Saltar para o conteúdo principal da página

Capela de D. Fradique de Portugal - detalhe

Designação

Designação

Capela de D. Fradique de Portugal

Outras Designações / Pesquisas

Convento de São Francisco de Estremoz (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Estremoz / Estremoz (Santa Maria e Santo André)

Endereço / Local

Largo dos Combatentes da Grande Guerra
Estremoz

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 8 228, DG, I Série, n.º 133, de 4-07-1922 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Esta pequena capela, aberta no terceiro tramo do flanco Sul do corpo da igreja do Convento de São Francisco, é a principal obra manuelina da actual cidade de Estremoz, não apenas pela qualidade artística que evidencia, mas, sobretudo, pela figura cimeira da história europeia que a mandou construir e no seu interior se fez sepultar.
Efectivamente, D. Fradique de Portugal foi uma personagem de relevo no quadro político peninsular do reinado de D. Manuel. Filho dos Condes de Faro, D. Afonso e D. Maria de Noronha, realizou a sua carreira eclesiástica em Castela, onde foi educado junto dos reis católicos. Chegou, mesmo, a ser testamenteiro da rainha D. Isabel de Aragão e desempenhou os cargos de bispo de Calahorra, Segóvia, Siguenza e Saragoça. Nesta última cidade ascendeu à cátedra de arcebispo e, pouco depois, por nomeação de Carlos V, foi vice-rei da Catalunha.
A capela é um espaço de dois tramos rectangulares, idênticos entre si, cobertos por abóbadas estreladas de cadeia axial. Ao centro da capela, o bocete revela as armas dos Noronha, em brasão esquartelado. Os suportes são adossados à caixa murária e limitam-se a finos colunelos, dotados de capitéis naturalistas, que suportam o abobadamento. Em cada tramo, ao centro, rasga-se uma janela, de arco de volta perfeita decorada exuberantemente com soluções manuelinas.
Na coluna média do lado nascente, uma cartela evidencia a razão de ser do conjunto: ESTA CAPELA. MANDOV. FAZER / O MVI ILVSTRE E REVERENDISSIMO / SENÕR. DOM FRADIQVE DE POR / TVGAL. ARCEBISPO. QVE FOI. DE / ZARAGVOCA. E VISV REI DE CATA / LVNHA. A QVAL. HE DO ILUSTRE SE / NHOR DOM FRÃCISCO DE FARO SEV / SOBRINHO E HERDEIRO SENÕR DA / VILA DO VINEIRO. Por este texto, depreende-se que D. Fradique já tivesse falecido, o que ocorreu em 1539, sendo, portanto, a construção da capela (ou somente a colocação da lápide comemorativa) posterior a essa data. D. Francisco de Faro, sobrinho de D. Fradique, foi o primeiro titular do morgadio instituído por aquele nobre para suportar as despesas da sua capela.
Esta datação algo tardia parece contextualizar-se com a solução já classicizante da entrada principal, em forma de retábulo marmóreo de arco pleno, de gosto renascentista. A decoração privilegia os medalhões e as máscaras romanizadas, a par de um variado repertório de motivos fantásticos. No tímpano, revelam-se dois medalhões e, num dos suportes (realizados ainda dentro da tradição manuelina), exibe-se uma enigmática inscrição: 3 M R / 35 - que poderá indicar 3 de Março de 1535 (segundo leitura de Túlio ESPANCA), embora com muitas dúvidas.
No pavimento da capela conserva-se o panteão dos Senhores de Vimeiro, de que se destaca o túmulo raso de D. Fernando de Noronha (falecido em 1552) e D. Isabel de Melo (1563). A capela, inicialmente consagrada a São Francisco, albergou, a partir do século XVII, a Irmandade do Senhor Jesus dos Passos. Terá sido esta instituição que encomendou o retábulo maneirista que coroa a parede fundeira do espaço (voltada a Sul), intervencionado em 1744 por ter sido atingido por causas naturais e, novamente, no século XIX, época em que se optou por uma pintura a imitar mármore, em substituição do tom dourado original.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, Vol. VII

Local

-

Data

-

Autor(es)

-