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Chafariz da Praça Municipal - detalhe

Designação

Designação

Chafariz da Praça Municipal

Outras Designações / Pesquisas

Chafariz do Terreiro / Chafariz da Praça Municipal de Caminha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Chafariz

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Caminha / Caminha (Matriz) e Vilarelho

Endereço / Local

Praça Conselheiro Silva Torres
Caminha

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

No século XV a vila de Caminha tinha uma rede urbana simples, composta por meia dúzia de arruamentos atravessados por uma artéria principal; o arruamento principal era cruzado ao meio por um vasto terreiro onde se efectuavam os mercados sazonais e as reuniões dos habitantes. Com o tempo, o terreiro assumiu a função de praça principal da vila, pelo que a edilidade se viu compelida a renovar este espaço, tornando-o no verdadeiro centro da urbe. Dessa forma, foram aí edificados os Paços do Concelho, o hospital da Misericórdia e o chafariz que abastecia a população. A construção de um fontanário há muito se tornara necessária em Caminha, uma vez que os moradores precisavam de se deslocar fora da vila para se abastecerem de água. Assim, em 1551 o Concelho determinou a construção de um chafariz, chamando o mestre vianense João Lopes o Velho para executar o projecto.
O chafariz de Caminha obedece a um programa estrutural desenvolvido anteriormente pelo mestre em fontanários construídos no Porto e em Pontevedra. Recorrendo sempre a um modelo piramidal, os chafarizes de Lopes o Velho possuem um grande tanque que assenta numa escadaria, no centro do qual se situa um pilar que suporta as taças cimeiras. O conjunto assenta num grande pilar decorado nas faces, sobre o qual se sustenta uma coluna de grandes proporções, em tudo semelhante às "colunas monstruosas" referidas por Diego de Sagredo na obra Medidas del Romano. Sobre aquela, o mestre dispôs duas taças, separadas por uma coluna abalaustrada mais pequena, sendo a taça maior decorada por seis mascarões e a segunda somente por quatro, mascarões estes que servem de canal para a saída da água. No centro da última taça assenta o pináculo, que possui na sua base pequenas máscaras utilizadas também para a passagem da água. O remate da obra é feito por um pináculo que mostra esculpido entre figuras zoomórficas o escudo da localidade para onde foi executado o fontanário.
No Chafariz do Terreiro de Caminha a coluna central foi esculpida com motivos lombardos, nomeadamente medalhões e fiadas de pérolas suspensos por "chutes" ou argolas. Os mascarões que decoram a primeira taça representam figuras de homens, alguns de longas barbas e chapéus de mareantes, outros de feições zoomórficas. Representam homens do mar, figuras lendárias de deuses marinhos, seres híbridos que parecem possuir forças sobre-humanas, ou talvez uma representação das "partidas do mundo", uma vez que algumas figuras parecem representar homens de diferentes raças, como é o caso de um negro, dois homens com chapelão de navegador, um homem coroado que lembra os indígenas sul-americanos. A coluna que suporta a segunda taça tem esculpidas figuras híbridas, serpentes com corpos transformados em folhagens, aproximando-se da taça para tocarem a água. O vaso seguinte tem esculpidas quatro gárgulas pelas quais se efectua a saída de água. O pináculo assenta numa base talhada com quatro máscaras humanas, sendo rematado por folhagens e um símbolo heráldico onde duas aves ladeiam o escudo da vila.
O Chafariz de Caminha foi elaborado segundo um programa de linguagem clássica, em que o mestre João Lopes o Velho fez a junção de uma estrutura proporcional inspirada nas ordens arquitectónicas clássicas com um programa decorativo repleto de figuras fantásticas, monstruosas, híbridas, e de elementos decorativos ao romano, demonstrando uma actualização com as novas linguagens artísticas renascentistas (OLIVEIRA, Catarina, 2002,p. 81).
Catarina Oliveira
IPPAR/2003

Imagens

Bibliografia

Título

A arquitectura de granito em Viana da Foz do Lima - Renascimento e Maneirismo no Noroeste português

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

OLIVEIRA, Catarina

Título

«A influencia dos modelos de João Lopes o Velho en tierras galegas nos albores do Barroco», Cadernos Vianenses, n.º 19

Local

Viana do Castelo

Data

1995

Autor(es)

GOY DIZ, Ana

Título

Caminha e seu concelho

Local

Caminha

Data

1985

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Viana e Caminha

Local

Porto

Data

1929

Autor(es)

GUERRA, Luís Figueiredo da