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Igreja românica de Adeganha - detalhe

Designação

Designação

Igreja românica de Adeganha

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Santiago Maior, matriz de Adeganha / Igreja Paroquial de Adeganha / Igreja de São Tiago Maior (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Bragança / Torre de Moncorvo / Adeganha e Cardanha

Endereço / Local

-- -
Adeganha

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 33 587, DG, I Série, n.º 63, de 27-03-1944 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Referida na documentação oficial, pela primeira vez, no século IX, a povoação de Adeganha recebeu foral em 1259, no reinado de D. Afonso III; terá sido nesta época que a actual igreja matriz foi construída, possivelmente reaproveitando a estrutura de um oratório de fundação anterior.
A estrutura do templo mantém a tipologia tardo-românica, com planta rectangular disposta longitudinalmente. A fachada, terminada em empena com dupla sineira, apresenta ao centro portal, de arco quebrado, com três arquivoltas decoradas com enxaquetados e boleados. Por cima da pedra de fecho foi insculpida uma cruz, e sobre esta, do lado esquerdo, gravou-se em relevo a representação de três figuras femininas, que frequentemente se identifica como a cena de um parto.
Os alçados laterais são rematados por fiadas de cachorros antropomóficos e zoomórficos, possuindo ambos arcosólios embutidos nos panos murários. Na fachada lateral esquerda, o arcosólio alberga um túmulo, e foi rasgada uma porta em arco pleno, decorada com estrelas. Na fachada oposta, foi gravado um alto relevo com duas figuras, uma delas deitada e a outra ajoelhada junto dela. A sacristia, adossada à capela-mor, é de construção mais tardia.
De nave única, o interior destaca-se pelo ambicioso programa decorativo, que integra pintura mural, pintura a óleo, e talha dourada barroca.
A nave conserva elementos de quatro campanhas, distintas, de pintura mural, datáveis entre os últimos anos do século XV e o final da década de 30 do século XVI (BESSA, 2004, p. 172). Do primeiro programa "(...) conservam-se três registos, cujos temas são de difícil identificação dada a palidez do desenho e das cores (...)" (idem, ibidem).
Da segunda campanha, destaca-se a representação de São Cristóvão, que se estende a toda a altura da parede do lado da Epístola. De uma terceira fase decorativa, restam São Bartolomeu, também do lado da Epístola, e decorando o arco triunfal, São Longinos e Stephaton, que integravam uma Crucificação, São Francisco e a Missa de São Gregório (idem, ibidem, pp. 170-171). Sob estas, duas composições da quarta campanha, Santa Catarina e Santo António.
Também executada nesta última campanha foi uma composição em três registos, na pintura da parede do lado do Evangelho, dispondo-se, de cima para baixo, a Natividade, Apresentação no Templo e Epifania. Do lado oposto, foi pintada na mesma época, uma Anunciação (idem, ibidem). Na capela-mor, decorando a parede fundeira, foi pintado Santiago Maior, vestido de peregrino.
Todas estas representações, plenas de cor, não obstante as épocas distintas de pintura, são emolduradas por "padrões decorativos de laçarias, de imitação de brocados e de grilhagens de motivos geométricos" (idem, ibidem).
Os retábulos colaterais, de talha dourada, foram executados no início do século XVII, ainda com elementos de gosto maneirista, destacando-se a tábua do retábulo à direita, representando a Virgem com o Menino.
O retábulo-mor, de estilo nacional, executado na segunda metade do século XVII, foi feito de modo a integrar duas tábuas oriundas de um retábulo quinhentista, que ladeiam o trono ao centro; do lado da Epístola, São Lourenço, do lado oposto, São Martinho. Estas tábuas "(...) apresentam soluções algo semelhantes às de alguns exemplares da pintura atribuída a Vicente Gil - Manuel Vicente, tradicionalmente conhecidos sob a designação de oficina do Mestre do Sardoal (...)" (ROSAS, 2004, p. 176).
A igreja de Adeganha foi objecto de diferentes obras de restauro, executadas pela DGEMN; em 1955, na década de 70 do século XX, com trabalhos de recuperação na capela-mor e na nave, e entre 2001 e 2003, cujas obras de intervenção na estrutura e de conservação dos retábulos permitiram pôr a descoberto o acervo de pintura mural.
Catarina Oliveira
IGESPAR/2007

Imagens

Bibliografia

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Adeganha, Tesouros Artísticos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de

Título

A arte religiosa na Diocese de Bragança, Brigantia, vol. 1

Local

Bragança

Data

1981

Autor(es)

AFONSO, Belarmino

Título

São Lourenço e São Martinho. Duas tábuas quinhentistas da Igreja de São Tiago de Adeganha: uma hipóteses de atribuição, Douro: Estudos e Documentos, vol. IV, p. 75-82

Local

Porto

Data

1999

Autor(es)

ROSAS, Lúcia Maria Cardoso

Título

A pintura mural, Monumentos, nº 20, pp. 169-172

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

BESSA, Paula

Título

Intervenções recentes na Igreja de Adeganha, Monumentos, nº 20, pp. 167-169

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

MAGALHÃES, Rosário, QUARESMA, Sandra

Título

As pinturas a fresco e sua relação com os couros de arte, Monumentos, nº 20, pp. 173-175

Local

-

Data

-

Autor(es)

-

Título

São Lourenço e São Martinho: duas tábuas quinhentistas, Monumentos, nº 20, pp. 175-176

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

ROSAS, Lúcia Maria Cardoso