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Castelo de Montemor-o-Novo, abrangendo as muralhas e os imóveis que se encontram dentro delas - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Montemor-o-Novo, abrangendo as muralhas e os imóveis que se encontram dentro delas

Outras Designações / Pesquisas

Castelo de Montemor-o-Novo, incluindo o Convento de Nossa Senhora da Saudação ou da Anunciada / Convento da Saudação / Convento de Nossa Senhora da Anunciada (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Castelo de Montemor-o-Novo / Castelo e cerca urbana de Montemor-o-Novo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Montemor-o-Novo / Nossa Senhora da Vila, Nossa Senhora do Bispo e Silveiras

Endereço / Local

Rua Condessa de Valenças
Montemor-o-Novo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 38 147, DG, I Série, n.º 4, de 5-01-1951 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 22-12-1943
Parecer de 9-12-1943 da 1.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a propor a classificação como MN

ZEP

Portaria de 13-07-1962, publicada no DG, II Série, n.º 177, de 28-07-1962 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 13-07-1962, publicada no DG, II Série, n.º 177, de 28-07-1962

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóveis descriminados no diploma de classificação:
1.º Três torres, sendo: a de menagem, a do relógio e a da Má Hora;
2.º Três cisternas;
3.º Um matadouro mourisco;
4.º Duas capelas;
5.º Edifício do asilo denominado da Infância Desvalida, instalado no antigo convento;
6.º Várias ruínas de prédios urbanos;
7.º Terrenos com uma mata e ruas que servem de passeio público;
8.º Diversas glebas de terrenos na posse de particulares.
A região de Montemor-o-Novo, de remotíssima ocupação humana, chegou a integrar um castro romanizado, e possivelmente uma fortificação muçulmana. Com o avanço da Reconquista cristã peninsular, a povoação foi conquistada por D. Sancho I, no início do século XIII, estando então praticamente arruinada. Visando o seu repovoamento, essencial à defesa do território, o mesmo monarca outorgou-lhe um primeiro foral logo em 1203, na sequência do qual se terá começado a erguer de novo uma fortificação. A alcáçova, hoje em ruínas, parece datar ainda desta época. Mas será com D. Dinis que, à semelhança do sucedido em todo o Alentejo, se efectuaram grandes obras no castelo, incluindo a construção da muralha da vila. No século XIV, no reinado de D. João I, Montemor-o-Novo foi integrado no senhorio doado a D. Nuno Álvares Pereira.
As obras no castelo continuaram ao longo do tempo, sendo de realçar a intervenção levada a cabo em finais do século XV, a cargo de Afonso Mendes de Oliveira, mestre de pedraria, a quem D. Manuel encarregou de vários trabalhos do género (incluindo o reforço do Castelo de Olivença). O local foi palco das Cortes de 1496, estando este facto na origem da tradição que sustenta ter sido neste castelo que o almirante Vasco da Gama ultimou os planos para a histórica viagem à Índia (justamente decidida nas Cortes). A vila, então a viver um período de grande prosperidade, e já francamente expandida para lá do inicial abrigo da cerca, estendendo-se pela encosta voltada a Norte, é agraciada com Foral Novo, dado por D. Manuel em 1503. Desta época data o início da construção do Convento da Saudação, junto às muralhas.
O castelo teve seguidamente um papel preponderante no combate à ocupação castelhana e ao longo da Guerra da Restauração, quando D. João IV determinou novo reforço da fortificação, de forma a poder enfrentar as modernas tácticas militares. Voltou a ser objecto de ataques no início do século XIX, durante as invasões francesas, quando já se encontrava em estado de alguma degradação, acentuada pelo terremoto de 1755, que determinou vários trabalhos de consolidação ainda durante o século XVIII.
Presentemente, e após aceleração do estado de ruína ao longo do século XX, o castelo conserva essencialmente o lanço principal da muralha dionisina, de planta aproximadamente triangular, protegida por onze torreões cilíndricos, com barbacãs do século XIV. A alcáçova, ou Paço dos Alcaides, já referida como construção de inícios do século XIII, em ruínas, tem planta rectangular e é protegida por duas torres redondas. O acesso faz-se pela muralha a Norte, voltada para a vila, através da Porta da Vila ou Porta Nova, anteriormente conhecida por Porta de Santarém. Aí se localiza igualmente a Torre do Relógio e a Casa da Guarda, onde se destaca o brasão de armas de D. Manuel. Subsistem ainda vestígios de habitações sobre os cubelos da fortificação, bem como a cisterna, na praça do castelo. Dentro do perímetro das muralhas ficam ainda as Igrejas de São João Baptista e de Santiago, e as ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo, para além do Convento de Nossa Senhora da Saudação, incluídos na classificação do castelo.
O conjunto do castelo e do Convento da Saudação estão presentemente integrados num processo de valorização tutelado pelo IPPAR, com vista a consolidar e recuperar as estruturas, e reabilitar o Convento da Saudação, destinando-o a espaço cultural. SML

Imagens

Bibliografia

Título

Breve História das Ruínas do Antigo Burgo e Concelho de Montemor-o-Novo

Local

Évora

Data

1977

Autor(es)

ANDRADE, António Banha de

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. VIII (Distrito de Évora, Zona Norte, volume I)

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

História de S. Domingos

Local

Porto

Data

1977

Autor(es)

SOUSA, Frei Luís de

Título

A Pintura Proto-barroca em Portugal, 1612-1657 (dissertação de doutoramento em História da Arte)

Local

Coimbra

Data

1992

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Convento de Nossa Senhora da Saudação em Montemor-o-Novo. Caracterização do sistema construtivo do claustro (dissertação de mestrado em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico)

Local

Évora

Data

1995

Autor(es)

BARBOSA, Ana Lúcia

Título

Evocação histórica e artística de Montemor-o-Novo, Revista Almansor, nº 1

Local

Montemor-o-Novo

Data

1983

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

Marcos de Magalhães, arquitecto e entalhador do ciclo da Restauração (1647-1664), Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, 3ª série, nº 89, 1º tomo

Local

Lisboa

Data

1983

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

O Mosteiro de Nossa Senhora da Saudação de Montemor-o-Novo. Fundação e patrocínio régio, Cidade de Évora, 2ª série, nº 1

Local

Évora

Data

1995

Autor(es)

FONSECA, Jorge