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Torre de Quintela - detalhe

Designação

Designação

Torre de Quintela

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Torre

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Vila Real / Vila Real / Vila Marim

Endereço / Local

-- -
Quintela

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Situada junto à Ribeira da Marinheira, a ocidente de Vila Real, a Torre de Quintela é um dos poucos exemplos de arquitectura civil-militar que comprovam o avanço da senhorialização, tipicamente baixo-medieval, por terras transmontanas. A história deste local é antiga, recuando, pelo menos, até aos meados do século XI. Nessa altura, a propriedade aparece como uma das principais unidades agrárias das actuais terras de Vila Real, intimamente ligada aos condes que tutelavam o território de Chaves, uma vez que estava na posse de D. Gotronde Nunes, mulher do conde D. Vasco (SERENO; TEIXEIRA, 1994, DGEMN on-line).
A torre senhorial que hoje vemos, contudo, nada tem que ver com esse recuado passado condal. Ela é o produto dos séculos XIII-XIV, período que corresponde a um maior desenvolvimento agrícola e demográfico da região. Na viragem para o século XIV, aqui se instalou D. Alda Vasques, a quem se atribui a construção da torre, para sua própria residência. No entanto, o facto de a propriedade vir referida nas Inquirições de D. Afonso III (1258) pode retardar a sua construção em cerca de meio século, circunstância que a colocaria numa fase ainda tardo-românica da nossa arquitectura. Outros autores apontam uma construção já tardia, em pleno século XV (SILVA, 1995, p.55).
Na actualidade, o edifício apresenta algumas reformas posteriores, mas a sua estrutura deve corresponder ao plano fundacional do século XIII: uma planta quadrangular (com cerca de 12 metros de largura) define um alçado bastante elevado (mais de vinte metros de altura), organizado interiormente em 4 pisos. O acesso faz-se através de uma porta de entrada, de volta perfeita (mas originalmente em arco quebrado), com lintel recto e arco de descarga, elevado em relação à cota do terreno, na origem ligando-se com esta através de uma escadaria de madeira.
Os elementos decorativos que aqui vemos empregues, como os balcões ameados, os matacães, as frestas de iluminação ou a linha de merlões que coroa toda a estrutura, são característicos da arquitectura gótica, embora algumas opiniões apontem para a sua posterior integração na torre já pelos séculos XV ou XVI, hipótese que não está, até ao momento, integralmente confirmada.
Por disposição testamentária, D. Alda legou a Torre de Quintela à Ordem dos Hospitalários, instituição que ficou na posse da propriedade durante os século seguintes. Em 1695, numa altura em que a torre se encontrava na posse do Morgadio dos Conde de Vimioso (de que era titular D. Francisco de Portugal), deu-se uma reforma importante do morgado. A Torre é então descrita como tendo "52 fiadas da base ao coroamento das ameias, (...) quatro guaritas e varanda em cada uma das faces" (SERENO; TEIXEIRA, 1994, DGEMN on-line). Para além disso, a grande reserva agrícola que lhe estava adstrita possuía uma capela, dedicada a Santa Maria Madalena, e uma ampla área de cultivo, assim como numerosas dependências.
Até ao século XIX, a Torre de Quintela manteve-se na posse da Ordem, sendo uma das principais referências da época medieval, a ponto de ter inspirado o próprio Camilo Castelo Branco, num dos seus romances eivados de Romantismo. A extinção das Ordens Religiosas, em 1834, veio abrir um novo e desastroso período na história deste monumento. Vendida a privados, e tendo estado prestes a ser destruída, ela viria a ser poupada da ruína por condicionantes económicas. Mais recentemente, foi projectada a sua reconversão em pólo museológico, tendo, para isso, sido submetida a um restauro integral, nos primeiros anos da década de 80 do século XX. Particularmente importante, neste processo, foi a total reformulação do interior e consequente divisão em quatro andares, organização que poderá não corresponder à primitiva definição espacial, uma vez que, em alguns pontos, ainda se observam consolas de apoio a pavimentos. A Câmara Municipal de Vila Real, que actualmente detém a gestão do edifício, tem em projecto a instalação de um Museu de Heráldica.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Tesouros Artísticos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de

Título

Paços Medievais Portugueses

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

SILVA, José Custódio Vieira da

Título

Roteiro dos castelos de Trás-os-Montes

Local

Chaves

Data

2000

Autor(es)

VERDELHO, Pedro

Título

O Gótico vila-realense do século XV

Local

Coimbra

Data

1941

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira

Título

Torre de Quintela, O Archeologo Português, Lisboa, vol. 10, 1905, p. 292 - 295

Local

-

Data

1905

Autor(es)

BOTELHO, Henrique

Título

Torre de Quintela

Local

Vila Real

Data

1986

Autor(es)

PLÁCIDO, Manuela Alves

Título

Roteiro arqueológico e artístico do Concelho de Vila Real, Juventude com História

Local

Vila Real

Data

1999

Autor(es)

PARENTE, João Ribeiro