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Porta e cruzeiro da Misericórdia de Loulé (designação do diploma de classificação) - detalhe

Designação

Designação

Porta e cruzeiro da Misericórdia de Loulé (designação do diploma de classificação)

Outras Designações / Pesquisas

Portal e cruzeiro da Misericórdia de Loulé
Portal e cruzeiro da Igreja de Nossa Senhora dos Pobres / Igreja e Hospital de Nossa Senhora dos Pobres / Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Loulé (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Loulé / Loulé (São Clemente)

Endereço / Local

Avenida Marçal Pacheco
Loulé

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 9 842, DG, I Série, n.º 137, de 20-06-1924 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 425/85, DR, I Série, n.º 152, de 5-07-1985 (sem restrições) (ZEP dos restos do castelo, da Igreja matriz, da Capela de Nossa Senhora da Conceição, do portal e cruzeiro da Misericórdia e dos restos da Igreja da Graça) (ver Portaria)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja da Misericórdia de Loulé "apresenta o mais expressivo conjunto de elementos manuelinos da arquitectura religiosa da cidade" (CARRUSCA, 2002, p.88). O seu portal principal, de arco abatido envolto por uma estrutura decorativa festonada, de composição torsa, é o elemento que melhor define essa campanha manuelina. Lateralmente, é delimitado por duas colunas torsas, que se prolongam em altura bem acima da pedra de fecho do arco e que terminam em pináculos com cogulhos. Através dele, a fachada principal adquire real monumentalidade cénica, facto que reforça a própria elevação do templo em relação ao adro fronteiro, este definido a uma cota mais baixa e ligado à igreja através de uma escadaria. Igualmente manuelina é a janela do segundo registo desta fachada principal, rasgada axialmente em relação ao portal e repetindo, a uma escala bem mais modesta, o festonado torso que envolve o arco de entrada. As semelhanças para com o produto da fachada principal da igreja Matriz de Alte "permitem verificar que ambos foram concebidos e executados pela mesma oficina" (CARRUSCA, 2002, p.89).
As origens do templo estão longe de estar esclarecidas, mas é certo que remontam a períodos anteriores ao reinado de D. Manuel. As escassas informações disponíveis dão conta da provável existência de uma albergaria que, no século XV e por intermédio de D. Afonso V (1471), passou a Hospital, tomando então a designação de Nossa Senhora dos Pobres. Ainda hoje é reconhecível que a igreja foi construída no seio de um conjunto edificado homogéneo mais vasto, que corresponde, na actualidade, ao Hospital de Loulé, mas que, na origem, deveria ter outra configuração.
A passagem de Capela do Hospital a Igreja da Misericórdia aconteceu em 1570, altura em que D. Sebastião ordenou a sua anexação pela Santa Casa da Misericórdia. Esta, documentada pela primeira vez em 1568 (PINTO, 1968, p.263), devia estar em processo de estruturação, pelo que, a seu tempo, passou a tutelar o antigo Hospital quatrocentista e, por arrastamento, a sua capela. Por essa mesma altura, o interior foi enriquecido artisticamente, como o prova a tábua alusiva ao Calvário, pintura maneirista inicialmente atribuída a Bonaventura dos Reis, o mais importante pintor maneirista por terras de Loulé, mas cujos estudos mais recentes tendem a inviabilizar esta hipótese (SERRÃO, 1997).
Na segunda metade do século XVII, Hospital e Misericórdia separaram-se. A partir daqui, não se conhecem grandes campanhas arquitectónicas ou decorativas no templo. O actual remate da fachada principal, em frontão curvo levemente abatido e interrompido, ao centro, para formar a base de uma cruz, é o resultado de uma intervenção pontual e modesta pós-terramoto de 1755, depois de parte do tempo ter entrado em ruína, como nos informa um relato anónimo da tragédia (CARRUSCA, 2002, p.125).
Em frente da igreja, hoje integrado na escadaria de acesso ao templo, e repousando sobre uma coluna moderna, existe o segundo grande elemento manuelino do conjunto: um cruzeiro de dupla face, onde se representa Cristo Crucificado e Nossa Senhora do Ó. "Ambas denotam uma certa contenção formal verificando-se nalguns pormenores uma certa rudeza de tratamento" (CARRUSCA, 2002, p.90). Em todo o caso, constitui um elemento devocional de primeira importância no contexto quinhentista de Loulé, relacionando, num mesmo ponto, as Paixões da Virgem e de Cristo, o nascimento e a morte do Salvador, temática tão cara aos fins da medievalidade.
PAF

Bibliografia

Título

As Misericórdias do Algarve

Local

Lisboa

Data

1968

Autor(es)

PINTO, Maria Helena Mendes, PINTO, Victor Roberto Mendes

Título

Loulé. História e expansão urbana

Local

Loulé

Data

1996

Autor(es)

SERRA, Pedro

Título

Loulé. O património artístico

Local

Loulé

Data

2001

Autor(es)

CARRUSCA, Susana

Título

Monografia do Concelho de Loulé

Local

Porto

Data

1905

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde