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Igreja da Raposeira - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Raposeira

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Raposeira / Igreja de Nossa Senhora da Encarnação(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Vila do Bispo / Vila do Bispo e Raposeira

Endereço / Local

- -
Raposeira

Proteção

Situação Actual

Procedimento caducado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja matriz da Raposeira é um templo manuelino, edificado, muito possivelmente, pela terceira ou quarta década do século XVI, cronologia aproximada obtida através das relações estilísticas que existem entre esta construção e a vizinha igreja de Nossa Senhora da Luz de Lagos (construída pela década de 20), embora outras semelhanças com a Misericórdia de Albufeira possam fazer recuar um pouco essa datação.
Construtivamente, é uma realização relativamente modesta (nave única de dois tramos e capela-mor rectangular, integralmente coberta por tecto de madeira), própria de uma região rural e periférica, embora de inegável importância na conjuntura tardo-gótica nacional. Esse mesmo estatuto periférico está na base da manutenção das suas características originais, em detrimento de significativas campanhas posteriores, que, em boa verdade, praticamente não existiram, à excepção de uma escassa actualização estética e consolidação arquitectónica verificada no período barroco.
Com efeito, são ainda muitos os vestígios manuelinos no conjunto, a começar pelo portal principal, de "tipo pentalobado em duas arquivoltas, quase sobrepostas, uma como que simulando a sombra da outra" (RAMOS, 1996, p.97). A decoração é aqui muito escassa, limitando-se aos capitéis (ornamentados com singelos motivos vegetalistas e geométricos) e às bases dos colunelos (onde aparecem as pequenas aspas, que Manuel Castelo RAMOS, 1996, p.98, identificou também no arco triunfal da igreja da Misericórdia de Albufeira).
Se esta porta revela um tratamento muito esquemático e reduzido do vocabulário artístico manuelino, as entradas laterais foram tratadas de forma ainda mais sumária. A do lado Norte é de lintel recto e, não fosse o chanfrado das suas arestas interiores, nada a daria como manuelina. A do lado Sul é mais característica, com perfil superior contracurvado e moldurado. No interior, o arco triunfal é o elemento original mais importante e, ao contrário das faces exteriores dos portais, revela um maior cuidado estilístico. É de três arquivoltas assentes sobre "bases poligonais" de "socos alongados, como na porta principal da vizinha igreja de Nossa Senhora da Luz de Lagos" (IDEM, p.98). Os capitéis são oitavados e, ainda que não integrem elementos figurativos ou vegetelistas exuberantes, são uniformemente decorados com calabres entrançados e meias esferas que formam o célebre motivo do "turbante".
Como se disse, foram escassas as alterações verificadas ao longo dos séculos. Na primeira metade de Setecentos, construíram-se os dois retábulos de talha dourada que ladeiam o arco triunfal. São de estrutura rectangular, de duas arquivoltas que, por sua vez, definem amplas tribunas de volta perfeita, onde existem imagens de Cristo Crucificado e Nossa Senhora da Encarnação. No exterior, a campanha barroca fez-se também sentir. O registo superior da fachada principal, em empena triangular e com janelão axial quadrangular provido de grelha, deverá datar deste período, assim como a torre sineira que se adossa do lado Sul, com quatro arcos de volta perfeita, pináculos nos ângulos e coroamento piramidal.
Nos últimos séculos, o monumento não foi objecto de grandes obras. Sabe-se que, em 1873, o tecto da igreja abateu e, em 1969, o sismo sentido em Portugal provocou alguns estragos de pequena monta. Sem assinaláveis intervenções de restauro, a igreja permanece como uma das mais interessantes construções manuelinas do extremo Sudoeste do território continental nacional e evoca simbolicamente o período em que a região mais floresceu, precisamente a transição para o século XVI.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

A talha no Algarve durante o Antigo Regime

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI), Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142

Local

Silves

Data

1996

Autor(es)

RAMOS, Manuel Francisco Castelo

Título

Guia turístico e ambiental do concelho de Vila do Bispo

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

BAPTISTA, Carlos Manuel Maximiano