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Fonte das Figueiras (vulgarmente dita «Fonte Mourisca») - detalhe

Designação

Designação

Fonte das Figueiras (vulgarmente dita «Fonte Mourisca»)

Outras Designações / Pesquisas

Fonte das Figueiras / Fonte Mourisca / Chafariz das Figueiras (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Fonte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Santarém / Santarém / União de Freguesias da cidade de Santarém

Endereço / Local

Calçada das Figueiras
Santarém

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 27-04-1946, publicada no DG, II Série, n.º 111, de 15-05-1946 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 27-04-1946, publicada no DG, II Série, n.º 111, de 15-05-1946

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Localizada num ponto estratégico da cidade medieval, dentro do perímetro muralhado mas mantendo ligações privilegiadas com os núcleos ribeirinhos, a Fonte das Figueiras é um dos raros exemplos que chegaram até hoje de arquitectura civil gótica e de abastecimento de água às populações na Idade Média portuguesa.
Neste panorama extremamente fragmentário, os paralelos funcionais e artísticos mais imediatos estabelecem-se com a Fonte de Nossa Senhora da Conceição, em Atouguia da Baleia, - cujo arco principal é quebrado e o registo superior era coroado de ameias - e com o Chafariz dos Canos de Torres Vedras - cuja construção é contemporânea, provavelmente dos derradeiros anos do reinado de D. Dinis -.
Planimetricamente, a Fonte das Figueiras segue um modelo com outros exemplos em solo nacional e que, pensamos, ter tido efectivo sucesso neste tipo de equipamentos civis durante a nossa Baixa Idade Média: planta quadrangular delimitada por cunhais que sustentam um alpendre ameado, com arco quebrado aberto em cada alçado, sendo o principal de maior amplitude. O mesmo esquema encontramos na já citada Fonte de Nossa Senhora da Conceição e, praticamente um século depois, na Fonte quatrocentista da Vila de Ourém. As circunstâncias que permitiram a sua edificação são igualmente pouco comuns no panorama medieval português. Como se comprova pela presença de duas pedras de armas nos alçados mais importantes da fonte (a S. e a O.), a obra ficou a dever-se à acção conjunta do Município e do Rei, "D. Dinis, senão mesmo (...) D. Afonso IV" (CUSTÓDIO, 1996, p.57). Este facto, que faz com que o monumento ostente "o valor simbólico da protecção régia às obras municipais" (SERRÃO, 1990, p.38), contribuiu certamente para a excelente qualidade dos seus elementos constitutivos, produto de mão-de-obra especializada e com experiência na vasta dinâmica construtiva que por essa altura animava Santarém.
Particularmente interessante deste ponto de vista qualitativo é a acção de um mestre canteiro específico - de nome, ao que tudo indica, Ioannis, "pela forma alfabetiforme da sua sigla" -, responsável por um dos mais belos capitéis do monumento - conhecido como o "capitel dos três florões" - e que é presumivelmente o mesmo canteiro que trabalha no claustro do Convento de São Francisco de Santarém, onde uma sigla em tudo idêntica aparece numa mísula (TEIXEIRA, 1994, pp.182-183).
A qualidade artística da Fonte das Figueiras reparte-se também por toda a equipa que trabalhou ao lado deste canteiro-escultor, como se comprova pela diversidade decorativa dos elementos vegetalistas que ornam os capitéis. Esta variedade de formas foi já objecto de análise por parte de Francisco Teixeira (TEIXEIRA, 1994, p.184), e ainda que os paralelos estilísticos mais imediatos não sejam facilmente identificáveis - em especial pela dificuldade que hoje sentimos em caracterizar o Gótico lisboeta -, a Fonte das Figueiras insere-se plenamente no percurso artístico que a escultura vegetalista de capitéis trilhou ao longo do século XIV, desde os ensaios ainda imperfeitos do claustro da Sé de Lisboa até ao exemplo acabado da igreja Matriz da Lourinhã, seguindo a linha evolutiva traçada por Mário Chicó (CHICÓ, 1954, pp.118-120).
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Santarém

Local

Lisboa

Data

1949

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

História e Monumentos de Santarém

Local

-

Data

1993

Autor(es)

SARMENTO, Zeferino

Título

III. Fonte das Figueiras (vulgo «Fonte Mourisca»), Património Monumental de Santarém

Local

-

Data

1995

Autor(es)

CUSTÓDIO, Jorge

Título

Santarém

Local

-

Data

1990

Autor(es)

SERRÃO, Vítor