principal foi largamente alterada na segunda metade do século XVIII, na sequência do terramoto de 1755. Dessa campanha restauradora resultou a estranha solução para a empena da fachada, com um frontão circular enquadrando axialmente o portal, ladeado por dois outros frontões menores, triangulares, que se ligam ao central através de volutas.
O portal principal, aberto para o amplo rossio fronteiro à igreja, é uma obra de carácter cenográfico que revela bem a cronologia e a qualidade do seu arquitecto. Com uma ampla moldura em cantaria, o portal é ladeado por duas pilastras com capitéis jónicos. Superiormente, é delimitado por um frontão triangular que integra um óculo circular no tímpano, elemento que filtra a luz para o interior, desenvolvendo-se ainda, em relação vertical axial, um nicho de arco recto que contém uma imagem de Nossa Senhora.
Um outro elemento exterior de grande importância para a história do templo, mas também para a História da Arte algarvia, é o portal sul, de perfil abatido, e composto por quatro arquivoltas, as exteriores definindo um arco contracurvado. Filiado estilisticamente no ciclo manuelino, com as características bases prismáticas, capitéis de profusa decoração vegetalista, última arquivolta de perfil torso espiralado terminando num pináculo vegetalista, este é um dos principais portais manuelinos do Sotavento algarvio e, apesar da sua datação tardia, constitui uma referência obrigatória nos caminhos da arte na região.
O interior apresenta-se, hoje, relativamente despido de mobiliário litúrgico. Dois altares laterais, neoclássicos - o do lado Sul integrando elementos de um anterior retábulo barroco - constituem o recheio das naves. O retábulo-mor, por sua vez, é o produto de diversas campanhas da Idade Moderna. O resultado é uma estrutura adaptada à parede fundeira e à curvatura circular da abóbada, integrando uma pintura central tardo-renascentista, vários elementos maneiristas e um acabamento já barroco.
O Rossio da Igreja de Nossa Senhora da Luz é um espaço público modelado aquando da construção da igreja, mas onde se reflectem bem as diferentes épocas de construção e de expansão da vila. O espaço central, de planta rectangular desenvolve-se a partir do adro da igreja, é ocupado por um jardim. Nos limites ocidental e Norte, habitações de piso térreo definem este espaço, subsistindo ainda algumas do séc. XIX.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Monografia da Luz de Tavira, 1913

Local

-

Data

1991

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde

Título

Notícias históricas de Tavira, 1937

Local

-

Data

1989

Autor(es)

VASCONCELOS, Damião Augusto de Brito, ANICA, Arnaldo Casimiro

Título

Inventário artístico do Algarve. A talha e a imaginária, vol. IV (Tavira)

Local

-

Data

1990

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Inventário dos pórticos manuelinos do concelho de Tavira, Tavira do Neolítico ao século XX. Actas das II Jornadas de História de Tavira, pp.51-65

Local

-

Data

1993

Autor(es)

FERNANDES, Carla Varela

Título

O manuelino algarvio, O Algarve da Antiguidade aos nossos dias, pp.227-232

Local

-

Data

1999

Autor(es)

RAMOS, Manuel Francisco Castelo

Título

A talha no Algarve durante o Antigo Regime

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

A arquitectura religiosa do Algarve de 1520 a 1600

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

CORREIA, José Eduardo Horta

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

A Arquitectura ao Romano

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

CRAVEIRO, Maria de Lurdes