Saltar para o conteúdo principal da página

Castelo de Sortelha - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Sortelha

Outras Designações / Pesquisas

Castelo de Sortelha e muralhas da vila / Castelo e cerca urbana de Sortelha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Sabugal / Sortelha

Endereço / Local

- -
Sortelha

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O mais tardio dos castelos românicos da Beira Interior (BARROCA, 2000, p.222), ergue-se sobre um maciço granítico impressionante, ligeiramente desviado em relação à vila, e mantém, ainda, grande parte da sua estrutura inicial.
São muito reduzidas as informações acerca do passado deste sítio. Alguns autores apontam uma origem proto-histórica para o local, posteriormente objecto de romanização, mas, até ao momento, esta é apenas mais uma de tantas hipóteses. O que seguramente sabemos, e podemos datar, pertence já à transição para a Baixa Idade Média, concretamente ao reinado do nosso segundo monarca: D. Sancho I. A ele se deve a fundação desta vila entre 1210 e 1212 (plausivelmente sobre um anterior nível de povoamento que futuras escavações poderão revelar), momento fundacional que se inscreve numa segunda vaga de povoamento que percorreu todo o interior beirão nestes inícios do século XIII.
"Sabemos que em 1220 já o castelo se encontrava erguido" (BARROCA, 2000, p.228), pelo que é de supor pertencer a esses inícios do século XIII a torre de menagem e grande parte da alcáçova. Com efeito, aquela grande torre quadrangular revela um formulário muito próprio da arquitectura militar românica, pelas suas modestas dimensões, implantação no centro do recinto e apoio sobre o maciço granítico (IDEM, p.221). Oitenta anos depois dos primeiros castelos românicos portugueses, construídos pelos Templários, este dispositivo defensivo - com torre de menagem central e isolada - revelava-se, ainda, efectivo para as condicionantes da guerra medieval, numa zona particularmente sensível, dada a proximidade com o reino de Leão e as discutidas terras de Riba-Côa.
As muralhas da vila devem ter sido levantadas findas as obras na alcáçova. É provável que datem já do século XIV (GOMES, 1996, p.99), na sequência de reformas promovidas por D. Dinis, ou, já mais tarde, por D. Fernando, no contexto das guerras contra Castela. O facto de a vila ter sido agraciada com novo foral, (D. Sancho II) e de ter carta de feira a partir de D. Dinis, prova a importância da localidade no contexto regional, não obstante as tentativas da vila do Sabugal em minimizar a sua existência enquanto pólo populacional e económico de certa relevância. A cerca medieval define uma planta oval irregular, rasgada por duas portas principais, a maior delas protegida por poderosas torres, à semelhança do que acontece em outras muralhas góticas do país.
Foram muitas as transformações por que passou o castelo nos séculos da Modernidade. No período manuelino, a transição para a pirobalística determinou consideráveis modificações. A "Varanda do Juiz", também conhecida por "Varanda de Pilatos", que se ergue sobre a porta virada a Noroeste, deve datar desta campanha, conforme parece depreender-se pela proximidade das armas reais manuelinas, colocadas entre o arco e a varanda. Também se terá iniciado (ou reformulado) um paço, edifício de clara importância no contexto dos castelos tardo-medievais. Em Sortelha, D. João III estabeleceu a cabeça de um condado, que entregou a seu guarda-mor, Luís da Silveira, circunstância que testemunha a relevância da localidade por essa altura. No século XVII, novas obras reforçaram a estrutura, colmatando e reformulando partes em falta. Por essa mesma altura, o recinto terá sido adaptado a prisão.
Bastante mais recentemente, já no século XX, as obras de restauro do conjunto foram as principais responsáveis pela imagem actual do monumento. Entre 1940 e 1952, numerosas partes foram reconstruídas, num processo que pretendeu reiventar parcialmente o castelo. Na década de 90, o Programa das Aldeias Históricas determinou numerosas intervenções no núcleo intra-muros, salientando-se as primeiras escavações arqueológicas e a perspectiva global de reabilitação de toda a vila.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

A fortaleza de Sortelha, Jornal Terras da Beira, 24/8/2000

Local

-

Data

-

Autor(es)

-

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

Castelos da Raia Vol. I: Beira

Local

Lisboa

Data

1996

Autor(es)

GOMES, Rita Costa

Título

A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

PERES, Damião

Título

A antiga vila de Sortelha

Local

-

Data

1979

Autor(es)

NEVES, Vítor Pereira

Título

Aspectos da evolução da arquitectura militar da Beira Interior, Beira Interior - História e Património, pp.215-238

Local

Guarda

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge