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Igreja de Serzedelo - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Serzedelo

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Santa Cristina de Serzedelo / Igreja Paroquial de Serzedelo / Igreja de Santa Cristina (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Guimarães / Serzedelo

Endereço / Local

- -
Mosteiro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 14 425, DG, I Série, n.º 228, de 15-10-1927 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 21-09-1959, publicada no DG, II Série, n.º 226, de 26-09-1959 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 21-09-1959, publicada no DG, II Série, n.º 226, de 26-09-1959

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O conjunto de construções onde se integra a igreja de Santa Cristina de Serzedelo é um dos mais interessantes núcleos religiosos baixo-medievais do Entre-Douro-e-Minho. Ao longo de quatro séculos aqui se construiu uma igreja românica, um narthex já gótico, um muro-campanário igualmente do século XIII e uma capela funerária - hoje servindo como sacristia -, datada já do período em que o Gótico avançava para o fim da Arte da Idade Média.
Nos últimos anos, este conjunto tem sido objecto de algumas avaliações historico-artísticas contraditórias. Para este estado de coisas, muito contribui a sucessão de construções estilisticamente quase incaracterísticas e a feição rude e modesta, própria de uma arquitectura rural, de todos estes elementos. Em todo o caso, é possível detectar três grandes fases, diferenciadas em outros tantos séculos, ao contrário da diacronia larga sugerida por Carlos Alberto Ferreira de Almeida, que englobou todo este conjunto "entre os meados do século XIII e os inícios do século XIV" (ALMEIDA, 1986, vol. 3, p.80).
Desta forma, a parte mais antiga é a igreja. Construída, muito provavelmente, sobre anteriores ocupações da Alta Idade Média (mas de que não se identificaram, até agora, quaisquer vestígios materiais), os capitéis do arco triunfal, decorados com motivos vegetalistas, apresentam uma técnica e um desenho enquadrável na produção românica de meados do século XII, convicção reforçada pelo despojamento decorativo dos ábacos piramidais e do encordoado dos astrágalos (GRAF, 1986, vol. 2, p.45). Esta fase construtiva corresponderá à primitiva fundação de um mosteiro eremítico agostinho, facto que ajuda a compreender a simplicidade e rudeza da construção, destinada a uma pequena comunidade, de recursos insignificantes.
Tipologicamente, a igreja de Santa Cristina de Serzedelo é mais um dos muitos templos românicos tardios que tanto caracterizam o nosso território artísticos dos séculos XII e XIII: nave única com capela-mor rectangular, justaposta, formando um maciço conjunto de estrutura muito simples. A iluminação é extremamente escassa, recorrendo a apertadas frestas verticais dispostas harmoniosamente ao longo das paredes laterais da nave e outra aberta sobre o arco triunfal. Originalmente, uma pequena rosácea, na fachada principal, filtrava um pouco mais de luz para o interior, mas a campanha de construção do narthex determinou o seu parcial entaipamento.
No século XIII deu-se a segunda grande campanha construtiva, datando, desse período, o narthex e o muro-campanário que definem o conjunto religioso, pelo lado ocidental. O narthex constitui o elemento de maior interesse, visto ser um dos poucos originais que se conservaram até hoje, e dos raros de carácter funerário. A sua construção deve ter-se dado imediatamente após a conclusão do templo, uma vez que este corpo avançado "usa a mesma técnica e os mesmos formulários construtivos da igreja" (ALMEIDA, 1986, vol. 3, p.80). A decoração, contudo, é muito característica de um período de transição para o Gótico, no entre-Douro-e-Minho: muito escassa, linear e esquemática, à base de motivos geométricos, como bolas, um elemento que vamos ver aparecer nas construções modestas do Norte do país até, pelo menos, ao século XIV. Esta convicção tardia é ainda sugerida pelas analogias de perfil para com o portal principal da igreja de São Miguel do Castelo (ALMEIDA, 1986, vol. 3, p.80).
A terceira, e última, fase construtiva deste conjunto, deu-se já nos séculos XIV ou XV, quando se construiu a pequena capela funerária, a Sul da capela-mor, e que actualmente serve como sacristia do templo. Desconhece-se quem patrocinou esta obra, mas a sua cronologia está relativamente estabelecida pela janela gótica, rasgada a nascente, de duplo lume e impostas chanfradas. No interior, conservam-se ainda interessantes vestígios de pintura mural, muito degradados, e cuja tentativa de consolidação, efectuada em 1978, pela DGEMN, não colocou termo à sua deterioração.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Portugal roman, vol. II

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

Guimarães - roteiro turístico

Local

Guimarães

Data

1995

Autor(es)

FONTE, Barroso da

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Igreja de Santa Cristina de Serzedelo. Boletim da DGEMN, nº96

Local

-

Data

-

Autor(es)

-