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Castelo de Noudar - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Noudar

Outras Designações / Pesquisas

Castelo de Nodar
Castelo de Noudal / Fortificação de Noudar (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Beja / Barrancos / Barrancos

Endereço / Local

Herdade da Coitadinha
Barrancos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Ao contrário do que tem sido sucessivamente repetido, a história do castelo de Noudar não tem início na época da reconquista, mas algum tempo antes, muito provavelmente nos séculos X ou XI, altura em que se terá edificado uma torre ou um pequeno castelo, que tinha como missão o controlo sobre a via que ligava a Beja (REGO, 2003, p.74). Desse reduto primitivo, as escavações arqueológicas ainda não revelaram qualquer vestígio, mas conserva-se parte da muralha Sul, em taipa revestida por alvenaria da fase construtiva gótica, o que aponta para uma pré-existência islâmica (com grande probabilidade já do século XII e devida aos almóadas), à qual se subordinou, ao menos parcialmente, o castelo que D. Dinis posteriormente promoveu (IDEM).
A actual configuração da fortaleza deve-se à nova ordem cristã implantada nesta região ao longo do século XIII. No entanto, não é certo que imediatamente após a reconquista do território se tenham realizado obras no reduto militar, não obstante a sua óbvia posição de fronteira. Em 1253, a povoação recebeu foral de Afonso X de Castela, juntamente com outras localidades do Além-Guadiana, entre as quais Moura e Serpa. Ela haveria de passar para a posse portuguesa cerca de meio século depois, pelo tratado de paz entre D. Dinis e Fernando IV, celebrado em 1295. É só a partir dessa data que encontramos as primeiras referências à vontade régia de erguer aqui um reduto militar relevante. Em Dezembro desse mesmo ano, D. Dinis passou carta de foral à vila e, oito anos depois, o monarca entregou-a à Ordem de Avis, ficando esta instituição obrigada a lavrar "esse castello de boo muro e" fazer "y huum boom Alcaçar forte" (BARROCA, 2000, p.1339).
Do castelo então mandado erguer pelo Mestre D. Lourenço Afonso chegaram duas importantes inscrições, ambas atribuídas a 1308. A primeira, datada de 1 de Abril de 1308, comemora a acção do mestre de Avis na fundação do castelo e no povoamento da vila. A segunda, criticamente atribuída ao ano de 1308 (IDEM, pp.1359-1360), noticia o empenho do comendador Aires Afonso na edificação da torre de menagem. Por estas duas informações, é fácil perceber como a definição do sistema defensivo de Noudar foi uma prioridade para a Ordem de Avis nesses primeiros anos do século XIV.
A estrutura gótica então erguida conserva-se genericamente e dela fazem parte dois espaços essenciais: a alcáçova e a cerca da vila. Aquela ocupa o sector meridional do conjunto e é de planta quadrangular irregular, onde sobressai a torre de menagem, poderosa estrutura elevada a c. 18 metros de altura e que protege activamente a entrada no recinto. De planta quadrangular, e construção cuidada, possui cisterna interior e duas portas de acesso a pisos distintos. A cerca é bastante maior que a alcáçova e possui 10 torreões adossados, o principal protegendo a porta da vila.
Como fortaleza de fronteira, foram muitas as ocasiões em que passou de Portugal a Castela, e vice-versa, tendo sido o século XIV particularmente fértil. Quando Duarte d'Armas a desenhou, em 1509, não parece que tivessem existido assinaláveis obras de reconfiguração, à excepção, talvez, das barbacãs que circundavam o castelo, estruturas defensivas mais características do século XV. De novo na posse de espanhóis em 1644 e em 1707, a sua vulnerabilidade não foi suficiente para que se empreendessem obras de abaluartamento, ao contrário do que sucedeu, por exemplo, em Elvas, facto que consolidou a imagem medieval do conjunto.
A partir do século XVIII, a história deste castelo é a de um abandono progressivo, consumado em 1893 com a sua venda a um privado, João Barroso Domingues, importante proprietário de Barrancos. Só em 1997, mais de um século depois, a autarquia conseguiu adquirir o conjunto, desenvolvendo-se, a partir de então, um projecto de investigação arqueológica sistemática que, para já, revelou alguns níveis da presença islâmica no local.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Le Portugal musulman

Local

Paris

Data

2000

Autor(es)

PICARD, Christophe

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

GIL, Júlio, CABRITA, Augusto

Título

Auto d'uma posse do Castelo de Noudar e Inventario do que la existia no sec. XVI, O Archeólogo Portuguez, 1ª série, nº5, pp.146-151

Local

Lisboa

Data

1900

Autor(es)

AZEVEDO, Pedro A. de

Título

Inscrições árabes de Noudar, Arqueologia Medieval, nº2, pp.215-217

Local

Porto

Data

1993

Autor(es)

BORGES, Artur Goulart de Melo

Título

Noudar-1982, Informação Arqueológica, nº5, pp.39-40

Local

Lisboa

Data

1985

Autor(es)

TORRES, Cláudio

Título

O legado islâmico em Portugal

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio

Título

O Livro das Fortalezas de Duarte Darmas (edição anotada)

Local

Lisboa

Data

1943

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

300 Sítios arqueológicos visitáveis em Portugal, Al-madan

Local

Almada

Data

2001

Autor(es)

RAPOSO, Jorge

Título

A ocupação islâmica de Noudar, Arqueologia Medieval, nº8, pp.69-82

Local

Porto

Data

2003

Autor(es)

REGO, Miguel

Título

O Castelo de Noudar - fortaleza medieval

Local

Barrancos

Data

1986

Autor(es)

COELHO, Adelino de Matos

Título

O porquê de Barrancos

Local

Amadora

Data

2000

Autor(es)

FRANCO, Norberto

Título

O espaço medieval da Reconquista no Sudoeste da Península Ibérica

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

GARCIA, João Carlos

Título

Memória sobre os Forais - Noudar, Terras Portuguesas, vol. I, pp.382-384

Local

Póvoa do Varzim

Data

1932

Autor(es)

LIMA, Baptista de

Título

Investigações arqueológicas no Castelo de Noudar, Arqueologia en el Entorno del Bajo Guadiana. Actas del Encuentro Internacional de Arqueologia del Suroeste, pp.37-53

Local

Huelva

Data

1994

Autor(es)

REGO, Miguel

Título

Noudar, fortaleza militar do século XVI - notícia histórica, Boletim da Associação dos Architectos Civis e Archeólogos Portuguezes, vol. 11, nº10

Local

Lisboa

Data

1909

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Levantamento documental sobre Noudar e Barrancos existente na Torre do Tombo, Cadernos do Museu, nº1, pp.5-38

Local

Barrancos

Data

1998

Autor(es)

PÁSCOA, Marta

Título

Boas práticas. Castelo de Noudar: a reconstrução da torre sudoeste., Pedra e Cal, nº 51, pp. 18-19

Local

Lisboa

Data

2011

Autor(es)

SILVA, André Lourenço e