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Palácio de Pintéus, incluindo a Capela de Nossa Senhora da Apresentação - detalhe

Designação

Designação

Palácio de Pintéus, incluindo a Capela de Nossa Senhora da Apresentação

Outras Designações / Pesquisas

Quinta de Pintéus / Palácio de Pintéus(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Loures / Santo Antão e São Julião do Tojal

Endereço / Local

-- -
Pintéus

Proteção

Situação Actual

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Despacho de revogação de 18-07-2005
Despacho de abertura de 21-08-1996

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Entre as várias propriedades existentes no concelho de Loures, a Quinta e palácio de Pintéus assumem espacial significado, não apenas pela sua importância arquitectónica, mas também por toda a história que se lhe encontra associada. É possível que no início do século XVII aqui tenha existido uma casa, erguida sobre os vestígios ou ruínas de um outro edifício, de cariz manuelino. O palácio que hoje conhecemos, remonta ao primeiro quartel do século XVIII, devendo-se à iniciativa de José Vaz de Carvalho, figura de relevo na história nacional, que desempenhou cargos tão elevados como os de Chanceler-mor do reino, Desembargador do Paço, e Secretário da rainha D. Mariana Vitória e do infante D. Manuel (STOOP, p. 72).
Permanecem, no entanto, algumas dúvidas sobre o alcance destas primeiras obras, pois outros autores atribuem o palácio ao neto de José Vaz de Carvalho, que tinha o mesmo nome (SIMÕES, 1979, p. 298). Os dados disponíveis não permitem esclarecer melhor esta questão, mas a verdade é que determinados elementos da Casa de Pintéus denunciam uma intervenção por parte de José Vaz de Carvalho, neto, definindo-se, assim duas grandes campanhas de obras. É a mulher deste último - D. Maria Rosa de Sá Azevedo Coutinho - que se encontra sepultada na capela da Quinta, conforme é referido no seu epitáfio, com data de 1794. Por sua vez, o brasão de armas, sobre a porta principal representa os Vaz de Carvalho e os Sousa Coutinho, unidos através deste casamento, o que nos leva a pensar que somente nesta data aqui teria sido colocado. Por fim, a própria configuração da fachada principal deixa adivinhar duas campanhas de obras distintas, como veremos a seguir.
O edifício desenvolve-se em L, com a fachada principal mais longa. Esta, denota uma enorme depuração, pois as janelas de ambos os pisos são de linhas rectas e sem qualquer decoração. Apenas o portal se destaca. É flanqueado por dois arcos de volta perfeita assentes sobre impostas salientes, e antecedido por uma escadaria de dois lanços convergentes, com volutas. A porta, de verga recta, é encimada por óculo e por um frontão de aletas (com folhas de acanto e outros elementos decorativos), a que se sobrepõe o já referido brasão, que se eleva até à linha da cornija. Estamos, assim, perante um alçado que concentra toda a sua exuberância no portal principal, de linguagem barroca, o que nos leva a questionar se esta composição não será fruto de uma intervenção posterior, remontando a fachada principal a uma época mais recuada.
Nos interiores, destaca-se o conjunto de azulejos que reveste boa parte dos salões - silhares azuis e brancos com representações de vasos floridos, cestos, etc, possivelmente de meados do século XVIII. Tal é o caso da Sala de Jantar, cujos silhares são interrompidos por uma fonte de mármore, linguagem rococó, com esculturas de Neptuno, de sereias e tritões.
No terraço, as paredes são revestidas por azulejos figurativos rococó, que ilustram as Quatro Estações. Santos Simões considera este conjunto notável, pela sua policromia, apontando como data provável o ano de 1780, e a proveniência a Fábrica do Rato, ou "qualquer outra das melhores de Lisboa" (SIMÕES, 1979, p. 299).
A capela, afastada e aberta ao culto local, é dedicada a Nossa Senhora da Apresentação. Os azulejos aludem ao Cântico dos Cânticos e, na nave, foram representadas paisagens com animais diversos, remontando todo o conjunto a c. de 1740. O retábulo é de talha dourada e a sepultura referida encontra-se no corpo do edifício.
Aqui habitou, mais tarde, a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho, bem como a sua irmã, casada com um escritor, Cristóvão Aires de Magalhães.
(Rosário Carvalho)

Bibliografia

Título

"Quintas e palácios nos arredores de Lisboa"

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

STOOP, Anne de

Título

"Azulejaria em Portugal no século XVIII"

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

"Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira)"

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de