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Paço da Giela - detalhe

Designação

Designação

Paço da Giela

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Paço

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Arcos de Valdevez (São Paio) e Giela

Endereço / Local

- -
Lugar do Paço

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O conjunto apalaçado de Giela constitui um dos mais interessantes exemplos de habitação nobre em meio rural da nossa Idade Média, sendo o aspecto actual o resultado de duas grandes fases construtivas: uma plenamente baixo-medieval e outra de inícios do século XVI.
As suas origens são um tanto obscuras, coincidindo alguns autores na hipótese de ter originalmente pertencido a D. João Domingues, abade de Sabadim, que, ainda no século XIV, terá patrocinado uma primeira construção (ALVES, 1987, p.73). A torre que hoje podemos observar, porém, data já do século XV, da altura em que a propriedade transitou para a posse de Fernão Anes de Lima (1399), por doação de D. João I. Seu filho, Leonel de Lima, foi nomeado Visconde de Vila Nova de Cerveira por D. Afonso V, título que se manteve "como único viscondado durante mais de século e meio" (SILVA, 1995, p.168). Estas circunstâncias provam como a estirpe dos Lima foi a mais importante do Alto Minho ao longo da Dinastia de Avis, a ela se devendo outras obras na região, como o Castelo e Paço de Ponte de Lima, diversos melhoramentos em Cerveira e a ponte de Cabreiro, com a sua monumental inscrição.
A torre é uma estrutura típica de fortis domus, de planta quadrangular regular, com acesso principal no alçado nascente, ao nível do segundo piso. Uma das suas características mais marcantes é o facto de não possuir quaisquer aberturas, à excepção de uma janela que encima o portal e uma fresta do lado Norte, circunstância que lhe confere "uma solidez militar verdadeiramente impressionante" (SILVA, 1995, p.54), reforçada ainda pela existência de um balcão com matacães e pelo remate em ameias. Este facto, que pode ter explicação no relativo conservadorismo das estruturas habitacionais de tipo torre da nossa Baixa Idade Média, pode igualmente dever-se à intenção de transferir para aqui a cabeça do território, uma vez que o paço é "sobranceiro à vila dos Arcos" e está diante "do antigo castelo de Santa Cruz", funcionando a sua torre como uma verdadeira torre "de menagem" (ALMEIDA, 1987, p.135).
Ao longo desse século XV, a torre foi objecto de algumas obras, como se prova pelos vestígios de telhados de construções adossadas, cujos sulcos são ainda visíveis sobre o portal principal (SILVA, 1995, p.54).
No reinado de D. Manuel, a velha fortis domus foi incorporada num grande paço senhorial, esteticamente actualizado em relação à época. Nessa altura, muitas torres baixo-medievais foram integradas em novas construções apalaçadas, ao abrigo de um processo generalizado de "procura do solar de origem de cada família antiga", como resposta à "investigação oficial ordenada pelo Rei" acerca das armas de cada família nobre do reino (SILVA, 1995, p.167).
O paço manuelino integrou a torre na nova estrutura, mas reservou-lhe um carácter meramente simbólico, na medida em que nenhuma passagem foi aberta entre ela o novo corpo habitacional. A reforma deveu-se ao terceiro visconde de Cerveira, D. Francisco de Lima, e as obras estão actualmente balizadas entre 1508 (data de entrada deste nobre no título) e 1527 (altura em que o paço é já referido). A sua organização reflecte as dominantes simples e racionais que estiveram na origem de numerosos paços tardo-medievais nacionais, entre os quais o de D. João I no castelo de Leiria: um corpo rectangular de dois pisos, com sala central mais ampla e ladeada por duas câmaras (SILVA, 1995, p.169).
A fachada principal está voltada a poente, nela se inserindo o portal, de arco quebrado encimado por um brasão dos Lima e resguardado por um corpo saliente onde se integra um balcão no piso superior. Na fachada lateral Sul, abre-se a mais decorada janela, de quádruplo arco quebrado e emoldurada por uma solução rectangular torsa, em cujo eixo superior se situa mais um brasão dos Lima. A sua relevância em relação às restantes poder-se-á explicar por constituir o vão de iluminação da principal câmara do paço (SILVA, 1995, p.169).
PAF

Bibliografia

Título

Portugal antigo e moderno: diccionario geographico, estatistico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias...

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de, FERREIRA, Pedro Augusto

Título

História da Arte em Portugal - o Gótico

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Torres solarengas do Alto Minho

Local

-

Data

1925

Autor(es)

GUERRA, Luís Figueiredo da

Título

Brasões da Sala de Sintra

Local

Lisboa

Data

1930

Autor(es)

FREIRE, Anselmo Braancamp

Título

Nobres Casas de Portugal

Local

Porto

Data

1958

Autor(es)

SILVA, António Lambert Pereira da

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Paços Medievais Portugueses

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

SILVA, José Custódio Vieira da

Título

O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção, Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80

Local

Caminha

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro