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Igreja de Santa Maria do Abade - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santa Maria do Abade

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Santa Maria de Abade de Neiva / Igreja Paroquial de Abade de Neiva / Igreja de Santa Maria (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Barcelos / Abade de Neiva

Endereço / Local

Lugar da Igreja
Abade de Neiva

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 14 425, DG, I Série, n.º 228, de 15-10-1927 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

São muitas as dúvidas a respeito da cronologia a atribuir à obra medieval de Abade de Neiva, dificuldade a que não é alheia a coexistência de elementos românicos com outros já góticos, numa mescla aparentemente incoerente. Sabemos que em 1152 D. Mafalda patrocinou a construção de um mosteiro neste local, mas, ao que tudo indica, as obras nunca terão sido acabadas, pois após a morte da rainha o empreendimento terá sofrido um considerável abrandamento (GRAF, 1986, vol. 2, p.22). Aqui principiam as dúvidas a respeito do edifício. Alguns autores entendem que existem ainda vestígios desse primitivo mosteiro no actual templo (IDEM), ao passo que outros negam qualquer reminiscência material no conjunto, preferindo situá-lo em pleno século XIV (ALMEIDA, 1978, 1986 e 2001; RODRIGUES, 1995).
Ainda que as posições estejam, assim, extremadas, são relevantes os indicadores românicos que se podem salientar. De acordo com um primeiro recenseamento feito por Manuel Monteiro, são notórias as incongruências de uma construção gótica integrar elementos tão vincadamente românicos em algumas parcelas, que, por sua vez, não se coadunam estilisticamente com outros vestígios integrados no mesmo espaço. Ou seja, a atribuir-se ao século XIV toda a obra, qual a razão que teria motivado uma tão incoerência estilística em elementos-chave, como a ábside (onde coexiste uma janela gótica geminada com outras duas, laterais, de arco de volta perfeita) ou as cornijas (cujos modilhões são aparentemente góticos na cabeceira e ainda vincadamente agarrados à estética românica na nave)?
A resposta não é fácil e ambas as perspectivas cronológicas têm as suas insuficiências. Para Gerhard Graf, estaremos em presença de duas épocas distintas, atribuindo-se ao século XIV uma campanha reformadora que actuou sobre a janela da parede fundeira da capela-mor (provavelmente para dar mais luminosidade ao interior) e sobre os portais laterais, que são de perfil apontado (GRAF, 1986, vol. 2, p.23).
Neste contexto explicativo, tem importância capital o portal principal, que o autor supõe ser anterior aos laterais e na dependência da obra tardo-românica da Colegiada de Santa Maria de Barcelos, que considerou de meados do século XIII (IDEM, p.22). Ora, nos últimos anos avançou-se a cronologia da igreja barcelense em quase um século, considerando-se, hoje, que deva pertencer aos primeiros anos do século XIV e à iniciativa do Conde D. Pedro (ALMEIDA e BARROCA, 2002, p.54). A ser assim, ganham maior relevância os argumentos dos que defendem que Abade de Neiva é um produto do século XIV, uma vez que, no portal principal, os elementos escultóricos dos seus capitéis ligam-a estilisticamente a Barcelos. No entanto, também aqui existe espaço suficiente para dúvida, uma vez que desconhecemos se a empreitada trecentista de Santa Maria de Barcelos foi uma campanha integral ou uma mera reformulação de um templo anterior.
Do que não existe dúvida é de que, em 1301, D. Dinis doou o templo de Neiva a Mestre Martinho, seu médico e cónego da Sé de Braga. Aos anos seguintes atribui-se a torre quadrangular de dois andares, que se adossa à frontaria do templo pelo lado Sul (com arcadas sineiras de volta perfeita abertas posteriormente e coroamento em merlões) e os restantes elementos góticos da construção, incluindo uma galilé de possível conteúdo funerário (BARROCA, 2000, p.240), implantada à frente da fachada principal e suprimida em 1732 por apresentar ruína (FONSECA, 1948, p.47).
No século XVIII registaram-se alguns melhoramentos do interior (realização de altares de talha dourada, construção do coro-alto e do púlpito, etc.), que não desfiguraram o templo medieval, característico das construções modestas nortenhas e rurais, de nave única e capela-mor rectangular e mais baixa que o corpo, sendo a fachada principal marcada axialmente por um portal de arquivoltas (neste caso inserido num corpo avançado) a que se sobrepõe um óculo circular terminando o alçado em empena triangular.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O Concelho de Barcelos Aquém e Além Cávado (1948), 2ªed. fasimiliada

Local

Barcelos

Data

1987

Autor(es)

FONSECA, Teotónio da

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Portugal roman, vol. II

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Barcelos

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Epigrafia medieval portuguesa (862-1422)

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

As siglas da igreja medieval de Abade de Neiva, Amanhecer, nº1, pp.27-39

Local

-

Data

1983

Autor(es)

COSTA, Abel Gomes da