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Estação arqueológica do Senhor dos Mártires - detalhe

Designação

Designação

Estação arqueológica do Senhor dos Mártires

Outras Designações / Pesquisas

Olival do Senhor dos Mártires / Necrópole do Olival do Senhor dos Mártires (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Necrópole

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Alcácer do Sal / Alcácer do Sal (Santa Maria do Castelo e Santiago) e Santa Susana

Endereço / Local

Sítio do Olival do Senhor dos Mártires, 1 000 m a O de Alcácer do Sal
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 251/70, DG, I Série, n.º 129, de 3-06-1970 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Foi apenas durante o último quartel de oitocentos que este sítio arqueológico foi alvo de um interesse e de um estudo sistematizado, na figura do arquitecto e fundador da actual Associação dos Arqueólogos Portugueses, J. Possidónio N. da Silva (1806-1896).
Apesar de ter interpretado com algumas deficiências os materiais então encontrados nesta vasta necrópole (atribuindo-os, então, predominantemente, à presença romana), onde estão bem presentes diversos rituais de incineração, foram, sem dúvida, os artefactos com fortes paralelos nas culturas do Mediterrâneo Oriental que suscitaram uma maior curiosidade pelo prosseguimento da sua investigação. Desses objectos destacavam-se tipos tão variado, como armas, vasos e jóias, cujo riquissimo espólio incitou Virgílio Correia a retomar a sua escavação entre 1926 e 1927, continuada, desde então, embora de modo mais ou menos esporádico, por outras equipas de arqueólogos portugueses, para além daqueles investigadores que têm demonstrado um notório interesse pelo estudo minucioso de algumas das mais significativas peças encontradas, actualmente expostas em diversos museus, com natural realce para o Museu Nacional de Arqueologia.
Em termos formais, este sítio é composto por uma vasta necrópole que terá sido construída e utilizada entre os séculos V e o III a. C., correpondendo, grosso modo, a uma ocupação atribuída à Idade do Ferro em território nacional.
Uma tão longa diacronia implicaria a priori a existência de diferentes tipos de sepulturas, bem como diversos rituais funerárias decorrentes dos naturais influxos culturais provenientes de outras zonas georgáficas, neste caso com especial atenção aos do mundo mediterrânico oriental.
Com efeito, foi possível discernir, dentro do universo da incineração, quatro grandes grupos de sepulturas, diferenciáveis entre si pelo tipo de urnas preferencialmente utilizadas.
Ao primeiro destes grupos pertence um número de despojos de cremações humanas insertos em " vasos-ossuários" selados com uma espécie de taça de bordas cónicas, depositados a pouca profundidade sobre todo um cojunto de mobiliário funerário, em geral constituído por armas, jóias e outros objectos eventualmente pertencentes ao defunto, junto a vasos unguentários.
O segunto tipo de cremações encontra-se caracterizado pela presença das cinzas e ossos do defunto de igual modo num "vaso-ossuário", embora de de forma ovoide e tapado por pequenas lajes de xisto, deposto directamente sobre a rocha do fundo do terreno, ou em concavidade aberta para o efeito, sem qualquer vestígio de espólio funerário associado, a apontar para uma eventual hierarquização social espelhada nestes diversos tipos de deposições cinerárias.
Do terceiro tipo é característico o depósito dos vestígios da cremação sem qualquer urna, associado a um pequeno conjunto de vasilhas de pequenas dimensões, armas e jóias que parecem denotar a a acção do fogo.
Por fim, o quarto tipo é composto pela presença de ossos carbonizados junto a vasilhas pequenas, armas, jóias e outros objectos que sofreram de igual modo a acção do fogo. A principal diferença em relação ao tipo anterior reside no facto de ter havido uma evidente preocupação em resguardar todo este espólio numa cova aberta no terreno até à rocha, na qual se recortava uma tina rectangular com as dimensões do corpo, coberta, por sua vez, por camadas de blocos calcários. Este foi o tipo que apresentou maiores evidências dos contactos mantidos entre a população indígena da zona e as culturas do Mediterrâneo Oriental, ao que tudo indica, através de um regular exercício comercial. É, assim, que, além do caracetrístico armamento e adornos guerreiro, se exumaram peças de "prestígio", como cerâmicas e jóias finas daquela zona mediterrânica, embora tenham sido encontrado no primeiro tipo de sepulturas objectos de cerâmica grega atribuídas aos séculos IV e III a. C.
[AMartins]

Bibliografia

Título

Possidónio da Silva (1806-1896) e o Elogio da Memória. Um Percurso na Arqueologia de Oitocentos

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

MARTINS, Ana Cristina

Título

Possidónio da Silva e a Memória Histórica. Um Percurso na Arqueologia Portuguesa de Oitocentos

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

MARTINS, Ana Cristina N.

Título

Uma conferência sobre a necrópole de Alcácer do Sal, Biblos

Local

-

Data

1925

Autor(es)

CORREIA, Vergílio

Título

Escavações realizadas na necrópole pré-romana de Alcácer do Sal em 1926 e 1927, O Instituto

Local

-

Data

1928

Autor(es)

VÁRIA