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Dólmen da Orca, ou Lapa da Orca - detalhe

Designação

Designação

Dólmen da Orca, ou Lapa da Orca

Outras Designações / Pesquisas

Orca de Fiais da Telha / Dólmen da Orca / Lapa da Orca(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Dolmen

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Carregal do Sal / Oliveira do Conde

Endereço / Local

-- -
Fiais da Telha

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Localmente mais conhecido por "Orca de Fiais da Telha", o "Dólmen da Orca ou Lapa da Orca" ergue-se no Planalto do Ameal, a cerca de um quilómetro e meio para sudeste da localidade que lhe fica mais próxima, Fiais da Telha, entre o rio Mondego, a Sul, e a ribeira da Azenha, a noroeste.
Na verdade, situa-se numa região particularmente propícia à fixação de comunidades humanas, como se comprova pelos inúmeros e eclécticos vestígios de actividade humana inventariados até ao momento, datáveis desde o período pré-histórico. Uma situação que poderá ser facilmente entendida à luz das excelentes características geomorfológicas e orográficas deste termo, conferindo uma diversidade e quantidade de recursos cinegéticos que dificilmente poderiam ser ignorados por quem buscava a sobrevivência e estabilidade da sua própria espécie.
Esta mesma realidade é de igual modo comprovada pela presença de vários testemunhos megalíticos, de entre os quais se destaca o arqueossítio em epígrafe.
Construído durante o Neo-calcolítico definido para esta zona do actual território português, o dólmen da Orca mantém ainda intactos os nove esteios que compõem a câmara funerária de planta poligonal, constituindo um dos exemplares de maior monumentalidade desta tipologia arqueológica até agora identificados na região. Disso nos certificam os três metros de altura da câmara sepulcral, para além dos sete metros e meio de comprimento do corredor (do qual remanescem quinze esteios) e, sobretudo, da mamoa - ou tumulus - que cobriria totalmente o sítio na origem, com quase vinte metros de diâmetro. Acresce que o monumento ainda ostenta a laje - ou "chapéu" - da cobertura da câmara, assim como algumas das que protegiam a antecâmara e o próprio corredor.
Essencialmente estudado entre as décadas de oitenta e noventa pelos arqueólogos João Carlos Senna-Martínez e José Manuel Quintã Ventura, no âmbito do "Programa de Estudos Arqueológicos da Bacia do Médio e Alto Mondego", o dólmen forneceu, durante as escavações nele conduzidas, materiais determinantes para o estabelecimento de uma diacronia ocupacional balizada entre o Neolítico e a Idade do Bronze.
De um ponto de vista meramente morfológico, este exemplar inserir-se-á num dos tipos de sepulcros sob tumuluspropostos para o megalitismo da Beira Alta (JORGE, S. O., 1994, pp. 134-135) e, mais propriamente, no segundo grande agrupamento apresentado neste esquema, onde se incluem os "[...] dólmens de câmara, em regra, poligonal, e corredor bemdiferenciado (curto ou longo) [...]." (Id., Idem, p. 135), edificados grosso modo entre os finais do IV-inícios do III milénio a. C., coincidindo, por conseguinte, com o entendimento genérico de Neolítico final desta região.
É, em todo o caso, possível que as diferentes morfologias observadas nos dolmens da Beira Alta tenham coexistido e não resultem, propriamente, de um processo evolutivo tout court, decorrendo, pelo contrário, "[...] de uma diferenciação social emergente no seio de comunidades ainda de raiz igualitária; e, neste sentido, o interesse do estudo do megalitismo poderá ser o de ter fossilizado, sob a forma de uma arquitectura da terra e da pedra, um processo capital de evolução estrutural da sociedade. (Ibid.).
Enquanto isto, recolocaram-se os esteios tombados na sua posição primitiva e consolidou-se o monumento, ao mesmo tempo que foi enquadrado na paisagem envolvente de forma a interromper os actos vandálicos e a garantir a valorização cultural e turística do sítio, entretanto apresentado e integrado no "Circuito pré-histórico Fiais/Azenha".
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

Guia de Portugal, Beira II - Beira Baixa e Beira Alta

Local

Lisboa

Data

1984

Autor(es)

DIONÍSIO, Sant'Ana

Título

A consolidação do sistema agro-pastoril, Nova História de Portugal

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

JORGE, Susana de Oliveira

Título

Novos monumentos megalíticos no concelho de Carregal do Sal, Viseu: notícia preliminar, Trabalhos de Arqueologia da E.A.M.

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

VENTURA, José Manuel Quintã