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Forte da Ponta da Bandeira, também denominado «Forte de Nossa Senhora da Penha de França», «Forte do Pau da Bandeira» ou «Forte do Registo» - detalhe

Designação

Designação

Forte da Ponta da Bandeira, também denominado «Forte de Nossa Senhora da Penha de França», «Forte do Pau da Bandeira» ou «Forte do Registo»

Outras Designações / Pesquisas

Fortaleza da Ponta da Bandeira
Núcleo Museológico dos Descobrimentos Portugueses / Forte da Ponta da Bandeira / Fortaleza da Ponta da Bandeira / Forte de Nossa Senhora da Penha de França / Forte do Pau da Bandeira / Forte do Registo(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Forte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Lagos / São Gonçalo de Lagos

Endereço / Local

Avenida das Descobertas
Lagos

Cais de Solaria
Lagos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O Forte de Nossa Senhora da Penha de França, ou da Bandeira, é a principal estrutura conservada do amplo processo de fortificação da cidade de Lagos, durante o século XVII. Restaurada a Independência Nacional em 1640, e reinstalado o governo militar da província do Algarve em Lagos, o constante assédio da costa por parte de piratas e de corsários levou à construção de uma rede de fortalezas costeiras, a Ocidente e a Oriente da cidade. Muitas delas desapareceram já, ou foram parcialmente remodeladas. Esta, contudo, mantém-se praticamente inalterada, pele excelência da construção, pela relevância da sua posição estratégica, mas também pelo seu impacto visual e cenográfico, que lhe confere o estatuto de principal forte de Lagos.
A construção iniciou-se no final da década de 70 desse século XVII e prolongou-se até aos anos 90. Em 20 anos ergueu-se uma fortaleza-modelo, desfrutando de uma privilegiada implantação geográfica (junto das antigas muralhas medievais, mas em posição relevante e sobranceira em relação à baía) e concebida como uma estrutura racional, operativa e moderna. Com efeito, algumas características de plano levam a considerar esta fortaleza como uma das tecnicamente mais avançadas de todo o Algarve. A opção pela planta quadrangular (com acesso axial a partir de uma rampa que dá directamente para o terraço superior), por volumes relativamente baixos e paredes bem grossas nas secções viradas ao mar, são condicionantes de uma arquitectura militar especificamente idealizada para aproveitar a guerra de artilharia, a que não faltam as "canhonheiras rasgadas na parte superior dos muros" (COUTINHO, 2001, p.71).
O seu arquitecto foi o Capitão de Engenharia Inácio Pereira, que aparece na documentação como director das obras, embora não certamente como o homem que concebeu a estrutura. Esta, é o produto de décadas de arquitectura militar em Portugal, que conduziram à actualização de todo o sistema defensivo costeiro nacional, durante a segunda metade do século XVII e ainda grande parte do XVIII. A racionalidade de todo este projecto, e também o seu eruditismo, está patente no plano quadrangular regular, no fosso que envolve o forte e que era ultrapassado por uma ponte levadiça que levava à única entrada, nas paredes cegas e de excelente construção, nas quatro guaritas cilíndricas, dispostas nos ângulos da fortaleza, idealmente concebidas para a função de vigia, embora hoje nos apareçam como os elementos de maior cenografismo do conjunto.
Durante mais de um século, este forte desempenhou as funções para que foi construído. No século XIX, a progressiva decadência da linha defensiva costeira, e da própria estrutura, levou a que se realizassem obras de restauro, por parte do Ministério da Guerra, que se limitou a consolidar as paredes.
Bastante mais vastas foram as campanhas reformuladoras do século XX. Em 1956, a fortaleza foi adaptada a Centro Náutico da Mocidade Portuguesa, nova funcionalidade que determinou a radical transformação do interior do recinto amuralhado. Do vasto conjunto de obras então realizadas, salientam-se a reconstrução das quatro guaritas, a consolidação estrutural generalizada e a adaptação dos espaços interiores a salas de formação, arrecadações, etc.
Mais recentemente, já em plena 3ª República, o edifício foi comprado pela Câmara Municipal, que para aqui transferiu o Centro de Estudos Marítimos e Arqueológicos de Lagos. No interior, conserva-se ainda um restaurante, salas dedicadas a exposições temporárias e a pequena capela de Santa Bárbara, templo devocional de nave única, sem capela-mor, de reduzidas dimensões e integralmente coberto por azulejos do século XVII, contemporânea, pois, da primitiva construção.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve

Local

Faro

Data

1997

Autor(es)

COUTINHO, Valdemar

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

História das fortificações marítimas da Praça de Guerra de Lagos

Local

Lagos

Data

1992

Autor(es)

CALLIXTO, Carlos Pereira

Título

Estudo historico-monográfico da freguesia de Santa Maria do concelho de Lagos

Local

Lagos

Data

1992

Autor(es)

MARTINS, José António Jesus

Título

Monografia de Lagos

Local

Porto

Data

1909

Autor(es)

ROCHA, Manuel João Paulo

Título

Lagos, Evolução Urbana e Património

Local

Lagos

Data

1992

Autor(es)

PAULA, Rui Mendes

Título

Dinâmica defensiva da costa do Algarve. Do período islâmico ao século XVIII

Local

Portimão

Data

2001

Autor(es)

COUTINHO, Valdemar

Título

Algarve - Castelos, Cercas e Fortalezas

Local

Faro

Data

2008

Autor(es)

MAGALHÃES, Natércia