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Igreja matriz de Loulé - detalhe

Designação

Designação

Igreja matriz de Loulé

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Clemente, matriz de Loulé / Igreja Paroquial de São Clemente de Loulé / Igreja São Clemente (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Loulé / Loulé (São Clemente)

Endereço / Local

Largo da Matriz
Loulé

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 9 842, DG, I Série, n.º 137, de 20-06-1924 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 425/85, DR, I Série, n.º 152, de 5-07-1985 (sem restrições) (ZEP dos restos do castelo, da Igreja matriz, da Capela de Nossa Senhora da Conceição, do portal e cruzeiro da Misericórdia e dos restos da Igreja da Graça) (ver Portaria)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja tutelar da cidade de Loulé implantou-se sobre a antiga mesquita de al-Ulya, em plena medina islâmica, e tomou o orago de São Clemente por ter sido no dia em que se comemora a sua memória (23 de Novembro) que as tropas de D. Afonso III investiram decisivamente sobre a cidade, reconquistando-a. No topo Norte do conjunto, subsiste ainda a velha torre-alminar da mesquita, cristianizada em torre sineira da igreja. De planta quadrangular, é uma das construções islâmicas melhor conservadas no nosso país, revelando um aparelho muito transformado.
Artisticamente, a igreja é um dos mais importantes monumentos medievais algarvios, na medida em que mantém a sua traça primitiva geral. Corpo de três naves coberto de madeira, de três tramos, cabeceira tripartida abobadada e fachada principal ad triangulum, escalonada em altura, sendo o corpo central o único organizado a dois registos, fazem desta igreja "a mais típica das construções" góticas algarvias "e a menos alterada" (DIAS, 1994, p.149). Estas características permitem inseri-la no amplo movimento gótico de índole paroquial, que, adoptando um simplificado modelo de templo mendicante, cobriu grande parte da paisagem portuguesa dos séculos XIII a XV, em particular nos mais importantes aglomerados populacionais de média dimensão, de Caminha a Tavira (FERNANDES, 2002).
O portal principal é um dos aspectos mais característicos do templo. "Inscrito num desenvolvido gablete de terminação triangular" (DIAS, 1994, p.149), de três arquivoltas e com capitéis vegetalistas "de trabalho naturalista ainda algo agarrado à cesta" (RAMOS, 1996, p.15), assume-se como elemento estilístico definidor do conjunto e reforça a sua caracterização gótico-paroquial.
Um dos mais graves problemas que os investigadores enfrentam para situar esta igreja diz respeito à cronologia da obra gótica. A opinião mais consensual é a de que ela aconteceu na segunda metade do século XIII, provavelmente por intermédio do arcebispo de Braga, D. João Viegas, que em 1251 "incumbiu os frades dominicanos de construir vários templos no Algarve" (LAMEIRA e SERRA, s/d), ou já no reinado de D. Dinis (CARRUSCA, 2001, p.76), no âmbito de um ambicioso processo de renovação arquitectónica do país. No entanto, outros autores avançam datas mais recentes, como os finais do século XIV (DIAS, 1994, p.149 e RAMOS, 1996, p.15). Manuel Castelo Ramos aponta mesmo, como argumento, as semelhanças entre o portal principal a solução da fachada principal da Sé de Faro. Contudo, em S. Clemente existem elementos de tradição, cuja persistência no tempo foi muito para além do que até há pouco se pensava. As bases quadrangulares das colunas do interior são um exemplo e mesmo o portal tem claros antecedentes trecentistas, o que vem em favor de uma data em torno ao reinado de D. Dinis.
Novas obras de relevo aconteceram apenas no período manuelino. À semelhança do que aconteceu com numerosos outros templos, também a Matriz de Loulé foi escolhida para sepultura de algumas importantes figuras da província e do reino. As capelas de São Brás, instituída por Gonçalo Mendes Caciro, e a de Nossa Senhora da Consolação mantêm ainda parte da sua configuração manuelina, como os arcos de entrada e as abóbadas polinervadas.
No século XVIII, uma outra grande campanha de obras foi responsável pela renovação estética do interior, seguindo o intenso fervor construtivo que percorreu o Algarve (e o país) por essa altura. Sem incidir sobre o plano arquitectónico geral, as obras foram importantes ao ponto de aqui encontrarmos alguns dos mais conceituados artistas da altura. À oficina de Policarpo de Oliveira Bernardes, um dos nomes cimeiro da azulejaria barroca nacional, atribui-se os painéis da capela de Nossa Senhora da Consolação. E a João Amado, "o mais laborioso entalhador do século XVIII em terras louletanas" (CARRUSCA, 2001, p.117), ficou a dever-se o retábulo-mor e o da capela de São Brás (LAMEIRA e SERRA, s/d).
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

A talha no Algarve durante o Antigo Regime

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

A arquitectura gótica portuguesa

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Loulé. História e expansão urbana

Local

Loulé

Data

1996

Autor(es)

SERRA, Pedro

Título

A igreja matriz de Loulé. Um templo pré-gótico ou uma mistura de vários estilos?, Al-Ulya, mº2, pp.155-185

Local

Loulé

Data

1993

Autor(es)

VARELA, Henrique Marreiros, ROCHA, António Fernandes da, CARRILHO, António José Cavaco, SANTOS, João José Sustelo dos

Título

Loulé. O património artístico

Local

Loulé

Data

2001

Autor(es)

CARRUSCA, Susana

Título

Igreja Matriz de S. Clemente. Loulé

Local

Loulé

Data

-

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco, SERRA, Pedro

Título

Monografia do Concelho de Loulé

Local

Porto

Data

1905

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde