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Castelo e muralhas de Trancoso - detalhe

Designação

Designação

Castelo e muralhas de Trancoso

Outras Designações / Pesquisas

Castelo e cerca urbana de Trancoso (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Trancoso / Trancoso (São Pedro e Santa Maria) e Souto Maior

Endereço / Local

- -
Trancoso

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 7 586, DG, I Série, n.º 138, de 8-07-1921 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 29-10-1955, publicada no DG, II Série, n.º 285, de 10-12-1955 (sem restrições) (ZEP da Capela e Muralhas de Trancoso, do Pelourinho de Trancoso e da Capela de Santa Luzia)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As origens do castelo de Trancoso remontam aos inícios da castelologia nacional. A primeira referência conhecida data de 960, e consta de um dos mais importantes documentos altimedievais portugueses: a doação de D. Chamôa Rodrigues, ao Mosteiro de Guimarães, de numerosas estruturas (militares e, eventualmente, também civis) que detinha na Beira Interior. Por este documento, é possível perceber que esta faixa de território esteve militarmente organizada logo a partir dos inícios do século X, altura de grande expansão da esfera civilizacional asturiano-leonesa.
Dessa primeira época, conserva-se uma torre, posteriormente adaptada a torre de menagem do castelo. De planta quadrada, silhueta tronco-piramidal e aparelho não-isódomo (ostentando os silhares ranhuras para enquadrar as fiadas superiores), a torre possui uma porta rasgada em arco em ferradura, elemento que confirma a sua cronologia pré-românica (BARROCA, 1990/91 e 2000).
A entrada da Beira Interior na posse da coroa portuguesa, já no século XII, e a importância estratégica desta zona face ao reino de Leão, levou a que muitos castelos raianos fossem objecto de reforma e de actualização. Trancoso não foi excepção, tanto mais tratando-se, nessa altura, de uma das principais localidades da região, a par da Guarda e da Covilhã (GOMES, 1996, p.119).
A construção românica do castelo dotou a antiga torre de uma cintura de muralhas e converteu-a em torre de menagem. Já no século XIII, de acordo com a interpretação de Mário Barroca, esta cerca foi complementada com vários torreões de planta rectangular, o que permitiu o "tiro flanqueado" (BARROCA, 2000, p.225). A estrutura irregular da planta, que se adaptou às condicionantes do terreno, é outra característica que podemos associar ao período românico, embora o esquema oval do castelo possa datar já do reinado de D. Dinis.
É precisamente a este último reinado que se atribui a maior fase construtiva desta fortaleza medieval, na sequência da consolidação fronteiriça proporcionada pelo Tratado de Alcanices. Para além de eventuais obras no castelo, o burgo foi totalmente amuralhado, ao abrigo de um programa reformador do próprio urbanismo da vila. A cerca enquadrou totalmente o casario e as portas foram concebidas como símbolos da autoridade régia e municipal. Ladeadas por maciças torres, as portas de El-Rei e do Prado (as que se conservam) são as mais emblemáticas imagens da cidade.
O interior das muralhas foi, também, alvo de grande reformulação. Mário Barroca chamou-lhe "Urbanismo criado" e estamos, de facto, na presença de um dos melhores exemplos de urbanismo gótico português. As ruas paralelas, de quarteirões regulares (BARROCA, 2000, p.225) revelam a amplitude desse programa, que chegou até aos nossos dias e que, recentemente, tem sido alvo de renovado interesse.
Os séculos seguintes não tiveram o mesmo impacto no castelo e nas muralhas de Trancoso, como os tempos medievais. Existem notícias de obras ao longo dos séculos XIV e XV, facto que confirma a constante preocupação em actualizar os sistemas defensivos da cidade. Na época moderna, Trancoso manteve o seu estatuto de fortificação importante regional, aqui se aquartelando diversos contingentes de soldados, em especial o de William Beresford, em 1809, no contexto das invasões napoleónicas.
Em meados do século XIX, a arruinada capela de Santa Bárbara, no interior do recinto, foi adaptada a paiol, mas tal função nunca chegaria verdadeiramente a efectivar-se. Pela mesma altura, a edilidade começava a desmantelar as muralhas, com vista à utilização de material em obras públicas, como a pavimentação das vias. O período mais grave de destruição ocorreu na viragem para o século XX, altura em que, em nome da modernidade, algumas portas e torres foram destruídas. Invertida a situação, o vasto programa restaurador da DGEMN, iniciado na década de 30, levou à reinvenção de algumas partes entretanto destruídas, como troços de muralha e ameias.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

GIL, Júlio, CABRITA, Augusto

Título

Do Castelo da Reconquista ao Castelo Românico (Sec. IX a XII), Portugália, nova série, vols. XI-XII, pp.89-136

Local

Porto

Data

1991

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge

Título

Castelos da Raia Vol. I: Beira, 2ªed.

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

GOMES, Rita Costa

Título

A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

PERES, Damião

Título

A maravilhosa história dos mais belos castelos de Portugal

Local

Porto

Data

1969

Autor(es)

PERES, Damião

Título

Castelos Portugueses

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor

Título

Castelos da Beira histórica

Local

Porto

Data

1922

Autor(es)

BEÇA, Humberto

Título

Terras de Trancoso

Local

Porto

Data

1932

Autor(es)

MOREIRA, David Bruno Soares

Título

Trancoso, terra de sonho e de maravilha

Local

Trancoso

Data

1982

Autor(es)

TEIXEIRA, Irene Avilez

Título

Trancoso. Notas para uma monografia, 2ªed.

Local

Trancoso

Data

1989

Autor(es)

CORREIA, Joaquim Manuel

Título

Aspectos da evolução da arquitectura militar da Beira Interior, Beira Interior - História e Património, pp.215-238

Local

Guarda

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge