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Património Cultural

Igreja de Nossa Senhora da Purificação, paroquial de Cachoeiras - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Nossa Senhora da Purificação, paroquial de Cachoeiras

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Nossa Senhora da Purificação / Igreja Paroquial de Cachoeiras (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Vila Franca de Xira / Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras

Endereço / Local

- Lugar da Igreja
Cachoeiras

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 1161/2009, DR, 2.ª série, n.º 212, de 2-11-2009 (ver Portaria)
Edital N.º 339/2007 de 7-08-2007 da CM de Vila Franca de Xira
Despacho de homologação de 12-06-2007 da Ministra da Cultura
Despacho de concordância de 17-01-2007 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 20-12-2006 do Conselho Consultivo do IPPAR
Nova proposta de 25-10-2006 da DR de Lisboa do IPPAR
Proposta de 22-12-1995 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como IIP
Em 11-08-1994 foi dado conhecimento do despacho à CM de Vila Franca de Xira, informando que o imóvel se encontrava em vias de classificação
Despacho de concordância de 6-07-1994 do presidente do IPPAR
Deliberação de 17-05-1994 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 8-02-1994 da CM de Vila Franca de Xira
Processo iniciado no IPPC em 1991

ZEP

Portaria n.º 1161/2009, DR, 2.ª série, n.º 212, de 2-11-2009 (sem restrições) (ver Portaria)
Edital N.º 339/2007 de 7-08-2007 da CM de Vila Franca de Xira
Despacho de homologação de 12-06-2007 da Ministra da Cultura
Despacho de concordância de 17-01-2007 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 20-12-2006 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 25-10-2006 da DR de Lisboa

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Dedicada a Nossa Senhora da Purificação, a igreja matriz de Cachoeiras conserva alguns vestígios da sua primitiva construção, que remonta ao século XVI. A capela-mor, com cobertura de abóbada de aresta assente sobre mísulas, é o melhor exemplo desta permanência de elementos quinhentistas, a que se acrescenta a pia baptismal, as três pinturas sobre madeira no corpo do templo, do final da centúria, ou ainda a torre sineira (AZEVEDO, FERRÃO, GUSMÃO, 1963, p. 83). Esta última, ergue-se num dos extremos da fachada principal, da qual se separa através de uma pilastra, em cantaria até ao nível do portal, e para cima pintada de branco. Do lado oposto, o cunhal da torre é de cantaria rusticada. A sineira forma um arco de volta perfeita, em cantaria. Sobrepõe-se-lhe o relógio inscrito na cúpula semi-esférica, flanqueada por pináculos, na base.
De acordo com as informações disponíveis, a igreja foi alvo de uma reconstrução de grande alcance no decorrer do século XVII, alterando, desde logo, a estrutura original. Esta intervenção ficou a dever-se à iniciativa de Bartolomeu Dias Ravasco, guarda-mor dos Contos do Reino e Casa, e herdeiro do Padre Gaspar Francisco, capelão de Sua Magestade, que reedificou a capela no ano de 1641, conforme se pode ler na lápide que se encontra na parede do lado do Evangelho da capela-mor, com o brasão dos Ravasco (SIMÕES, 1997, p. 152).
Datam desta campanha de obras os azulejos da capela-mor e da nave. Os primeiros, inscrevem-se, de acordo com Santos Simões, entre os padrões mais aplicados, à época, pois "com apenas dois elementos tão diferentes entre si, resulta uma composição de dezasseis azulejos, cuja multiplicação permitia a decoração de grandes superfícies, jogando com ritmos cromáticos e lineares aparentemente complexos" (IDEM, p. 64). Na nave, o padrão é muito comum (IDEM, p. 86) e combina-se com um outro inspirado na azulejaria de caixilho, que tira partido das longas e fortes linhas diagonais (IDEM, p. 124). Note-se, no entanto, que alguns destes azulejos, em mau estado de conservação, foram substituídos por exemplares actuais, na segunda metade do século XX.
O retábulo colateral do lado do Evangelho deve, também, ser incluído na campanha seiscentista, juntamente com as pinturas, da mesma época mas muito deterioradas. O retábulo-mor, igualmente em talha dourada, é proto-barroco, integrando imagens incorporadas na centúria seguinte.
Por fim, as últimas campanhas de obras datam do século XVIII. O tecto de masseira, com pinturas representando a Arca de Noé ou São Jerónimo são desta fase, tal como a teia que alterna balaústres de pau preto com outros de mármore rosa, de linguagem barroca. Mais tardio é o trabalho em estuque do frontispício, já do final do século. Às linhas chãs que caracterizam o edifício, e a fachada, aberta por um portal e duas janelas de verga recta, vieram juntar-se os elementos em estuque. No registo superior, e entre as janelas, encontramos uma cartela rodeada por composições ornamentais, e com o monograma da Virgem no interior - AM. No frontão, de lanços e flanqueado por pináculos (no eixo das pilastras que definem a fachada), são desenhados uma série de elementos decorativos em estuque, destacando-se, ao centro, o Santíssimo Sacramento.
A matriz de Cachoeiras encontra-se, hoje, implantada num adro, a que se acede por meio de uma escadaria, no eixo do portal. As suas características deixam adivinhar as diferentes campanhas de obras, ocorridas desde o século XVI, e que testemunham o esforço de actualização estética de que o templo foi alvo e que procurou, naturalmente, adaptar a igreja ao gosto e às necessidades de cada época.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVII

Local

Lisboa

Data

1971

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira)

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de