Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - detalhe
Designação
Designação
Padrão Comemorativo da Batalha do Salado
Outras Designações / Pesquisas
Padrão de Nossa Senhora da Vitória (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Categoria / Tipologia
Arquitectura Civil / Padrão
Inventário Temático
-
Localização
Divisão Administrativa
Braga / Guimarães / Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião
Endereço / Local
Largo da Oliveira
Guimarães
Proteção
Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como MN - Monumento Nacional
Cronologia
Decreto n.º 37 366, DG, I Série, n.º 70, de 5-04-1949 (ver Decreto)
ZEP
Portaria de 1-02-1956, publicada no DG, II Série, n.º 94, de 19-04-1956 (com ZNA) (ZEP da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, do Padrão comemorativo da Batalha do Salado e dos Paços Municipais)
Zona "non aedificandi"
Portaria de 1-02-1956, publicada no DG, II Série, n.º 94, de 19-04-1956
Abrangido em ZEP ou ZP
Abrangido por outra classificação
Património Mundial
-
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Localizado na principal praça da cidade medieval, a Praça de Santa Maria - centro nevrálgico do burgo desde, pelo menos, o século XII -, o Padrão do Salado é um dos mais emblemáticos monumentos de Guimarães e uma das obras de maior simbolismo do Portugal medieval.
A sua construção remonta a 1340, ano da Batalha do Salado, em que tomou parte D. Afonso IV, conjuntamente com exércitos de Castela e de Aragão, contra tropas muçulmanas do reino de Granada e do Norte de África. Este feito, que estará na origem do cognome "o Bravo" de D. Afonso IV, motivou uma série de construções comemorativas, em várias partes do reino, sendo esta de Guimarães uma das mais célebres. Diante da principal instituição da cidade - e uma das que estava seguramente conotada com os períodos condal e de autonomização do reino - o Padrão do Salado é uma obra gótica relativamente modesta.
Compõe-se de um espaço quadrangular abobadado, aberto nas suas quatro faces através de arcarias quebradas, assentes em colunas adossadas, a partir das quais partem as nervuras da abóbada.
Estilisticamente, é uma obra relacionada com o Gótico da primeira metade do século XIV, ainda conotado com o período dionisino, recorrendo a um aspecto demasiado compacto e reforçado das estruturas, com pilares de colunas adossadas, nervuras bem vincadas e uma abóbada relativamente baixa. Também a decoração reforça este sentido austero do monumento: os capitéis, de decoração vegetalista, mas também antropomórfica, foram esculpidos de forma bastante rude, destacando-se a composição muito pouco do suporte. Por outro lado, os arcos são decorados por uma solução dentada, que acompanha toda a sua curvatura, existindo ainda ténues sequências de bolas. A monumentalidade do conjunto é dada pela existência de gabletes bastante apontados a coroar as aberturas para o espaço central, que se elevam praticamente à mesma altura do abobadamento exterior, e em cujo tímpano se colocaram escudos reais.
Nove anos depois de construído o padrão, o seu espaço central foi ocupado por um pedestal, em cujo topo se colocou a cruz, que ainda hoje subsiste. A sua compra deveu-se ao mercador vimaranense Pedro Esteves, que, ao que tudo indica, a adquiriu na Normandia (FERREIRA, 1996, 10). Trata-se de uma cruz espiritualmente gótica, representando as duas Paixões primordiais da religiosidade baixo-medieval: de um lado, a crucificação de Cristo; de outro, a figura da Virgem. O fuste foi enriquecido com as representações de São Vicente, São Torquato, São Filipe e um anjo, figuras que pouco ou nada se relacionam com a história de Guimarães ou com a Batalha do Salado, revelando, assim, tratar-se esta obra de uma clara importação, originalmente concebida para outro fim e outro teritório.
O padrão da vitória do Salado, mercê da sua localização em relação à colegiada e da imagem de devoção no interior, transformou-se, em pouco tempo, num dos mais importantes centros marianos do Norte do país, sendo procurado por verdadeiras multidões em dias de romarias e de festas. O gradeamento que o protege foi sucessivamente reformado ao longo dos tempos, datando da década de 70 do século XX a última grande campanha de restauro, momento em que foram substituídas as grades e se procedeu à consolidação das estruturas.
PAF
Imagens
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Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - Enquadramento geral e relação com a Colegiada
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Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - Vista geral e integração na malha urbana
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Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - Pormenor do cruzeiro: figura de Cristo crucificado
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Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - Capitéis no arranque da abóbada
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Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - Capitéis figurativos no arranque da abóbada
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Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - Vista parcial do cruzeiro e abóbada
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Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - Pormenor do cruzeiro: cruz de remate com figura de Cristo crucificado
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Padrão Comemorativo da Batalha do Salado - Vista parcial
Bibliografia
Título
A arquitectura gótica portuguesa
Local
Lisboa
Data
1994
Autor(es)
DIAS, Pedro
Título
Guimarães - roteiro turístico
Local
Guimarães
Data
1995
Autor(es)
FONTE, Barroso da
Título
Um percurso por Guimarães medieval no século XV, Patrimonia, nº1, 1996, pp.9-16
Local
-
Data
1996
Autor(es)
FERREIRA, Maria da Conceição Falcão
