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Ponte do Prado, sobre o Cávado - detalhe

Designação

Designação

Ponte do Prado, sobre o Cávado

Outras Designações / Pesquisas

Ponte do Prado, sobre o rio Cávado / Ponte do Prado (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Ponte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Braga; Vila Verde / Merelim (São Paio), Panoias e Parada de Tibães; Palmeira; Vila de Prado

Endereço / Local

Estrada Nacional 201, ao km 59
Lugar da Ponte

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A ponte do Prado, sobre o rio Cávado, foi um dos mais importantes pontos de passagem na geografia medieval do Entre-Douro-e-Minho. Implantada na via que ligava Braga a Ponte de Lima, o seu "aspecto actual denuncia bem as multiplicadas reconstruções que teve nas épocas medieval e moderna" (ALMEIDA, 1998, p.349), facto que, por sua vez, comprova a importância desta estrutura ao longo dos séculos.
A construção inicial parece remontar ao período romano, uma vez que aqui se encontrou um marco miliário, do tempo de Augusto. Inserida numa área que conta com cada vez mais vestígios de romanização, esta passagem colocava em contacto Bracara Augusta com os territórios do Noroeste, no fundo, era parte integrante da via de maior importância neste contexto regional.
Na Idade Média, os caminhos romanos continuaram a ser utilizados (na maior parte dos casos, continuaram a ser os únicos existentes). É nesta nova realidade que a Ponte do Prado foi objecto de uma primeira reforma. Entre o centro religioso de Portucale (Braga) e a vila mais antiga do país (Ponte de Lima), o Prado continuou a desempenhar uma incontornável função de primazia para quem se deslocava entre o Sul e o Norte. Permanece a lenda de um rei leonês que, para se encontrar com uma mulher de quem se havia enamorado, a mandou reparar, informação lendária que, em todo o caso, reforça o estatuto da ponte em tempos medievais. Nos séculos seguintes, em torno do Prado desenvolveu-se um povoado de relativa relevância regional, que recebeu foral de D. Afonso III, em 1260, numa altura de intensa reorganização do país pós-guerra civil.
Em 1510, a velha ponte medieval foi destruída por uma cheia do Cávado. A sua reconstrução não parece ter sido executada com grande qualidade, pois um século depois ameaçava já ruir. Data do século XVII a mais importante reforma, responsável pelo aspecto actual da estrutura. Em 1616, segundo projecto de António de Castro e em pleno contexto filipino, ela foi totalmente reconstruída, facto que, se por um lado, determinou a destruição de qualquer vestígio da construção medieval, por outro renovou este local de passagem, dotando-o de condições modernas de travessia e de atracção dos homens. A memória dessa empreitada foi perpetuada numa inscrição que contempla as armas reais dos Filipes e as dos condes do Prado, assim como a origem do arquitecto: "António de Castro de a vila de Vianna" (RIBEIRO, 1998, p.63).
A configuração seiscentista da ponte revela um projecto algo heterogéneo, porventura resultante das pré-existências de origem medieval e eventualmente quinhentista. Nove arcos desiguais (ora de volta perfeita, ora de perfil quebrado), reforçados por talhamares triangulares, sustentam um tabuleiro de duas rampas horizontais, de que se destacava o varandim saliente, verdadeiro miradouro cenográfico onde se concentraram as armas dos financiadores e as inscrições comemorativas. Ainda deste projecto fazia parte um cruzeiro, dedicado ao Senhor da Ponte, do lado Norte, mas que não chegou até aos nossos dias.
A história recente desta ponte tem sido atribulada, entre a necessidade de ser restaurada e o constante adiamento de intervenção. Em 1963 e 1976, por ameaças iminentes de ruína em consequência do abundante tráfego rodoviário, a Junta Autónoma de Estradas realizou trabalhos de consolidação e de substituição dos pavimentos. Bem mais recentemente, o Instituto de Estradas de Portugal procedeu à limpeza dos pilares. Na actualidade, a ponte permanece aberta ao trânsito de ligeiros, mas aguarda, ainda, a definição de um projecto integral de conversão.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Pontes Antigas Classificadas

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

RIBEIRO, Aníbal Soares

Título

Vias Medievais. I Entre Douro e Minho

Local

Porto

Data

1968

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

História da Arte em Portugal - o Gótico

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge

Título

Caminhos medievais no Norte de Portugal, Caminhos portugueses de peregrinação a Santiago, pp.339-356

Local

Santiago de Compostela

Data

1998

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

A vila do Prado

Local

Braga

Data

1955

Autor(es)

ABREU, Leonídio