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Cruzeiro da Estrela - detalhe

Designação

Designação

Cruzeiro da Estrela

Outras Designações / Pesquisas

Cruzeiro Manuelino da Estrela (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Cruzeiro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Portalegre / Marvão / Santa Maria de Marvão

Endereço / Local

- no adro da Igreja de Nossa Senhora da Estrela
Marvão

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 8 228, DG, I Série, n.º 133, de 4-07-1922 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O cruzeiro manuelino que se implanta diante da porta principal do convento de Nossa Senhora da Estrela deve estar relacionado com a conclusão das obras da casa religiosa. Elas haviam-se iniciado pouco depois de 1448 (ano em que o Papa Nicolau V respondeu favoravelmente a uma petição por parte dos moradores de Marvão, e do infante D. Henrique, para que se edificasse um convento, no sítio onde aparecera uma lendária imagem de Nossa Senhora) e presumimos que tenham decorrido por todo o século XV, entrando mesmo na centúria seguinte. Com efeito, sabemos que, entre 1494 e 1520, os trabalhos de construção prosseguiam na igreja (MANTAS e GAMA, 2000, DGEMN on-line) e, apesar de apenas uma capela interior revelar o vocabulário artístico manuelino, é de supor que outras parcelas tenham sido construídas já sob o signo deste estilo-variante do Tardo-Gótico internacional.
O requinte decorativo do cruzeiro contrasta fortemente com o portal principal do Convento que, inserido num gablete e destituído de qualquer ornamentação (sendo mesmo os seus capitéis lisos), se apresenta como um notável e deliberado arcaísmo, porventura determinado pela austeridade e rigidez da primitiva comunidade franciscana. Mas o que estas diferenças artísticas vêm sugerir é o afastamento cronológico entre as duas construções (o portal ainda do século XV e o cruzeiro já das primeiras décadas de Quinhentos). Não temos provas evidentes desta diferenciação de tempos construtivos, mas assim é de supor.
O cruzeiro apoia-se sobre uma base granítica de três degraus, os dois inferiores de secção quadrangular e o superior de perfil circular, acompanhando a base do monumento. Esta, é de forma espiralada, com dupla moldura delimitadora, entre a qual se desenvolve uma decoração em corda entrelaçada. O fuste é relativamente curto e torso, apresentando um entrançado vertical de três feixes que se unem no limite superior para formar uma curiosa solução de laçaria. Segue-se-lhe o capitel, que repete genericamente a decoração da base, formando uma composição tripartida e simétrica, com o elegante fuste ao centro.
A cruz é ligeiramente desproporcional em relação à estrutura, e tem as terminações dos braços rematadas por pinhas em forma de flores-de-lis, que aumentam ainda mais o impacto visual da parcela final do monumento. Na face voltada ao adro, exibe-se a figura de Cristo crucificado, enquanto que, na orientada para o portal do convento, surge Nossa Senhora amparando o seu filho, já morto. A relação entre estas duas composições é uma das mais importantes do final da Idade Média e inícios da época Moderna, pois coloca-se num plano de continuidade as duas Paixões, a do Filho, que termina com a crucificação, e a da Mãe, que se inicia precisamente com a morte de Jesus. Esta iconografia encontra-se espalhada um pouco por todo o Portugal quatrocentista e quinhentista, e revela bem a importância que o culto a Maria teve no reino, instituindo-se como o mais importante vector de devoção, imediatamente após a figura de Cristo.
Sem alterações assinaláveis durante os séculos da Modernidade, só nas últimas décadas a estrutura foi objecto de restauro. Em 1938, na mesma altura em que se restaurava o convento, houve a necessidade de regularizar a plataforma quadrangular em que assenta, verificando-se, então, a substituição de algumas pedras que apresentavam grande desgaste. Em 1967, deu-se nova consolidação estrutural, não obrigando, desta vez, ao apeamento do cruzeiro, como ocorrera trinta anos antes.
Artisticamente, esta obra é um dos raros exemplares da arte manuelina na actual vila de Marvão, a par da capela lateral Norte do próprio convento, o que espelha a importância desta instituição, a única da vila, para além da Câmara Municipal, a receber uma campanha construtiva e decorativa no reinado de D. Manuel.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. I (Distrito de Portalegre)

Local

Lisboa

Data

1943

Autor(es)

KEIL, Luís

Título

Apontamentos para a história da pitoresca vila de Marvão

Local

Portalegre

Data

1974

Autor(es)

BUGALHÃO, Custódio da Mota

Título

Marvão. Elucidário breve de uma visita a esta vila

Local

Lisboa

Data

1946

Autor(es)

COELHO, Possidónio Mateus Laranjo

Título

Marvão, Castelo de Vide e Portalegre

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

DINIS, Alberto Calderon

Título

Terras de Odiana. Medobriga, Ammaia, Aramenha, Marvão, 2.ª ed.

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

COELHO, Possidónio Mateus Laranjo

Título

Apontamentos para a história do Convento de Nossa Senhora da Estrela de Marvão, Ibn Maruán

Local

-

Data

1991

Autor(es)

BALESTEROS, Carmen

Título

O actual concelho de Marvão e as suas freguesias nas Memórias Paroquiais de 1758, Ibn Máruan

Local

-

Data

1993

Autor(es)

GORJÃO, Sérgio, MACHADO, J. Liberata

Título

Um apontamento documental para o estudo artístico do convento de Nossa Senhora da Estrela de Marvão, Ibn Maruán

Local

-

Data

1995

Autor(es)

GORJÃO, Sérgio