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Anta de Adrenunes - detalhe

Designação

Designação

Anta de Adrenunes

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Anta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Colares

Endereço / Local

E.M. Azóia - Capuchos
Adrenunes

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Abrangido pela Zona Tampão da "Paisagem Cultural e Natural de Sintra", incluída na Lista de Património Mundial - ZEP (nº 2 do art.º 72.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, de 23 de Outubro)

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Numa época em que se despertava para o conhecimento do passado mais remoto da Humanidade, não apenas por mera curiosidade intelectual, como, sobretudo, por substanciar algumas pretensões de conexões mais nacionalistas, os monumentos megalíticos constituíram uma das peças fundamentais em todo o processo subjacente à edificação de novas teorias relacionadas com a antiguidade de determinadas regiões e/ou localidades, ao mesmo tempo que promoviam o derrube das mais variadas hipóteses fantasiadas em torno da sua origem e funcionalidade.
E Portugal não poderia ser uma excepção neste enquadramento científico, nomeadamente por dispor de um considerável número já identificado de exemplares desta tipologia tão específica de monumentos arqueológicos, alguns dos quais registados ainda em meados do século XVIII no âmbito do levantamento dos vestígios antigos existentes no actual território português, incentivado pelo célebre Alvará de 1721, da lavra de D. João V (1689-1750).
Não obstante, teríamos de esperar por individualidades tão marcantes, quanto precursoras da actividade arqueológica entre nós, como as de Francisco Martins de G. M. Sarmento (1833-1899), V. do M. Gabriel Pereira (1847-1911), Estácio da Veiga (1828-1891) e Carlos Ribeiro (1813-1882), para que a sua investigação assumisse contornos mais sistemáticos e verdadeiramente científicos, ao permitirem um arrolamento mais coeso e uma comparação formal mais sólida, uma abordagem absolutamente essencial ao estabelecimento da sua atribuição cronológica, um dos objectivos centrais destes homens de excepção da intelectualidade oitocentista.
Mas, nenhuma outra personalidade portuguesa terá promovido de modo tão acentuado além fronteiras os estudos desenvolvidos nesta área em Portugal como o fundador da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes (predecessora das actuais Associação dos Arqueólogos Portugueses e Ordem dos Arquitectos Portugueses), como a de Joaquim Possidónio Narciso da Silva (1806-1896). E foi, precisamente, aquela que é conhecida por "Anta de Adrenunes" que motivou uma das suas primeiras incursões no entendimento do megalitismo nacional, manifestada bem cedo, ainda durante a década de cinquenta, num dos múltiplos périplos que realizava com certa frequência pelos arredores de Lisboa, em busca de vestígios de um passado bastante mais remoto do que as estruturas medievais e, até mesmo, romanas.
Foi, então, que considerou ter identificado a existência deste dólmen numa das elevações da Serra de Sintra, a mais de quatrocentos metros acima do nível do mar, embora a escavação que promoveu não revelasse quaisquer artefactos corroboradores da sua utilização funerária. Apesar disso, apresentou o resultado desta sua indagação numa das sessões do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-histórica, realizado em 1871 na cidade de Bolonha, onde atribuiu o monumento à Idade da Pedra, numa altura em que alguns autores ainda persistiam em considerá-los bastante posteriores, provavelmente em razão do espólio encontrado nalguns exemplares, denunciadores de reutilizações francamente mais tardias.
Aparte a polémica que acabaria por envolver sempre a "Anta de Adrenunes", sobretudo por suscitar, junto de vários investigadores, as maiores dúvidas relativas à sua natureza antropizante, o facto é que seria classificada, logo em 1910, como "Monumento Nacional", pelo Conselho Superior dos Monumentos Nacionaes.
Estamos, por conseguinte, em presença de um conjunto de pequenos penedos, entre os quais se abre, a Poente, uma galeria estreita, com cerca de cinco metros de altura, que poderá ter sido utilizada como necrópole colectiva durante o longo período megalítico português, sem aparente modelação (ou adaptação) humana a essa finalidade, uma das razões pelas quais não deverá ser entendida como "Anta"/"Dolmen".
[AMartins]

Bibliografia

Título

"Possidónio da Silva (1806-1896) e o Elogio da Memória. Um Percurso na Arqueologia de Oitocentos"

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

MARTINS, Ana Cristina

Título

"Estudos pré-históricos em Portugal. Notícia de algumas estações e monumentos pré-históricos"

Local

Lisboa

Data

1980

Autor(es)

RIBEIRO, Carlos

Título

"Sintra do pretérito"

Local

Sintra

Data

1957

Autor(es)

PEREIRA, Félix Alves

Título

"Os monumentos préhistóricos - dólmen ou anta de Adrenunes na Serra de Cintra, Archivo Pittoresco"

Local

Lisboa

Data

1868

Autor(es)

BARBOSA, Inácio de Vilhena

Título

"Nova Carta Chorographica de Portugal"

Local

Lisboa

Data

1910

Autor(es)

BOLAMA, Marquês de Ávila e de

Título

"História da Arquitectura Primitiva em Portugal. Monumentos Dolménicos"

Local

Lisboa

Data

1943

Autor(es)

MONTEZ, Paulino