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Capela de Nossa Senhora dos Mártires - detalhe

Designação

Designação

Capela de Nossa Senhora dos Mártires

Outras Designações / Pesquisas

Capela de Nossa Senhora dos Mártires (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Estremoz / Estremoz (Santa Maria e Santo André)

Endereço / Local

Sítio dos Mártires
Estremoz

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 8 228, DG, I Série, n.º 133, de 4-07-1922 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A construção deste templo está atribuída ao reinado de D. Fernando, devendo as obras ter arrancado por volta de 1371 (ESPANCA, 1975). A sua conclusão, todavia, ocorreu já durante a Dinastia de Avis, e por patrocínio do então senhor da vila de Estremoz, D. Nuno Álvares Pereira.
Apesar de relativamente pequeno, é um templo que ilustra bem o período final da arquitectura gótica plena nacional, imediatamente antes da renovação verificada com o arranque do projecto do Mosteiro da Batalha e a implantação do Tardo-Gótico. Neste contexto, os Mártires de Estremoz representa, mesmo, um capítulo final da longa tradição construtiva aplicada à arquitectura religiosa baixo-medieval portuguesa, sendo o mais eloquente testemunho dessa realidade a fidelidade de plano e de volumetria da capela-mor em relação a numerosos antecedentes, verificados desde, pelo menos, o século XIII.
Planimetricamente, esta capela-mor é um espaço composto por dois tramos, o primeiro rectangular coberto por abóbada em cruzaria de ogivas simples, e o segundo de secção poligonal com abóbada de cadeias, cujo bocete principal apresenta uma cruz da Ordem de Avis. Em alçado, as arestas são reforçadas por contrafortes não escalonados, o que permitiu que, entre eles, se rasgassem amplas janelas verticais, geminadas, que inundam de luz o interior. Esta solução, embora algo mais evoluída ao nível da iluminação, é a que caracteriza o extenso grupo de igrejas paroquiais construídas nos reinados de D. Dinis e de D. Afonso IV, elas próprias influenciadas pela arquitectura mendicante, de que foi exemplo a desaparecida cabeceira gótica do vizinho convento de São Francisco de Estremoz, como sugeriu Túlio Espanca.
Ainda conotado com uma certa tradição, é o arco triunfal, de perfil apontado e suportado por colunas dotadas de capitéis vegetalistas algo arcaizantes, com folhagem agarrada ao cesto escultórico.
O corpo do templo é rectangular e denota também alguma deficiência na definição de vãos lumínicos, pois estes são escassos, não obstante as fachadas Norte e Sul serem amparadas por grandes arcobotantes de médio ponto que, na origem, permitiram o adossamento de um alpendre a estas faces do templo.
Sensivelmente um século depois de concluída a ermida, realizaram-se novas e importantes obras, sob o signo do Manuelino. O principal elemento então introduzido foi o coro-alto, anexo à fachada principal, estrutura de mármore definida por arcada abatida, que tem a particularidade de apresentar alguns grupos escultóricos antropomórficos de assinalável qualidade. Da mesma época é uma pia de água benta, moldurada e de perfil quadrilobado.
Ainda mais importantes foram as obras realizadas no auge do período barroco (reinado de D. João V), por iniciativa de Fernão de Mesquita Pimentel, nobre da corte régia que aqui se decidiu sepultar, em campa rasa diante do altar, em enterramento enobrecido por composição em médio relevo e inscrição identificativa do nobre, falecido em 1744.
Nessa primeira metade do século XVIII refez-se a fachada principal, que passou a ser antecedida por galilé de cinco arcos sobre colunas toscanas e janelão do coro em substituição da anterior rosácea gótica. Ainda no exterior, realizou-se novo campanário, que apresenta volutas características do tempo barroco. Passando ao interior, realçam-se os painéis de azulejos azuis e brancos, datados de meados do século XVIII e saídos de uma grande oficina lisboeta, cuja temática iconográfica é inteiramente dedicada a cenas da vida da Virgem e da Infância de Jesus, em duas séries em interligação conceptual entre si (grandes painéis a revestir as paredes da nave e composições mais pequenas no sub-coro).
Em 1912, a igreja foi profanada, perdendo-se, na altura, algumas imagens devocionais do interior. O conjunto foi restaurado em 1950, pela DGEMN, numa intervenção continuada em 1959, ano em que foi reerguido o cruzeiro barroco que marca o adro do conjunto.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Estremoz e o seu termo regional

Local

Estremoz

Data

1950

Autor(es)

CRESPO, Marques

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. VIII (Distrito de Évora, Zona Norte, volume I)

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

A Arquitectura Gótica em Portugal

Local

Lisboa

Data

1981

Autor(es)

CHICÓ, Mário Tavares