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Igreja de Santiago e capela anexa, designada «Capela dos Cabrais» - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santiago e capela anexa, designada «Capela dos Cabrais»

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Santiago e Capela dos Cabrais / Igreja Paroquial de Belmonte / Igreja de São Tiago (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Castelo Branco / Belmonte / Belmonte e Colmeal da Torre

Endereço / Local

Largo do Castelo
Belmonte

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (esclareceu que a classificação passa a ser extensiva à capela anexa à referida igreja, designada «Capela dos Cabrais») (ver Decreto)
Decreto n.º 14 425, DG n.º 228, de 15-10-1927 (classificou a Igreja de Santiago) (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 22-04-1960, publicada no DG, II Série, n.º 167, de 19-07-1960 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 22-04-1960, publicada no DG, II Série, n.º 167, de 19-07-1960

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de Santiago é um importante testemunho do Românico tardio na Beira Interior e pode considerar-se um dos monumentos-chave daquele estilo na região. A sua construção deve remontar aos meados do século XIII, embora as origens da paróquia de Belmonte, que a igreja servia, sejam anteriores, estando documentada desde 1186.
Exteriormente, a igreja revela as reformas por que passou na época moderna, em particular a empreendida na primeira metade do século XVII, quando D. Francisco Cabral remodelou o panteão familiar anexo. Com efeito, quer a fachada principal da igreja, quer a da capela dos Cabrais apresentam estrutura semelhante, de corpo único integrando portal axial de lintel recto entre molduras de cantaria, a que se sobrepõe janelão rectangular, terminando a empena em perfil triangular. Os poucos elementos dissemelhantes (como o frontão semi-circular do portal da capela, ou o nicho da frontaria da igreja) não disfarçam um mesmo ar de família, ditado pela presumível contemporaneidade do projecto construtivo. Conservam-se todavia, alguns modilhões do projecto original, que comprovam a sua edificação na transição estilística entre o Românico e o Gótico.
No interior registam-se importantes elementos medievais, que conferem a relevância e a originalidade de que o conjunto desfruta. De nave única e capela-mor rectangular, mantém a proporção românica, com arco triunfal de arco de volta perfeita, de duas arquivoltas assentes em capitéis de decoração antropomórfica.
Do lado Norte, sensivelmente a meio da nave, conserva-se o que parece ser a antiga porta de acesso à capela gótica dos Cabrais, posteriormente entaipada. De impostas salientes, compõe-se de arco quebrado com interior cairelado, sobrepujado por moldura rectangular tripartida onde se exibem as armas dos Cabrais. Do lado ocidental desta antiga passagem conserva-se púlpito tardo-gótico de secção poligonal, cujos panos são decorados por sequências de motivos geométricos, a que se associam vieiras (símbolo de Santiago, orago do templo) e a prensa (emblema de D. Fernão Cabral).
Ainda do lado Norte, junto do arco triunfal, existe a capela de Nossa Senhora da Piedade, espaço rectangular aberto em dois lados por arcos apontados de dupla arquivolta assente em capitéis de tendência naturalista, e coberto por abóbada de cruzaria de ogivas. No seu interior, existe um túmulo medieval (de D. Maria Gil?) cuja tampa é decorada com as armas dos Cabrais. No seu conjunto, esta pequena capela, integrada no interior da igreja, deve datar da viragem para o século XV, embora possa ter sido objecto de intervenções ligeiramente posteriores. Ficou a dever-se à vontade de D. Gil Cabral, bispo da Guarda que, a 30 de Maio de 1362, deixou expresso em testamento o desejo de que sua filha, D. Maria Gil edificasse uma capela dedicada da Nossa Senhora da Piedade.
Na capela-mor por detrás dos retábulos setecentistas, foram descobertas pinturas murais de inícios do século XVI. Representam Santiago ladeado por São Pedro e pela Virgem Maria, enquadrados por painéis laterais decorados com motivos florais. O panteão dos Cabrais anexa-se ao lado Norte da igreja e é um espaço rectangular de origem gótica, presumivelmente edificado a partir de 1433, por iniciativa dos pais de Pedro Álvares Cabral. Aqui se conservam os túmulos da família, um deles diante do altar e outros dois, posteriores, inseridos em arcossólios abertos nas paredes laterais.
Enriquecido o conjunto com retábulos do século XVIII e com uma nova torre sineira em 1860 (que substituiu o campanário localizado no ângulo entre a igreja e a capela, de que ainda resta parte do maciço), o complexo monumental foi restaurado na década de 60 do século XX, altura em que se refez toda a estrutura do telhado e se suprimiram alguns retábulos do panteão dos Cabrais. Em 1971, com o intuito de preservar a memória de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, executou-se uma cruz em ferro e um cenotáfio.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

As mais belas igrejas de Portugal, vol. I

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

GIL, Júlio

Título

Senhores, Cabrais e camponeses em Belmonte

Local

Belmonte

Data

2000

Autor(es)

CANELO, David Augusto

Título

Belmonte, Cabral e o descobrimento do Brasil

Local

Belmonte

Data

2000

Autor(es)

SILVA, Joaquim Candeias

Título

Concelho de Belmonte - Memória e História. Estudo monográfico do concelho de Belmonte

Local

Belmonte

Data

2001

Autor(es)

MARQUES, Manuel, VARGAS, José Manuel

Título

Belmonte. Terras de Cabral

Local

Belmonte

Data

2001

Autor(es)

MARQUES, Manuel

Título

Subsídios para uma monografia da vila de Belmonte

Local

Belmonte

Data

1982

Autor(es)

MARQUES, Manuel, TAVARES, Joaquim Cardoso

Título

A pintura mural em Portugal: os casos da igreja de Santiago de Belmonte e da capela do Espírito Santo de Maçaínhas, dissertação de mestrado em Arte, Património e Restauro apresentada à FLUL da Universidade de Lisboa

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

GONÇALVES, Catarina Valença