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Restos da Igreja da Graça - detalhe

Designação

Designação

Restos da Igreja da Graça

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Loulé / Loulé (São Clemente)

Endereço / Local

Largo Tenente Cabeçadas
Loulé

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 9 842, DG, I Série, n.º 137, de 20-06-1924 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 425/85, DR, I Série, n.º 152, de 5-07-1985 (sem restrições) (ZEP dos restos do castelo, da Igreja matriz, da Capela de Nossa Senhora da Conceição, do portal e cruzeiro da Misericórdia e dos restos da Igreja da Graça) (ver Portaria)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O mais antigo convento de Loulé chegou aos nossos dias em deplorável estado, no que "constitui uma diminuta imagem do que foi decerto um dos mais majestosos edifícios religiosos da urbe louletana" (CARRUSCA, 2001, p.79). "Varias capellas, hoje transformadas em casas de habitações de famílias pobres, ainda denotam a sua primitiva grandesa" (OLIVEIRA, 1905, p.97), mas quase tudo foi destruído ou substancialmente transformado nos séculos XVIII, por força do terremoto de 1755, e XIX, após ter sido alienado a privados na sequência da extinção das Ordens Religiosas.
A construção iniciou-se na primeira metade do século XIV, por iniciativa da Ordem de São Francisco que se estabeleceu na cidade por volta de 1328. Esta data prova como o surto mendicante se estendeu ao Algarve numa segunda fase de povoamento e de consolidação do território; se o novo reino não contou com o estabelecimento de franciscanos e de dominicanos no século XIII, quando estas comunidades se espalharam pelos principais centros do país, vamos encontrá-los logo nos inícios do século seguinte na secção mais meridional de Portugal (Loulé e Tavira).
Um modesto portal gótico, relativamente afastado das muralhas para nascente, é o elemento mais visível deste antigo conjunto e um dos poucos que confirma o antigo estabelecimento fora das muralhas. A sua configuração denuncia o modelo comum de portais de arquitectura religiosa dos séculos XIII a XV: inscrito num gablete superiormente truncado, compõe-se de três arquivoltas, que repousam numa linha de imposta horizontal e em capitéis de decoração vegetalista "já evoluída" (DIAS, 1994, 112). A envolver a arquivolta exterior existe um pequeno friso denteado, composição que se repete nas extremidades do gablete. Este é ainda decorado axialmente por uma estrela pentagonal, que encima a entrada e domina a passagem.
Estamos muito mal informados acerca da marcha das obras do convento. Em inícios do século XV, praticamente um século depois da fundação, há notícia de uma campanha construtiva, realizada pelo município e que incidiu sobre, pelo menos, o alpendre do claustro (CARRUSCA, 2001, p.78), facto que comprova estar este espaço já concluído há alguns anos, senão mesmo décadas.
Cerca de cento e cinquenta anos depois, no mesmo ano em que Portugal passava para a coroa espanhola, os franciscanos abandonaram o convento. Este passou para a posse dos Agostinhos, que então alteraram a sua designação para Nossa Senhora da Graça, como ficou até hoje. Também não conhecemos suficientemente bem os trabalhos então desenvolvidos. O adiantado estado de ruína em que os franciscanos o deverão ter deixado, bem como o impulso renovador dos novos proprietários, são dados que certamente determinaram uma extensa empreitada, mas cujos contornos permanecem bastante obscuros. A fachada principal da ala conventual ainda se mantém, revelando um edifício barroco urbano, de dois pisos, organizado segundo critérios de rigorosa simetria e de intenção cenográfica.
Em 1834, extintas as Ordens Religiosas, o convento foi vendido por "500$000 reis e as suas duas cercas por 300$000 reis" (OLIVEIRA, 1905, p.98). A partir dessa data, o monumento foi sucessivamente alienado, registando-se a dispersão da propriedade por vários titulares. Na actualidade, o conjunto representa um dos mais interessantes objectos de estudo da história louletana, aguardando-se, ainda, um rigoroso estudo de reconstituição histórico-artística.
PAF

Bibliografia

Título

A arquitectura gótica portuguesa

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Loulé. História e expansão urbana

Local

Loulé

Data

1996

Autor(es)

SERRA, Pedro

Título

Loulé. O património artístico

Local

Loulé

Data

2001

Autor(es)

CARRUSCA, Susana

Título

Monografia do Concelho de Loulé

Local

Porto

Data

1905

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde