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Arco da Rua do Souto - detalhe

Designação

Designação

Arco da Rua do Souto

Outras Designações / Pesquisas

Porta Nova / Castelo e Cerca Urbana de Braga (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Arco

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Braga / Braga (Maximinos, Sé e Cividade)

Endereço / Local

Largo da Porta Nova
Braga

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O Arco da Rua do Souto foi aberto na muralha que circundava a cidade de Braga no início do século XVI, por iniciativa do então Bispo D. Diogo de Sousa, responsável pelo grande impulso de desenvolvimento que fez crescer a localidade, não apenas em termos urbanos, mas também culturais. De facto, foi graças à visão deste prelado que Braga se transformou "na nova Bracara Augusta" com "novos templos, hospital, mercado, Paços do Concelho (...) (PEREIRA, 1989, p. 97).
Conhecida por Porta Nova, situava-se no topo de uma das artérias mais relevantes, a Rua do Souto ou rua do comércio. Todavia, o arco que hoje conhecemos adquiriu a sua actual configuração apenas no século XVIII, por iniciativa do Arcebispo D. Gaspar de Bragança que na segunda metade de Setecentos, encarregou, muito possivelmente, André Soares, da sua concepção.
Na realidade, grande parte das acções patrocinadas por D. Diogo de Sousa e seus sucessores foram, nesta época, alteradas ou remodeladas, e o caso do Arco da Porta Nova é bem um exemplo deste movimento de actualização estética da cidade, de cariz tardo-barroco e rococó, no qual André Soares foi uma figura preponderante.
O projecto do novo arco de Braga tem vindo a ser atribuído a este artista, muito embora a sua concretização (1772) seja já posterior à sua morte, ocorrida em 1769 (SMITH, 1973, p. 34). Pouco se conhece sobre a formação de André Soares, que deverá ser enquadrada no âmbito da construção do Bom Jesus do Monte, e no contexto da obra de arquitectos como Manuel Fernandes da Silva ou do entalhador Marceliano de Araújo. Ou seja, na herança de todo um passado barroco, que depois o arquitecto desenvolveu num sentido rococó, para o qual foi determinante o contacto com as estampas de linguagem assimétrica de Augsburgo (SMITH, 1973, p. 496).
Todavia, o Arco da Porta Nova terá sido uma das suas últimas obras, que se caracteriza pela maior depuração decorativa e grandeza das formas. De certo modo, esta arquitectura, que marca uma das entradas da cidade, é o culminar de todo um percurso onde se incluem edifícios como a Casa da Câmara, ou a igreja dos Congregados. De acordo com Robert Smith, a importância do Arco da Porta Nova materializa-se nas analogias e semelhanças com outros trabalhos de André Soares, de tal forma que chega mesmo a afirmar que aqui se encontram "elementos de todas as fases da obra de André Soares, em Braga" (SMITH, 1973, p. 35).
De facto, os seus últimos trabalhos anunciam uma abertura ao neoclassicismo, e estas duas vias convergem precisamente no Arco, reflectidas na composição de cada uma das faces. Se a face virada para a Rua do Souto denota a influência barroca, a oposta denuncia a emergência do neoclassicismo (PEREIRA, 1989, p. 457). Contudo, é precisamente esta linguagem de pendor clacissizante que tem levado Eduardo Pires de Oliveira a aproximar o Arco da Porta Nova do trabalho de Carlos Amarante (SERRÃO, 2003, p. 272).
Na face exterior, o Arco, de volta perfeita, é enquadrado por duas pilastras de cada lado, que suportam um frontão interrompido, com pináculos laterais. Ao centro encontra-se o brasão do arcebispo D. Gaspar de Bragança, a imagem alegórica de Braga (c.1715, vinda dos alpendres da Porta do Souto, SMITH, 1973, p. 35) e as armas de Portugal, que mantêm uma linguagem rococó. Na face oposta, o monumento apresenta apenas uma pilastra de cada lado, e os elementos que o compõem denotam um maior movimento, próprio das obras de Soares realizadas em meados do século. Se a obra de André Soares imprimiu a Braga uma importante marca tardo-barroca e rococó, o Arco da Rua Nova tem de ser entendido enquanto uma das suas mais significativas intervenções urbanas.
Em todo o caso, este monumento testemunha não apenas o relevante mecenato religioso naquela que é conhecida como a cidade dos arcebispos mas, também, o anúncio de um novo tempo artístico - o neoclassicismo -, que se viria a impor com a obra de Carlos Amarante.
Rosário Carvalho

Imagens

Bibliografia

Título

Três artistas de Braga (1735-1775), Bracara Augusta (Actas do Congresso a Arte em Portugal no século XVIII)

Local

Braga

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

André Soares, arquitecto do Minho

Local

Lisboa

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

SOARES, André, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Braga, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes